Sexta-feira, Janeiro 12, 2007
Bahia é pioneira na oferta de serviços a pacientes especiais
| Diário Oficial | Bahia, 12/1/2007 |
A proposta apresentada por Wagner e Jorge Solla agradou a dirigentes de instituições como Ângela Vidigal, da Evolução, e Argemiro Garcia Filho, da Afaga
Programa deve beneficiar portadores de autismo, síndromes de Down e de Rett, paralisia cerebral e outros distúrbios
A Bahia caminha para se tornar pioneira na oferta de serviços especializados de saúde, educação e assistência social para pessoas com deficiência mental e transtorno de comportamento. O governador Jaques Wagner e o secretário da Saúde, Jorge Solla, se reuniram, na quarta-feira, com representantes de associações de apoio a esses pacientes para discutir a elaboração de um programa de assistência aos portadores de autismo, Síndrome de Down, Síndrome de Rett, paralisia cerebral, entre outros distúrbios de comportamento.
"No âmbito da saúde, apresentamos a proposta de um programa de organização da rede para preparar o serviço de atenção básica, atenção psicossocial, reabilitação física, urgência e emergência para atender a esses pacientes", disse Solla. Após a discussão dos aspectos relativos à assistência à saúde, representantes das associações e do Estado vão desenvolver as ações de educação e promoção da assistência social.
O programa atenderá aos pleitos contidos no projeto de lei dos autistas vetado pelo governador, ampliando os benefícios para outros portadores de necessidades especiais e revendo pontos dissonantes. A reunião contou com a presença de dirigentes da Associação de Amigos dos Autistas (AMA), da Associação de Familiares e Amigos de Gente Autista (Afaga), do Instituto Pestalozzi e da Associação de Pais e Crianças com Distúrbios de Comportamento (Evolução).
"É uma vitória não só para os autistas, mas para todos os portadores de distúrbios de comportamento. A Bahia será o estado pioneiro na prestação de um serviço de saúde e educação especializado", afirmou a diretora da Evolução, Ângela Vidigal.
Estruturação. A iniciativa prevê a capacitação dos recursos humanos, a estruturação da base de dados cadastrais para facilitar o planejamento e um conjunto amplo de ações que inclui a promoção de campanhas de conscientização. O programa será estabelecido por meio de um decreto que, entre outras iniciativas, garante o estabelecimento do atendimento de urgência e emergência no Hospital Martagão Gesteira.
"Esse decreto adianta na Bahia alguns aspectos que já vinham sendo discutidos pelo governo federal. Trouxemos algumas aspirações que estão sendo levantadas pelo governo federal para discutir com as associações que trazem para nós suas experiências e anseios", afirmou o secretário.
"Esse programa vem unificar as várias necessidades e o mais importante é que é direcionado não só para os autistas como para pacientes de outras necessidades. O estado será pioneiro no atendimento desses pacientes dentro dos centros de atenção psicossocial (CAPs)", disse o coordenador da Afaga, Argemiro Garcia Filho.
"O que vamos fazer é adequar os serviços de saúde já existentes e capacitar profissionais para esse tipo de atendimento. Não há a necessidade de uma lei, porque a questão já está abarcada pela Constituição", afirmou Solla.
Inconstitucionalidade levou ao veto
O projeto de lei que garante atenção especial aos autistas, de autoria do deputado Padre Joel, foi aprovado pela Assembléia Legislativa na primeira quinzena de dezembro do ano passado e aguardava a decisão do governador. O texto obrigava o Estado a disponibilizar atendimento especializado em saúde e educação para os autistas, criava despesas não previstas no orçamento estadual e feria a Constituição.
Essas foram as principais motivações do veto de Wagner, publicado neste Diário Oficial no dia 5 deste mês. A lei iria obrigar o Estado a manter unidades de saúde específicas para o atendimento a autistas, quando, de acordo com a Constituição, o sistema de saúde é universal e prevê uma série de ações voltadas para pacientes especiais.
Na ocasião, o secretário explicou que o projeto foi vetado por diversas razões. A primeira delas se referia à inconstitucionalidade da lei, uma vez que o projeto gera despesas que não cabem ao Legislativo definir, sendo isso atribuição do Executivo. Além de instituir unidades exclusivas de atendimento à saúde e educação, obrigava o Estado a construir casas-lar para os pacientes carentes e custear o transporte coletivo ou individual.
