Terça-feira, Novembro 27, 2007
Visita ao Centro Ann Sullivan do Peru
| Cecília Almeida | Comunidade Virtual Autismo no Brasil | 27/11/2007 |
Centro Ann Sullivan del Peru
O Instituto Ann Sullivan do Peru fica em São Miguel, um bonito bairro de Lima rodeado por supermercados, lanchonetes, bancos e escritórios.
O objetivo de conhecer o Ann Sullivan do Peru surgiu há muito tempo, desde que iniciei trabalhar na área da educação especial.
Não estava nos meus planos conhecer pessoalmente Liliana Mayo e Judith Lê Blanc. Entendo que o trabalho é grande e o tempo curto para o trabalho que vi - aliás, muito mais amplo de tudo que pude ler nos livros. Conhecer, conversar e receber instrução de Liliana Mayo e Judith Lê Branc foi um presente em minha viagem.
O Ann Sullivan possui uma clientela de crianças, jovens e adultos com autismo, síndrome de down e paralisia cerebral.
Pude ver alunos com graves comprometimentos recebendo informações práticas favorecendo a aquisição de habilidades e equilíbrio físico e emocional. Alunos com comprometimentos graves são trabalhados através de um ensino sistemático com procedimentos bem elaborados, estratégias verbais e visuais da forma mais natural e espontânea possível, possibilitando sua participação na sociedade.
Os alunos estão em classes conforme idade cronológica, onde é priorizada a situação natural e retirada à utilização de ambientes artificiais, como uma feira na sala de aula, ou aprender a abotoar uma camisa em um boneco: tudo é ensinado o mais natural.
Os alunos recebem um ensino onde é priorizada a independência, a autonomia, adaptação e direito à cidadania e participação efetiva da família.
Foi muito mencionado que o currículo funcional de um aluno deve ter objetivos educacionais em ensinar com ênfase algo que seja útil atualmente ou que seja útil no futuro não muito distante e tornar o ambiente de ensino o mais próximo possível do que ocorre no mundo real.
A escola trabalha 30% e a família 70%. É muito clara a participação da família dentro e fora da escola, onde pais e mães sabem o mesmo e trabalham da mesma forma que os professores em casa. Muitos pais são voluntários e ajudam a instituição ministrando cursos, trabalhando com animais junto às crianças, enfim, uma forte equipe de pais dentro de uma grande equipe de profissionais: este é o Ann Sullivan do Peru.
Não posso deixar de mencionar que dentro deste trabalho desenvolvem habilidades de recreação e lazer, o que melhora a qualidade de vida dos alunos.
Conversei com um aluno, que disse ter tomado cerveja pela primeira vez com 25 anos e com os professores em uma festa. Este jovem de 33 anos já foi diagnosticado como severo a ponto de ser um nada na vida, mas hoje trabalha em uma empresa, no departamento de arquivos e vive de forma independente, trabalha todos os dias em tempo integral e com qualidade.
Visitei um supermercado onde vários autistas e alguns jovens com retardo mental leve trabalham, autistas não-verbais e comprometidos trabalhando igual aos outros funcionários normais.
Visitei a ASPAU, uma instituição de pais de crianças e jovens com autismo, onde pude ver jovens em aula e trabalhando junto a outros jovens com deficiência auditiva e síndrome de Down. Pude ver pinturas e desenhos maravilhosos expostos no Congresso do Peru, que jamais imaginaria serem trabalhos de jovens autistas. Pude ver jovens praticando educação física e trabalhando na cozinha preparando panettones. Além da cozinha, realizam vários trabalhos dentro da instituição. Diferente do Ann Sullivan, a ASPAU tem como objetivo a construção de um local para a fase adulta.
A participação das famílias em ambas as instituições é um ponto forte e seria impossível qualquer trabalho sem a sua participação com muita garra e amor.
