Crônica Autista
Um apanhado do noticiário sobre autismo e autistas.
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Livro: Vencendo o Autismo - A Menina sem Estrela.
De: Yvonne Meyer Falkas.

Relato da vida de Sheila, filha da autora, e de como a família tem convivido com o autismo. Um testemunho de como foram vencidas etapas com múltiplas adversidades, e suas conquistas. Um apanhado geral sobre o que vem a ser o Autismo, as supostas origens e causas e os preconceitos existentes.

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Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

Maus tratos aos animais será a nova barreira à carne brasileira

| Estadão | 12/12/2007 |

Preocupados com as restrições à carne brasileira na Europa, frigoríficos brasileiros começam a adotar meios para evitar maus tratos aos animais de corte. Isso porque a questão pode se tornar uma nova barreira nos países desenvolvidos. "Evitar os maus tratos durante a criação e abate dos animais traz ganhos econômicos e éticos aos produtores", explica Temple Grandin, doutora em ciência animal pela Universidade do Colorado e considerada a maior especialista mundial em bem-estar animal.

Pressionados por consumidores e entidades de defesa dos animais, grandes empresas, como a cadeia de fast-food McDonald’s e os varejistas europeus Carrefour e Tesco estão exigindo o selo de ‘bem-estar animal’ na carne comprada.

No Brasil, os frigoríficos Marfrig e Bertin já possuem áreas estruturadas de bem-estar animal há quatro anos. Os técnicos percorrem fazendas e frigoríficos para aplicar um sistema de auditorias de bem-estar, desenvolvido por Temple, onde são verificados itens como o uso de choque elétrico para conduzir o gado, quedas e lesões, e eficiência no abate - se animal é morto logo na primeira tentativa.

Temple veio ao Brasil justamente para ensinar boas práticas aos produtores e frigoríficos locais. O convite veio da Braslo, empresa de alimentos que atualmente é a principal fornecedora de produtos de carne para as redes McDonald’s e Outback. Por exigência das cadeias de fast-food, desde 1999 a Braslo passou a exigir esse comprometimento dos fornecedores e ajudou a propagar o movimento no Brasil. Grupos varejistas como Carrefour e Pão de Açúcar também começam a pressionar os fornecedores para que estejam atentos à questão.

Qualidade

Além de evitar o sofrimento dos animais, o movimento tem razões práticas. Ao sofrer maus tratos no processo de criação e abate, o gado libera toxinas que alteram o PH (índice de acidez que vai de zero a sete) da carne. Quanto mais alto o PH, pior a qualidade da carne. "Via de regra, a carne com PH acima de 6 não entra no mercado europeu. É considerada mais rígida e de qualidade inferior", explica Waldemar Gomes Silva, gerente de qualidade do frigorífico Bertin, que exporta 90% de sua produção de carne bovina. Segundo ele, é fácil perceber quando o animal sofreu maus tratos. "A carne tende a ter uma coloração mais escura e há lesões."

Stravos Tseimazides, coordenador do setor de bem-estar animal do frigorífico Marfrig, conta que consumidores europeus chegam a pagar um prêmio de até 3% sobre o quilo da carne produzida dentro dos preceitos do bem-estar animal. "Não é um processo caro de implementar e o ganho de qualidade é evidente", diz. Em breve, seguir normas mínimos de bem-estar deverá ser mandatório no mercado interno. O Ministério da Agricultura está revisando as normas fitossanitárias para a carne e a nova portaria deverá incluir esses cuidados.

Segundo Temple, medidas simples - como proteger os animais do excesso de calor - podem aumentar o rendimento em até US$ 18 por animal. "Os bons produtores entendem a relação existente entre bem-estar animal e produtividade", diz Temple.

Engenheira e bióloga, Temple Grandin se tornou uma especialista em bem-estar animal por razões pessoais. Ela tem autismo em grau moderado e, até os 30 anos de idade, era incapaz de olhar uma pessoa nos olhos. O convívio com os animais ajudou a superar o problema. Em retribuição, dedica sua vida a melhorar as condições de vida dos bichos. Ela criou a 'máquina do abraço e de compressão', um dispositivo que ela criou para si e que hoje ajuda a reduzir o estresse do gado.