Bahia é pioneira na oferta de serviços a pacientes especiais
http://www.egba.ba.gov.br/diario/_DODia/DO_frm0.html
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 12.1.07
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Quinta-feira, Janeiro 11, 2007
Sesab propõe programa de assistência aos autistas
| LUISA TORREÃO | 11/01/2007 |
Uma minuta de decreto que propõe um programa estadual de assistência integrada aos autistas e demais portadores de necessidades especiais. Esta é a idéia que resultou da reunião, realizada na noite de ontem, entre os representantes da comissão que reúne cinco entidades de pais e amigos de autistas e o secretário de Saúde do Estado, Jorge Solla.
A idéia do encontro foi abrir um primeiro diálogo sobre o impasse criado em torno do veto imposto pelo governador ao projeto de lei, considerado inconstitucional, que beneficiaria os portadores da deficiência. Ainda na noite de ontem, Solla partiu da secretaria, acompanhado por alguns dos representantes das entidades, para discutir a proposta com o governador Jaques Wagner.
"Quando a sociedade se organiza, ela conquista o que quer", acredita Angélica Menezes, mãe de um autista e integrante da comissão.
Segundo ela, só na Bahia, somam-se 70 mil autistas, dos 1,5 milhão que estão espalhados pelo Brasil, "escondidos em casa, sem acesso à educação e à saúde".
Entre as reivindicações do grupo, que devem ser atendidas, estão as solicitações de treinamento de pessoal, medicação específica, segurança e promoção social.
Uma segunda etapa visa uma interlocução com a Secretaria de Educação do Estado.
O programa estadual de assistência aos portadores de necessidades especiais, proposto por Solla, não planeja construir novos centros de atendimento exclusivo, mas capacitar profissionais em relação às estruturas já existentes.
"Precisamos evoluir no sentido de ajustar as necessidades e aperfeiçoar os serviços", explicou o secretário.
A Tarde - conteúdo exclusivo para assinantes
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 11.1.07
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Cidade das Ilhas Canárias terá atendimento gratuito para autistas
O sudeste empreende o primeiro plano de detecção das Canárias
| Noelia Rochas | Ingenio (Gran Canaria) | Canarias 7 | Ilhas Canárias, Espanha, 11/01/2007 |
150 moradores de Ingenio sofrem de algum transtorno relacionado ao autismo. Este é um dos resultados do primeiro estudo sobre a incidência desta patología nas Canarias. Mas a Prefeitura quer ir além, e planeja criar o primeiro serviço gratuito de asistência para autistas. O Sudeste é pioneiro neste campo, já que o Centro de Saúde de Vecindario iniciou um programa de detecção que se implantará no resto da comarca.
Apenas 0,61% das crianças ingenienses com idade entre dois e cinco anos padecem de algum tipo de transtorno do espectro autista. Não é uma cifra relevante. Sào somente cerca de 28 crianças, de uma população de 1.046. A novidade é que estes dados procedem do primeiro estudo estatístico real feito no Arquipélago sobre esta patologia. A partir desta realidade, que foi apresentada ontem a todos os diretores de colégios e escolas infantis da cidade, pela psicóloga Sol Fortea, responsável pelo estudo, a Prefeitura planeja ir além. O prefeito, Domingo González, já anunciou a criação de uma sala especial de estimulação no centro municipal para deficientes. «O objetivo», explica ele, «é oferecer um serviço público e gratuito aos pais afetados». Até agora, não há nenhum centro municipal com estas características. Na mesma linha se define o primeiro programa canário de detecção do autismo que se pôs em marcha de forma experimental no Centro de Saúde de Vecindario, um dos mais populosos. A iniciativa, que logo se estenderá a toda a comarca, se baseia en questionarios preenchidos pelos pais, nas consultas de Pediatria.
La villa de Ingenio será la primera en dar ayuda gratuita a los autistas
El sureste emprende el primer plan de detección de canarias
150 vecinos de Ingenio sufren algún tipo de trastorno relacionado con el autismo. Es uno de los resultados del primer estudio sobre la incidencia de esta patología de Canarias. Pero el Ayuntamiento quiere ir más allá, y plantea crear el primer servicio gratuito de asistencia para autistas. El Sureste es pionero en este campo, ya que el Centro de Salud de Vecindario ha iniciado un programa de detección que pronto se implantará en el resto de la comarca.