Espero ter contribuído para entender como surgiu o currículo funcional dentro de uma cultura rica e que se mantém forte dentro das dificuldades que o Peru passa na área política, econômica e a falta de empregos, em uma cidade onde nunca chove e o povo sofre com a falta de água e tenta sobreviver dia a dia, pois o lema é:
nada é impossível tudo é possível.
Segue letra da música de Judith LeBlanc – considerada a grande professora que ensina e possui uma visão diferente das pessoas que possuem habilidades diferentes. Ela as trata como pessoas, amigas e as prepara para a vida através do Currículo Funcional Natural desejando que se tornem independentes, produtivas e felizes.
Soy uma persona
letra de Judith Leblanc |
|---|
No quiero depender de nadie
Ni que tomen decisiones por mí
No quiero que me compadezcan
Ni me traten diferente.
Yo sólo quiero que me den
Que me den una oportunidad
De aprender y demostrar
Todo lo que puedo dar
Soy una persona
Una persona com sueños
Com ganas de trabajar y ser útil em la vida.
Soy una persona
Con muchas ganas de amar
Que conozcas como soy
Yo quiero ser tu amigo...
Canta mi canción
Yo quiero ser tu amigo... |
Não quero depender de nada
Nem que tomem decisões por mim
Não quiero que se compadeçam
Nem me tratem diferente.
Só quero que me dêem,
Que me dêem uma oportunidade
De aprender e mostrar
Tudo o que posso dar
Sou uma pessoa,
Uma pessoa com sonhos,
Com vontade de trabalhar e ser útil na vida.
Sou uma pessoa
Com muita vontade de amar,
Que conheças como sou.
Eu quero ser teu amigo...
Canta minha canção,
Eu quero ser teu amigo... |
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 27.11.07
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Segunda-feira, Novembro 26, 2007
Hillary Clinton promete verbas de 700 milhões por ano para autismo
| KGAN | Iowa, USA | 24/11/2007 |
SIOUX CITY, Iowa (AP) - A senadora do Partido Democrata Hillary Rodham Clinton prometeu aumentar as verbas de pesquisa e educação do autismo para US$700 milhões por ano.
Ela afirmou que os pais de crianças autistas estão mais conscientes e pedem mais verbas.
Clinton lembrou que se sabe pouco sobre autismo. Disse que não há cura e ninguém sabe ao certo a melhor forma de tratá-lo.
Ela ainda afirmou que a América precisa de um presidente que reconheça a seriedade do autismo e encare-o de frente.
Ao mesmo tempo que criticava o Presidente Bush por recusar-se a financiar plrnamente tais esforços, Clinton disse que se for eleita, aumentará as pesquisas, melhorará a educação e o diagnóstico e intervenção precoces.
Clinton, em campanha no Noroeste de Iowa, também disse que vai investir no treinamento de professores que ensinam crianças autistas.
Clinton says she'd boost autism funding to $700 million a year
Democrat Hillary Rodham Clinton is pledging to increase funding for research and education for autism to $700 million a year.
She says parents of autistic children have raised awareness and are demanding funding.
Clinton says little is known about autism. She says there is no cure and no one knows for sure the best ways to treat it.
She says America needs a president who recognizes the seriousness of autism and addresses it head-on.
While criticizing President Bush for refusing to fully fund such efforts, Clinton says that if she's elected, she will expand research, improve education and improve early detection and intervention.
Clinton, who is campaigning in northwest Iowa, also says she will increase training for teachers who instruct children with autism.
Clinton says she'd boost autism funding to $700 million (sic) a year
http://www.kgan.com/template/inews_wire/wires.regional.ia/362ec451-www.kgan.com.shtml
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 26.11.07
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Quarta-feira, Novembro 21, 2007
Analfabetos de céu
| Redação do Momento Espírita | Em 19.11.2007 | Enviada por Wanya Leite |
Numa escola de ensino fundamental, uma menina de 7 anos faz um desenho de uma paisagem com tintas coloridas.
Era a tarefa do dia na aula. Pintar um lugar onde eles gostariam de estar.
A menina se esmerou com a palheta de cores, e produziu, empolgada, sua obra de arte.