Maus tratos aos animais será a nova barreira à carne brasileira
http://www.midiamax.com/view.php?mat_id=307445

Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 17.12.07

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Alicia Keys, Avril Lavigne e Backstreet Boys animam evento beneficente em Nova York

Timbaland levou filho para o palco

| EGO | 15/12/2007 |


A praça Madison Square em Nova York reuniu milhares de pessoas e artistas no "Z100 Jingle Ball" nesta sexta-feira, 14, por uma boa causa: ajudar crianças carentes.

Alicia Keys entrou no palco e apresentou seu mais recente hit, “No One”, para um público jovem e consciente de que muitas instituições norte-americanas precisam de ajuda para tratar crianças autistas.

O discurso de Alicia foi engrossado por Avril Lavigne, que antes de cantar seus sucessos falou do trabalho da Autism Speaks, organização que recebeu a arrecadação da noite.

Além da dupla, o badalado produtor Timbaland subiu ao palco com seu filho, Frankie. Os grupos Backstreet Boys e Fall Out Boys também participam do evento.

Alicia Keys, Avril Lavigne e Backstreet Boys animam evento beneficente em Nova York

Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 17.12.07

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Lisboa: apoio à APPDA

Museu de Arte Antiga aberto até às 24 horas

| Jornal de Notícias | 15/12/2007 |

O Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, está a comemorar a quadra natalícia com uma série de actividades. Além disso, o horário também sofreu alterações, sendo que, hoje, está aberto até às 24 horas.

Entre o rol de actividades, contam-se um concerto pelos ARdeCORO (sob direcção do maestro Pedro d'Orey) e visitas guiadas dedicadas ao tema da natividade nas colecções do museu.

Entre as possibilidades, está incluída a exposição temporária "O tapete oriental em Portugal. Tapete e pintura. Séculos XV - XVIII".

Por outro lado, no átrio principal do museu, decorrerá a venda de artigos produzidos pelos associados da APPDA - Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo, de Lisboa.

A entrada é livre e o Museu Nacional de Arte Antiga garante que, "como é natural na época natalícia, não poderá faltar o bolo rei".

Museu de Arte Antiga aberto até às 24 horas
http://jn.sapo.pt/2007/12/15/cultura/museu_arte_antiga_aberto_as_horas.html

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Sábado, Dezembro 15, 2007

Juliana e Banda Caracatu no Tonton

| Marília Barroso | 14/12/2007 |

Juliana e Banda CaracatuAmigos queridos, meus irmãos:

Tínhamos que compartilhar esse momento tão importante com vocês, porque além de ser um momento especial para Juli, está sendo importante para todas as "pessoas especiais", como um exemplo, um incentivo e uma esperança de crescimento espiritual e inclusão social.

Juliana sonhou com este momento por 15 anos. Quinze anos!!!! atravessamos Estados, pesquisamos o Brasil inteiro e só em Sampa conseguimos reunir pessoas especiais musicistas , da mesma faixa de idade, com intelectualidade e emocionalidade semelhantes.

Sabemos que sonho que sonhamos juntos, não é apenas um sonho,é realidade. Pois bem, pessoal, taí......meu amor agora se chama

Juliana Paraíso e sua Banda, Banda Caracatu...vcs ainda irão escutar muito esse nome...ééé

com 10 integrantes "muito especiais", a primeira e única do Brasil...

O show já está em DVD, foi na casa de show TONTON, dia 27/nov/2007 as 20 h.

E.........LOTOU!!!!!!

Que o Eterno nos abençôe a todos.

Juliana e Banda Caracatu

Juliana e Banda Caracatu

Juliana e Banda Caracatu

Juliana e Banda Caracatu

Juliana e Banda Caracatu

Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 15.12.07

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Terça-feira, Dezembro 11, 2007

Autismo de alto funcionamento versus autismo de baixo funcionamento - mais complexo do que se imagina

Donna Williams

Sou conhecida como "a autista artista" e sou descrita como a personificação do caos criativo.

Sou uma autora internacionalmente reconhecida, com 9 livros publicados. Dou palestras há dez anos e sou consultora no campo das diferenças de desenvolvimento há oito. Sou professora qualificada com embasamento em Sociologia, mas sou, principalmente, uma prolífica, fantástica e louca artista.