Sólo el 0,61% de los niños ingenienses con edades comprendidas entre los dos y los cinco años padecen algún tipo de trastorno del espectro autista. No es una cifra relevante. Son sólo alrededor de 28 niños, de una población de 1.046. Lo novedoso es que estos datos proceden del primer estudio estadístico real que se hace en el Archipiélago sobre esta patología. Apartir de esta realidad, que ayer fue presentada a todos los directores de colegios y escuelas infantiles de la villa, por parte de la psicóloga Sol Fortea, responsable del estudio, el Ayuntamiento se plantea ir más allá. El alcalde, Domingo González, ya ha anunciado la creación de un aula especial de estimulación en el centro de discapacidad municipal. «El objetivo», explica el primer edil, «es dar un servicio público y gratuito a los padres afectados». Y es que hasta ahora no existe ningún centro municipal de estas características. En la misma línea se enmarca el primer programa canario de detección del autismo que se ha puesto en marcha de forma experimental en el Centro de Salud de Vecindario, uno de los más populosos. La iniciativa, que pronto se extenderá a toda la comarca, se basa en cuestionarios rellenados por los padres en las consultas de Pediatría.
La villa de Ingenio será la primera en dar ayuda gratuita a los autistas
http://www.canarias7.es/articulo.cfm?Id=44148
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Terça-feira, Janeiro 09, 2007
Menino perdido em SP diz que é de Jundiaí
| Ariadne Gattolini | Jornal de Itupeva online | 09/01/2007 |

Uma criança de aproximadamente 6 anos foi recolhida no centro de São Paulo e enviada para o Casa (Centro de Referência à Criança e Adolescente). Com deficiência mental, o menino diz que se chama Douglas e soube somente dizer o CEP de sua rua - que seria a Petronilha Antunes, em Jundiaí.
Com dificuldade para falar, Douglas afirmou que mora perto de um supermercado e que o pai se chama Marcelo e a mãe, Cida. O menino está bem vestido, bem penteado e a coordenadora do Casa-SP, Márcia Felipe, afirmou que ele não é um morador de rua. ¿Ele sabe mexer em computador, se articula muito bem, o que demonstra que é de família diferenciada¿.
Douglas foi recolhido na sexta-feira à tarde e, desde então, o Casa vem tentando obter informações sobre a família em Jundiaí. Márcia acredita que Douglas tenha autismo - o que dificulta seu relacionameno com outras pessoas.
O Centro atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e pessoal.
A Apae de Jundiaí informou que não tem nenhum atendido com essas características. As demais entidades de atendimento à deficiência mental estão em férias e não atenderam a reportagem ontem.
A Semis (Secretaria Municipal de Integração Social) foi informada sobre o caso e a polícia não tem nenhum boletim de ocorrência registrando desaparecimento. Nenhum seqüestro foi comunicado nos últimos dias. Quem tiver informações sobre a família de Douglas deverá ligar para o Casa-SP, pelo telefone (11) 3333-5595.
Menino perdido em SP diz que é de Jundiaí
http://www.jornaldeitupeva.com.br/noticia_reg.php?id=070109015821
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Apoio a deficientes: DREN denuncia «máfias organizadas»
| Diário Digital/LUSA | 9/1/2007 |
A directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, disse hoje que há «máfias organizadas» a viverem à custa de crianças dadas como deficientes, mas que efectivamente só têm necessidades educativas especiais.
A alguns gabinetes [
de apoio a crianças com necessidades educativas especiais] que alegadamente «metem no mesmo saco crianças com necessidades especiais e crianças deficientes, chamei-lhe máfias organizadas, e continuo a dizê-lo», afirmou a directora regional.
Margarida Moreira falava aos jornalistas após ouvir queixas dos pais de cerca de 80 crianças de Aveiro-Norte sobre atrasos da DREN na validação de apoios aos seus filhos, dados como tendo necessidades educativas especiais e, por isso, apoiados pelo Centro de Desenvolvimento Psicomotor de Oliveira de Azeméis.