Ansiosa, levantou-se da cadeira e foi mostrar à professora.
Ao ver a pintura, a educadora notou algo estranho já de súbito.
Disse baixinho um
"muito bem", para incentivar a criança, fez um carinho e pegou o desenho em mãos.
Os trabalhinhos seriam expostos no outro dia no mural da escola.
No intervalo para o lanche, a professora não se conteve, pegou o desenho e foi mostrar às outras que se encontravam na secretaria da escola.
Ela queria uma opinião sobre aquilo. Algumas delas eram mais entendidas em psicologia infantil, e quem sabe poderiam ajudá-la a decifrar o que estava pintado ali.
"O que será que ela quis dizer com isso? Isso deve estar mostrando algum sentimento, algo que ela tem guardado. O que será?"
As amigas de profissão não souberam dizer. Algumas disseram que não era nada, que não deveria se preocupar. Mas ela estava
"encafifada", se poderia dizer.
Voltou à sala de aula, e resolveu que, ao final do período, iria conversar com a menina e perguntar a ela o que significava.
Chamou-a então, com discrição, à sua mesa e perguntou, com a pintura na mão:
"Querida, você pode explicar algo para a tia?" – A criança acenou com a cabeça.
"Se o céu é azul, por que você desenhou um céu cor-de-rosa?"
"Mas o céu não é azul, tia!" – Respondeu ela, com educação.
"Quem diz que o céu é azul é analfabeto de céu!
Ontem, no final da tarde, o céu atrás de minha casa estava assim, rosa.
Esses dias vi um céu laranja! À noite ele é sempre preto, ou azul escuro, mas de dia ele pode ser cinza claro, cinza escuro, vermelho...
Sabe... Uma vez vi uma tempestade tão grande no céu, que ela chegou a pintar o céu de verde! Não é todo mundo que acredita, mas eu vi, era verde."
A menina fez um verdadeiro discurso sobre as cores do céu, deixando boquiaberta a professora desatenta.
Ela nunca havia parado para pensar nisso. Aceitou tão facilmente a verdade, o clichê de que o céu é azul, que acabou esquecendo a variedade de cores possíveis no zimbório terreno.
Percebeu então como as crianças têm uma sensibilidade admirável, e que muito tinha a aprender com elas.
Com certeza, na próxima vez, antes de achar que possa existir algum problema numa criança, iria se analisar, para perceber se não era sua sensibilidade que precisava de escola.
Toda criança é especial, e merece ser tratada como tal.
Da mesma forma como nem sempre o céu é azul, cada criança tem suas particularidades, e os educadores precisam estar atentos a elas.
Não se pode usar uma mesma fórmula, um mesmo padrão de ensino ou educação no lar, para todas as crianças.
Faz-se necessário ajustes, adequações, atenções individualizadas.
Todo céu é belo, mesmo sendo amarelo, rosa, vermelho ou negro.
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 21.11.07
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Sexta-feira, Novembro 09, 2007
HC seleciona médico para estágio em autismo
| Agência Imprensa Oficial | 6/11/2007 |
Médicos interessados em estágio remunerado na área de Transtornos do Espectro Autista podem inscrever-se até o fim deste mês no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. A seleção é feita pelo Serviço de Psiquiatria da Infância e da Adolescência (Sepia) do Instituto de Psiquiatria (IPq) do HC.
O estágio terá carga horária de 20 horas semanais e bolsa no valor bruto de R$ 1.300 mensais. É necessário que o candidato tenha completado, até o final de 2007, residência ou estágio em Psiquiatria Geral. A duração do estágio é de um ano, com início em fevereiro de 2008 e término em janeiro de 2009. Trata-se de iniciativa em parceria entre o Sépia e a Associação de Amigos do Autista (AMA).
SERVIÇO
Os interessados podem enviar até 30 de novembro seu curriculum vitae para o e-mail
processoseletivo@ama.org.br. O documento deve incluir nome do candidato, data de nascimento, endereço, e-mail, telefone e informações sobre seu histórico escolar e universitário. Os selecionados para a entrevista serão convocados até 15 de dezembro e as entrevistas de seleção estão marcadas para 22 de janeiro de 2008.