Fui caracterizada como psicótica aos 2 anos em 1965, quando também se pensou que era surda. Apesar de ter fala armazenada (ecolalia com atraso), ainda fui testada para surdez até o finalzinho da infância, quando fui rotulada de perturbada. Foi quando minha surdez para o significado foi compreendida e me ajudaram a descobrir formas de interpretação e, com elas, a linguagem funcional. Fui diagnosticada autista com 20 anos, mais ou menos.

Hoje sou autora bem sucedida, artista, roteirista, consultora para autismo e palestrante. Vivo com meu maravilhoso marido Chris nas montanhas, na Austrália.

Meu website donnawilliams.net apresenta meus trabalhos artísticos e meus livros, bem como artigos, eventos e meu blog.

Ajudei a fundar o primeiro site no mundo para emprego para pessoas do espectro autista: http://www.auties.org – todo amigo dos autistas é bem vindo a nos ajudar a construir um mundo mais amigo para os autistas, um dos grupos com menor empregabilidade em todo o mundo.
| Donna Williams | American Chronicle | 23/11/2007 | Tradução de Argemiro Garcia |

Se o autismo é de Alto ou Baixo Funcionamento, isso depende da natureza da "salada do autismo" que está por trás do diagnóstico. A "salada" pode ser comum ou exótica, simples ou complexa, com pedaços pequenos ou grandes, arrumados ou misturados.

Autismo de Alto Funcionamento

Síndrome de Asperger geralmente é quando as pessoas têm Agnosia Sócio-Emocional e, assim, não conseguem processar expressões faciais, linguagem corporal ou entonação de voz. Isso restringe seu envolvimento em termos sócio-emocionais na vida, o que compensam com interesses, atividades e habilidades intelectuais.

Se também têm Simultagnosia, têm de se esforçar para manter simultaneamente um senso de si mesmo e dos outros, na maioria das vezes em mão única, precisando se esforçar para realizar mais de uma tarefa ao mesmo tempo. Se também têm alguma Agnosia Auditiva, vão achar que ventiladores e barulhos externos interferem na sua capacidade de entender informações verbais. Se têm Dispraxia ou Disgrafia, são desajeitados, com problemas de planejamento motor e escrita manual ruim. Alguns terão cegueira facial e acharão difícil fazer ou manter amigos. Como são mais estressados do que aqueles que não enfrentam dificuldades com processamento da informação, terão maior propensão à hipersensibilidade sensorial do que outras pessoas.

Se TAMBÉM têm dispraxia verbal, Mutismo Seletivo ou dificuldades de aprendizado, acarretando-lhes fala tardia (isto é, não falando antes dos 4 anos), então começarão a falar depois daqueles diagnosticados como ásperguer e alguns poderão ser diagnosticados como AAF, ainda que uma percentagem de crianças não-autistas também não fale antes dos 3-4 anos. Mesmo que, na época do diagnóstico, tenham linguagem verbal normal e não mostrem sinais de significativa desordem progressiva do processamento da linguagem, um histórico de fala tardia na idade de 3-4 anos provavelmente não mudaria o diagnóstico de ásperguer para AAF. Tanto mais presentes os sinais significativos de desordem progressiva do processamento da linguagem, mais provavelmente o diagnóstico será de autismo em vez de síndrome de Asperger. Se é Autismo de Alto Funcionamento (AAF), Autismo de Baixo Funcionamento (ABF) ou aquela estreita faixa entre os dois, isso dependerá do grau de desafios funcionais enfrentados na época do diagnóstico. Algumas pessoas do grupo ABF migram para a faixa dos moderados e podem ter algumas habilidades da faixa AAF. Têm sido relatados alguns casos na faixa do AAF e, mesmo, aspérgueres que tardiamente caíram para a faixa moderada ou ABF devido a um trauma, uso abusivo de substâncias, lesão cerebral adquirida, abuso de neurolépticos, infecção cerebral, ou Síndrome da Fadiga Crônica severa.

Então, o que é chamado de Autismo de Baixo Funcionamento?

O nível dos problemas de planejamento motor com Dispraxia podem ser comparáveis com os de uma Paralisia Cerebral moderada.