Referindo-se a este caso específico, Margarida Moreira anunciou que vai investigar a actividade deste gabinete, considerando exagerado que tenha a seu cargo 80 crianças realmente deficientes.
«Nesse caso teríamos um problema de saúde pública em Oliveira de Azeméis», frisou.
Ainda assim, a directora regional salvaguardou que, neste momento, «seria tão ousado tirar uma conclusão ousada como assinar de cruz os processos», para apoios da Segurança Social aquele gabinete.
«Mas vou investigar», insistiu.
Para um gabinete de apoio beneficiar de subsídios da Segurança Social é preciso, segundo a responsável, que a criança assistida preencha três condições: a deficiência, validada pelos serviços da Segurança Social, falta de meios financeiros da sua família e inexistência das respostas exigíveis por parte das estruturas estatais da zona.
«Verificámos que, de uma forma imoral, alguns gabinetes, em número muito elevado, aproveitavam-se da insegurança dos pais e preenchiam os documentos de candidatura a apoios, declarando deficientes miúdos que não o eram. Os pais limitavam-se a assinar», afirmou.
No ano passado a DREN recebeu mais de 4.000 candidaturas deste tipo, mas só deu «luz verde» à Segurança Social para apoiar metade, acrescentou a directora regional.
Segundo Margarida Moreira, nenhuma criança que carece de terapias especiais vai deixar de as ter e os gabinetes que desenvolvam essa tarefa, em casos de comprovada necessidade, têm a garantia de que serão comparticipados.
Os casos específicos da zona de Oliveira de Azeméis, que disse não serem 80, mas cujo número não precisou, serão despachados «muito em breve», garantiu.
Antes destas declarações da responsável da DREN, o porta-voz dos pais das cerca de 80 crianças de Oliveira de Azeméis, Pedro Brás, disse não compreender as razões da demora, por parte da DREN, na ratificação das candidaturas a apoios da Segurança Social.
Em causa estão, alegadamente, crianças dos 03 aos 16 anos com síndrome de Down, autismo, atraso mental, hiperactividade ou graves dificuldades de aprendizagem, apoiadas pelo Centro de Desenvolvimento Psicomotor de Oliveira de Azeméis.
A falta dos apoios levou alguns terapeutas a abdicarem dos pagamentos a que têm direito.
«Mas eles não podem aguentar esta situação por mais tempo», disse o porta-voz do grupo de pais.
Pedro Brás acrescentou que, noutros casos, são os próprios pais que estão a suportar os custos das terapias, o que, segundo disse, lhes causa graves problemas financeiros.
Há consultas que custam 40 a 45 euros e que têm de ser feitas com uma periodicidade bissemanal ou mesmo diária, disse.
Os apoios variam em função dos rendimentos dos agregados familiares. Em anos anteriores, estes pais de Aveiro-Norte receberam ajudas entre 270 e 350 euros mensais.
Apoio a deficientes: DREN denuncia «máfias organizadas»
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=61&id_news=257504
EDUCAÇÃO ESPECIAL
Pais contestam atraso no pagamento de subsídios
Duas dezenas de pais de crianças com necessidades educativas especiais manifestam-se, em Oliveira de Azeméis, contra o atraso no pagamento de subsídios. A DREN tem 80 processos pendentes de pessoas que há meses não recebem ajudas financeiras.
| TSF Online | 9/1/2007 |
Cerca de 20 pais de crianças com necessidades educativas especiais manifestam-se, esta terça-feira, junto à Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), no Porto, contra o atraso no pagamento de subsídios ao ensino especial.
Os pais de crianças, oriundos de Oliveira de Azeméis e S. João da Madeira, no norte do distrito de Aveiro, exigem «celeridade de processos» desde a inscrição ao pagamento dos respectivos subsídios, já que consideram que «os processos são «demasiadamente burocráticos».
No início do ano lectivo, estes pais apresentaram na DREN os pedidos de apoio da Segurança Social, mas ainda não obtiveram qualquer resposta.
Os filhos, portadores de várias deficiências como Síndrome de Down, Autismo e graves problemas de aprendizagem, necessitam de cuidados especiais, nomeadamente clínicos.
Os encarregados de educação querem agora ser recebidos pela Directora Regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, para lhe solicitar que desbloqueie os subsídios para que as terapias dos filhos não sejam interrompidas por falta de verbas.