HC seleciona médico para estágio em autismo
http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.php?id=89162&siteID=1
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 9.11.07
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Quarta-feira, Novembro 07, 2007
A pequena deusa da Índia
Lakshimi nasceu ligada ao corpo de sua irmã gêmea, que não se desenvolveu plenamente. Veja no imbloglio como uma situação que poderia ser vista como indesejável trouxe, para a menina, uma situação de respeito, admiração e carinho de toda sua comunidade.
Imbloglio
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 7.11.07
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Terça-feira, Novembro 06, 2007
Ferida, garota que tem autismo perdeu a família
Ela brincava com amiga em quarto da casa atingida por avião e sofreu queimaduras em 30% do corpo
| Ana Carolina Moreno e Fernanda Aranda | O Estado de São Paulo | 4/11/2007 |
As amigas Cláudia Fernandes, de 16 anos, e Laís Melo, de 11, brincavam em um dos quartos da casa número 118, quando o Learjet a destruiu por inteiro. Foram as únicas atingidas diretamente pelo avião a sobreviver ao desastre, a primeira com queimaduras, mas em quadro estável, e a segunda com ferimentos no rosto. Duas primas de Cláudia estavam na casa dos fundos e não foram atingidas. Uma tia da menina e outros três primos haviam saído.
Depois de uma hora removendo camas, lençóis, uma porta, um aparelho de televisão, móveis e muitos quilos de tijolos, as dezenas de policiais e bombeiros finalmente resgataram Laís Gonçalves Coutinho Melo, 11 anos. Ela foi atendida na casa em frente, improvisada como pronto-socorro e anteriormente ocupada apenas pela equipe de resgate.
Eram 15h30 e, por vários minutos, a apreensão tomou conta dos médicos e enfermeiros, que colocaram sobre o corpo de Laís um cobertor térmico, deixando à mostra apenas seu rosto e os pés - o esquerdo já havia perdido o tênis cor-de-rosa e exibia meias floridas. Foi então que a garota, torcedora do São Paulo Futebol Clube, jogadora de futebol do time feminino da 5ª série da Escola Estadual Barão Homem de Melo e fã da professora de Ciências, soltou um grito e começou a chorar.
Foi o bastante para acalmar o avô dela, Nelson Gonçalves da Silva. "Ela nasceu de novo", afirmou ele, depois de visitar a neta no Hospital Municipal do Mandaqui, onde fez exames, mas apresentou apenas ferimentos na testa e inchaço na boca. Laís é órfã de pai, e a mãe, Cláudia Gonçalves da Silva, 28 anos, até as 18 horas não sabia do acidente com a filha, pois estava no litoral. "Não tive como avisá-la", contou o avô.
Laís havia ido brincar na casa de Cláudia. Segundo o colega de classe delas Danylo Roberto Chammas, de 11 anos, "havia vezes em que elas falavam 'vai pra lá que vamos conversar só nós duas', elas não se desgrudavam". Como Cláudia é autista, acabou alguns anos atrasada na escola, mas tem uma relação de amizade e respeito com todos os colegas da classe. "A gente defende ela", diz Danylo. Foi o que fizeram também os primeiros vizinhos a chegar ao local. "Ela estava presa na árvore pedindo socorro", relata o representante comercial Milton Lamberti, de 47 anos.
Cláudia foi arremessada longe e teve a queda amortecida por uma árvore. Levada ao Mandaqui, teve cerca de 30% do corpo queimado. No fim da noite, seria transferida para a ala de queimados do Hospital do Servidor Público Estadual. Conforme Laís contou a funcionários do hospital, estava sentada na cama de casal e Cláudia em cima do beliche. De repente, tudo começou a tremer e ela não lembra de mais nada. Laís ficou sob 50 centímetros de escombros, mas passa bem e deve ficar em observação por mais 24 horas.