Podem ter as mesmas agnosias e mais: Agnosia Semântica, Formal ou Associativa, Cegueira Facial, tudo isso podendo fazê-los incapazes de perceber intenções e coloca-los a enfrentar dificuldades para aprender visualmente, tanto quanto incapazes de ler faces e achar que as pessoas são iguais, a não ser pelo cheiro, tom de voz ou movimentos, e isso fará essas pessoas PARECEREM mais autistas, provavelmente parecer mal-educada, porque o aprendizado pictórico não lhes é acessível e sem a capacidade de externar idéias através de gestos, datilografia ou objetos representacionais. Podem nunca saber de sua própria inteligência, deixando só os outros saberem dela. Se tiverem Agnosia Aperceptiva, também lhes será difícil desenhar, o que poderá levar as outras pessoas a considerá-los retardados, mesmo que consigam criar belos trabalhos abstratos.

Se, além de Agnosia Auditiva a afetar-lhes a distinção de palavras das não-palavras, tiverem Agnosia Verbal Auditiva e Agnosia Verbal Visual, parecerão tão surdos ao que ouvem quanto ao que lêem – ainda que, freqüentemente, consigam fazer uma "leitura de varredura". Isso poderá conduzi-los tanto à ausência de fala quanto a uma "fala disfuncional" (isto é, Desordem Semântica Pragmática) e incapacidade de ler ou leitura fluente sem compreensão. Ambas as situações podem levar as outras pessoas a presumir que têm retardo mental, perturbação emocional, etc. Isso também pode levá-los a ser considerados incapazes de digitar, ainda que canais expressivos possam na verdade permanecer relativamente intactos. Se a pessoa também tem Alexia, poderá ser incapaz de compreender a palavra escrita como feita de letras e, se esta for combinada com alguma agnosia visual ou verbal significativa, poderá ser muito difícil demonstrar sua inteligência através da digitação.

Se essa mesma pessoa apresentar significativas desordens intestinais, metabólicas ou imunológicas que a levem a uma elevada toxicidade, fadiga ou enfraquecimento cerebral, seu nível de funcionamento ficará reduzido, até que essa condição seja percebida. O estilo com o qual pessoas meio-surdas meio-cegas com autismo aprendem será provavelmente mais cinestésico, musical ou lógico do que visual-verbal, significando que provavelmente estarão menos adaptados às condições educacionais regulares. Se, forem também aprendizes solitários, e não-sociais, o grau de suas dificuldades aumentará, já que aprendizes solitários já são mal adaptados na maioria dos programas educacionais.

Da mesma forma, se a pessoa tiver comorbidades significativas não-tratadas, como mau humor, ansiedade e desordens compulsivas a canalizar dramaticamente suas energias para exaustivas condutas auto-estimulatórias, na melhor das hipóteses, ou caóticas, na pior, terá seu funcionamento drasticamente reduzido, até ser tratado.

Se a pessoa tiver severa Distonia, será muito desengonçada, fatigando-se facilmente e, se combinada com Agnosia Tátil, Agnosia dos Dedos ou Agnosia da Dor, pode ter pouca noção de seu corpo, pouca identificação com ele e uma fraca relação entre sua vontade e seus atos. Se tiver também Dispraxia e Simultagnosia severas, talvez não perceba as mensagens do seu corpo relativas a ir ao sanitário, quando estiver envolvida em outras tarefas. Onde este comportamento for entendido como reflexo de sua inteligência, as pessoas presumirão que ela é autista de baixo funcionamento ou mesmo retardada mental.

Se tiver estresse crônico, disregulação emocional e sobrecarga no processamento da informação perderá o ritmo não só em termos de hipersensibilidade sensorial mas também de qualquer feição da personalidade. Aqueles que têm a "salada do autismo" variada, complexa, provavelmente mostrarão um leque maior de desordens como características de sua personalidade. Como eles, então, serão rotulados de "O Autista", isso poderá aumentar ainda mais essas mesmas características, se a pessoa sentir que sua pessoa está sendo desvalorizada.

Porque aqueles que enfrentam maiores desafios lutam para se auto-controlar dentro dos níveis mais simples, haverá a possibilidade de o ambiente se sobrepor, determinando-lhes inexoravelmente o rótulo de excêntrico ou doente, ou ainda construir-lhes níveis patológicos de co-dependência, o que pode aumentar dramaticamente a dependência aprendida naqueles com esses traços de personalidade, ausentes em outros. A auto-agressão pode aparecer como parte de uma Desordem da Personalidade Dependente, ou para controlar o ambiente, ou devido a uma extrema sensação de desamparo porque o ambiente constantemente se sobrepõe ao indivíduo, ou em situações em que uma personalidade solitária se sente constantemente importunada e acha que a auto-agressão faz o ambiente recuar. Todas estas respostas podem ser consideradas parte da condição "baixo funcionamento".

Essencialmente, quem está no grupo do baixo funcionamento pode ser tão inteligente quanto aqueles no grupo do alto funcionamento, mas tem maiores chances de apresentar uma baixa performance no mesmo teste de QI, podendo ter grande potencial em campos muito distintos daqueles em que pessoas com alto funcionamento podem se destacar. Socialmente, tem menos chances de ter oportunidades ou fazer contatos sociais que as façam surgir.

Para mais informações, por favor veja "The Jumbled Jigsaw", de Donna Williams.

Donna Williams

Autora autista e consultora para autismo

http://www.donnawilliams.net

High functioning versus low functioning autism - it's more complex than you think
http://www.americanchronicle.com/articles/viewArticle.asp?articleID=43650

Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 11.12.07

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Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Crianças que as fadas roubaram

| Diário de um psicoterapeuta | 8/12/2007 |

A mitologia nórdica relata o estranho caso de crianças que deixam de olhar nos olhos, prestar atenção nos pais e falar. Seriam filhos dos duendes e elfos, que os deixaram no lugar das crianças humanas.

Que lições podemos tirar deste mito?

http://diariodeumpsicoterapeuta.wordpress.com/2007/12/08/crianas-roubadas/

Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 10.12.07

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Domingo, Dezembro 09, 2007

Modelo com doença similar ao autismo se destaca no 'America's next top model'

Heather Kuzmich tem dificuldade de socialização e é alvo de piadas das outras meninas.
Desajeitada e direta, ela conquistou o coração do público americano.

| TARA PARKER-POPE | New York Times - via G1 | 08/12/2007 |

Heather Kuzmich tem a desordem neurológica conhecida como síndrome de Asperger. Ela é socialmente desajeitada, tem problemas para olhar olho no olho quando fala com alguém e às vezes é alvo das piadas das pessoas que moram com ela. Mas o que faz com que Kuzmich, de 21 anos, seja diferente dos outros portadores de Asperger é o fato de que seu esforço para conviver com a doença esteja sendo exibido em cadeia nacional nos EUA nas últimas 11 semanas. Ela é uma das 13 jovens selecionadas pela supermodelo Tyra Banks para competir no popular reality show “America´s Next Top Model”.

A adição de Heather Kuzmich a um programa que normalmente seria superficial deu a milhões de telespectadores uma visão incomum e fascinante do mundo pouco compreendido do Asperger. O problema, considerado uma forma de autismo, caracteriza-se por interação social e habilidades de comunicação fora do comum.

Os "aspies", como as pessoas com a doença se auto-intitulam, com freqüência têm inteligência normal ou acima da média, mas têm problemas em fazer amigos e não têm a habilidade intuitiva para avaliar situações sociais. Elas também não conseguem fazer contato olhando nos olhos de outra pessoa e com freqüência apresentam uma fixação em alguma idéia, algo que pode acabar se tornando bizarro ou brilhante. Por definição, as pessoas com Asperger estão fora do comum.

Mesmo assim, em meses recentes, a síndrome ganhou lugar de destaque. “Look me in the eye” (“Olhe nos meus olhos”), um livro de memórias sobre a vida com Asperger escrito por John Elder Robison, que já criou efeitos especiais para bandas como o Kiss, se tornou um best seller. Em agosto, o crítico musical vencedor do prêmio Pulitzer, Tim Page, escreveu um comovente artigo para o "The New Yorker" sobre a vida com Asperger não-diagnosticado.