Na hora do acidente, a tia de Cláudia, a dona de casa Rosa Maria Simões, de 43 anos, que mora na casa dos fundos, estava com dois de seus cinco filhos em um supermercado. "Eles me ligaram, dizendo que um avião tinha caído em casa." Duas filhas dela, Priscila e Adriana, estavam ali, mas conseguiram fugir pelos fundos. "Foi inexplicável quando vi que as duas estavam bem."
Ferida, garota que tem autismo perdeu a família
http://txt.estado.com.br/editorias/2007/11/05/cid-1.93.3.20071105.8.1.xml
Guarda de jovem autista que sobreviveu a acidente é incerta, diz tio
| Folha Online | 05/11/2007 |
O destino da adolescente Cláudia de Lima Fernandes, 16, portadora de autismo e única integrante da família Fernandes a sobreviver ao acidente aéreo ocorrido ontem na Casa Verde (zona norte de São Paulo), ainda é incerto. Um tio dela, Lauro Fortes, 51, afirmou ainda não saber quem ficará com a guarda dela, depois que ela tiver alta.
Cláudia sofreu queimaduras em 30% do corpo e está internada na unidade de queimados do Hospital do Servidor Público Estadual. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, o quadro é considerado grave, porém estável. Ela respira sem ajuda de aparelhos.
O tio afirmou que não sabe quem ficará com a adolescente, mas que, certamente, algum parente irá à Justiça reivindicar a guarda. "Ela tem família, não vai ficar desamparada." O acidente matou a família de Cláudia. "O homem constrói a máquina, e a máquina destrói as famílias", disse o tio.
Fortes contou que a família está "muito abalada" e que soube do acidente pela televisão. "Quando vi o acidente da TV, reconheci a casa." Segundo ele, a família ainda não discutiu como pedirá indenização pelo acidente.
Guarda de jovem autista que sobreviveu a acidente é incerta, diz tio
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u342822.shtml
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 6.11.07
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Pré-matrícula em Duque de Caxias
6/11/2007
A Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense, abriu nesta segunda-feira, dia 5 de novembro, o calendário de inscrições para seus alunos. Serão 37 pólos de matrícula espalhados em quatro regiões.
Até o dia 8 de novembro serão realizadas as matrículas dos alunos com necessidades educacionais especiais (alunos com deficiência física, intelectual, auditiva, visual, autismo e altas habilidades, entre outros), em todas as unidades escolares da rede municipal. Os responsáveis devem procurar a unidade escolar mais próxima de sua residência.
O calendário segue da seguinte forma;
21 a 23 de novembro - renovação das matrículas.
3 a 5 de dezembro - inscrições para Educação Infantil.
10 a 15 de dezembro - inscrições nas unidades-pólo para levantamento da demanda de vagas de alunos de 1° ano.
7 a 9 de janeiro - atendimento dos interessados nas vagas do 2° ao 9° ano e o Ensino Regular Noturno.
Com base em:
Aberta a pré-matrícula na rede municipal de Duque de Caxias - 5/11/2007
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 6.11.07
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"A minha irmã foi destruída"
Entrevista: actriz francesa Sandrine Bonnaire
| EURICO DE BARROS | Diario de Notícias | Portugal, 23/10/2007 |
Disse numa entrevista que Elle s'appelle Sabine nasceu de um sentimento de cólera e de injustiça, quando viu que a condição da sua irmã autista tinha regredido, após passar cinco anos num hospital psiquiátrico. Mas o motor do filme não é também um grande gesto de amor fraternal?
Sim, também. Mas não preciso de fazer um filme para que ela saiba que esse amor existe. Fiz Elle s'appelle Sabine para sensibilizar os poderes públicos, porque a França tem dinheiro, fala muito dos direitos do homem e, se é assim, é preciso que o Estado tenha um pouco de respeito pelos doentes como a minha irmã. Em 2001, fui madrinha das Jornadas Nacionais do Autismo em França e apercebi-me da quantidade de pessoas e de famílias como a minha que tinham dificuldades com autistas. A minha irmã foi destruída por um sistema inteiro, que também destrói outras pessoas. E há muito poucos centros médicos para eles, os que há são quase todos fundados por pais. Nos outros, não há lugares. E isso não é normal.