Robison afirma que o apelo popular dessas histórias talvez se deva, em parte, à tendência que as pessoas com Asperger têm de ser dolorosamente diretas -– elas não tem o filtro social que impede que outras falem o que lhes passa pela cabeça. “É importante porque o mundo precisa saber que existem enormes diferenças de comportamento humano”, disse Robison, cujo irmão é o escritor Augusten Burroughs.

“As pessoas estão muito dispostas a descartar alguém porque essa pessoa não responde como elas gostariam. Eu acho que livros como o meu transmitem ao mundo a mensagem de que cabe mais a nós do que a eles fazer isso”.

Mas, enquanto Robison e Page contam a história sobre conseguir conviver coma doença a partir da perspectiva de homens com 50 anos, Heather Kuzmich está apenas começando sua vida adulta com o problema. E é muitas vezes doloroso assistir sua transição de uma adolescente socialmente desajeitada para uma adulta socialmente desajeitada.

Uma talentosa estudante de artes de Valparaíso, Indiana, ela tem uma aparência esbelta e angulosa que é perfeita para a indústria da moda. Mas sua beleza não encobre os desafios representados pela síndrome de Asperger. O programa exige que ela more numa casa com mais 12 aspirantes a modelo e ali os comentários maliciosos e críticas pelas costas são comuns. Logo no início do programa, ela parece socialmente isolada, as outras meninas cochicham sobre ela de modo que Heather possa escutar e o público pode ver a jovem portadora de Asperger chorando ao telefone em conversa com sua mãe.

Uma das meninas fica frustrada porque Heather, concentrada em arrumar sua mala, não ouve um pedido para que saia da frente. Em dado momento, as outras riem quando escolhem suas camas e Heather fica sem lugar pra dormir. “Eu gostaria de entender a piada”, lamenta Heather. “Você. Você é a piada”, retruca outra modelo, Bianca, uma estudante universitária de 18 anos que é de Queens, Nova York.

Mas, ao mesmo tempo em que os estranhos maneirismos de Heather a separam das moças que moram com ela, essas características acabam se traduzindo em um estilo fashion ultra moderno em suas sessões de fotos. Em entrevistas para televisão, ela muitas vezes olha para o lado, incapaz de estabelecer um contato olho no olho. Mas Tyra Banks, a modelo dos anos 60 Twiggy e o fotógrafo Nigel Barker, que aparecem no programa de TV, ficam impressionados com a habilidade que a jovem tem de fazer contato com câmera.

O pop star Enrique Iglesias ficou tão encantado com sua aparência que a escolheu para um papel em seu próximo vídeo clipe. Em uma entrevista na semana passada, Kuzmich minimizou o conflito com as outras participantes, dizendo que conversas muito mais “civilizadas” ocorreram nos bastidores sem que fossem transmitidas. “Elas não tiraram tanto sarro assim de mim”, disse ela.

Ela fez teste para o show, explicou a modelo, em parte para testar seus próprios limites. “Foi uma época de minha vida em que pensei: ou Asperger vai definir quem eu sou ou serei capaz de contornar o problema”, disse ela.

Para sua surpresa, ela foi votada como a favorita dos telespectadores ao longo de oito semanas seguidas, fazendo com que fosse uma das concorrentes mais populares do show em quatro anos e meio de história. “Estou acostumada com as pessoas meio que me ignorando”, disse ela em entrevista. “No início eu estava preocupada por achar que ririam de mim porque sou tão esquisita. Mas tive a reação exatamente oposta”.

Heather chegou ao grupo das “top five”, mas se confundiu com sua fala na hora de filmar um comercial. Mais tarde, ela ficou completamente perdida em Pequim e conseguiu encontrar apenas um dos cinco estilistas. Ela foi eliminada na semana passada, mas desde então já apareceu nos programas “Good Morning America” (“Bom Dia América”) e no “Access Hollywood” (“Acesso a Hollywood”). Ela diz que espera continuar sua carreira de modelo e se tornar uma porta-voz nacional para a causa dos portadores de Asperger.

“Eu não tinha idéia de que isso seria algo tão grande”, declarou ela. “Minha mãe está muito entusiasmada. Ela viu que quando eu era criança não tinha amigos e acompanhou meu esforço. Ela está feliz que as pessoas agora estão começando a compreender isso.”

Modelo com doença similar ao autismo se destaca...
http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL209708-7084,00.html

Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 9.12.07

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