O centro onde a sua irmã está internada, na Charente, é como uma pequena família...
Exactamente. É como um pequeno lar. Eu quis mostrar o trabalho dos educadores, as suas dificuldades, e toda a ternura que sentem por aqueles de que cuidam. O hospital não é uma solução, porque é feito para as pessoas doentes se curarem e ir embora. Mas os autistas nunca terão cura porque não são doentes, são deficientes. Não voltarão a ser "normais".
Quando decidiu fazer o filme, falou com a sua família, com as suas irmãs e irmãos, com a sua mãe, e pediu-lhes a opinião?
Sim. Alguns eram a favor e outros contra. Os contra temiam que eu mostrasse coisas de mais, que falasse da família. Assegurei-os ao máximo, mas só se acalmaram quando viram o filme. Os que eram a favor diziam que o filme iria ter um impacto importante. Hoje, todos acham que fiz bem em o ter feito.
Elle s'appelle Sabine inclui muitas imagens das férias que vocês fizeram juntas, nomeadamente aos EUA. O filme teria existido se não houvesse essas imagens?
Nunca. Porque teria sido um filme muito explicativo e só diria respeito a mim, na lembrança da minha irmã. Essas imagens fazem com que eu não tenha de contar muita coisa, porque falam por si próprias e permitem ver Sabine nos seus dois estados. O hospital destruiu as suas capacidades e ela teve de reaprender tudo o que já sabia. Quando se fica muito tempo num hospital psiquiátrico, ele transforma-se numa prisão. Em França há pessoal a menos para tantos doentes. E, como não conseguem geri-los todos, dão-lhes medicamentos. E isso é injusto, não pode acontecer. Pagamos impostos e temos a segurança social para que estas coisas não sucedam. E acontece o mesmo com os idosos.
Teve muitas reacções ao filme?
Sim, foi colossal. Nem sei como geri-las todas, tal o volume de solicitações de famílias, de associações, de pedidos para ser madrinha de iniciativas ligadas ao autismo. Fiquei muito contente porque tive a solidariedade dos media, do público, do meio artístico, até de políticos. O filme conseguiu abrir portas, porque o tema é universal.
O facto de ter usado uma câmara digital ajudou-a na logística da rodagem e a dar ao filme a necessária dimensão íntima?
Imenso. Eu queria filmar-me a dialogar com ela e já tinha decidido que a voz off seria a minha. Não queria aparecer senão quando se justificasse muito. É tudo muito íntimo, como disse, é o meu olhar e a história dela associada à minha, e esta câmara facilitou tudo muito. Com uma câmara convencional teria sido mais difícil e penoso.
Filmou muito e teve de cortar muita coisa? Isso custou-lhe?
Sim. Cortei, por exemplo, uma cena em que filmei Sabine com uma sobrinha nossa a representar um texto de Brecht que eu estava a fazer na altura. Mas decidi deixá-la de fora porque resultou muito sombria, o texto era muito grande e o filme ficaria longo de mais.
A sua irmã viu o filme. Como é que ela reagiu?
Muito bem. Lembrou-se de tudo, de todas as imagens do passado. E riu--se das imagens de hoje, das cenas em que é violenta. No final perguntei-lhe se tinha gostado e ela respondeu: "Sim. Quando é que me vais ver?" Telefonei-lhe depois de o filme ter ido ao Festival de Cannes e ela pediu-me um DVD. Mandei-lho, e desde então vê-o todos os dias. Quando lhe ligo e pergunto: "O que é que fizeste hoje?", responde: "Vi o nosso filme." E tem razão, é mesmo o nosso filme.
"A minha irmã foi destruída"
http://dn.sapo.pt/2007/10/23/artes/a_minha_irma_destruida.html
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 6.11.07
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