Pedro Brás, um dos pais, afirmou, em declarações à TSF, que «o centro de Oliveira de Azeméis também não consegue suportar a despesa» de ensino especial e que muitos dos pais não têm possibilidades porque as consultas são «caras» e muitos dos encarregados de educação ainda têm de somar despesas de deslocação.
Actualmente, a DREN tem pendentes 80 processos de pessoas que há meses não recebem os subsídios ao ensino especial.
Pais contestam atraso no pagamento de subsídios
http://tsf.sapo.pt/online/vida/interior.asp?id_artigo=TSF176705
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 9.1.07
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BAHIA Luta pelos autistas continua
| CRISTINA DE MORAES | A Tarde | 9/1/2007 |
Entidades formadas por pais e amigos de pessoas autistas solicitaram ao governador Jaques Wagner a revisão do veto à lei que beneficiaria os portadores de autismo no Estado, em documento encaminhado ontem ao gabinete do governador.
O documento foi redigido na manhã de ontem por representantes das entidades Ama Associação de Amigos dos Autistas, Instituto Pestallozi e Afaga Associação dos Familiares e Amigos de Gente Autista e considera
"legítima e constitucional a lei que obriga o Estado a prestar assistência integrada de saúde e educação aos autistas na Bahia".
"Mostramos a realidade do autista em Salvador e esperamos que o governador reveja o veto e reverta essa situação de abandono a que estão delegados os autistas no Estado", explica Rita Valéria Brasil, presidente da Ama.
"Somos muito maltratados na rede pública de saúde e também nas escolas, tanto regulares quanto especiais. Queremos a aprovação da lei na íntegra".
Os planos de saúde não cobrem despesas com autistas e tratamentos particulares geralmente têm custo elevado.
AVANÇOS - Pioneiro e também parâmetro para projetos que tramitam no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, o projeto de lei previa avanços no acesso de autistas ao ensino regular, medicamentos de alto custo, serviços públicos de saúde e utilização de transporte gratuito.
Foi integralmente vetado pelo governador, por duas razões, como explicou em entrevista a A TARDE na última sexta-feira, o secretário de Saúde, Jorge Solla, indicado por Wagner para falar sobre o veto com os jornalistas.
A primeira seria a inconstitucionalidade do projeto, por gerar despesas dos cofres estaduais. A segunda, a incompatibilidade técnica com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), pela criação de duas unidades de saúde exclusivas para autistas.
Procurado ontem pela reportagem para comentar o documento, o secretário de Saúde, através da assessoria de imprensa da secretaria, disse ainda não ter tomado conhecimento do conteúdo, mas que está disposto a discutir o assunto com as famílias de autistas.
APROVAÇÃO - No último dia 12 de dezembro, a lei foi aprovada por unanimidade na Assembléia Legislativa, resultado da pressão de associações de pais e amigos e da articulação política do ex-deputado e autor do projeto de lei, Joel Valentim da Silva (PPS), conhecido como Padre Joel.
No documento encaminhado ao governador, representantes das entidades responsáveis pela redação afirmam que o projeto da lei foi discutido em audiência pública com a participação de diversos segmentos da sociedade. Entre elas estão a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia, universidades, secretarias de educação e saúde, entidades de portadores de necessidades especiais e também o Ministério Público.
A Tarde - exclusivo para assinantes
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 9.1.07
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SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
| L.S/M.Tb.909-Ba | 5 de janeiro de 2007 | SECRETÁRIO DA SAÚDE FALA SOBRE VETO AO PROJETO DE LEI DOS AUTISTAS
Foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) de hoje (5), veto do governador Jaques Wagner ao projeto de lei que determina a obrigatoriedade do estado disponibilizar tratamento especializado, educação e assistência específicas aos autistas. O secretário da Saúde do Estado, Jorge Solla explicou que o projeto foi vetado por diversas razões. A primeira delas é a inconstitucionalidade da lei, uma vez que o projeto gera despesas que não cabem ao poder legislativo definir, sendo isso atribuição do executivo.
Outro ponto identificado pelo secretário trata da criação de serviços exclusivos para os pacientes autistas. Segundo ele, esse tipo de atendimento não pode ser definido desse modo. "O que devemos fazer é adequar os serviços de saúde já existentes e capacitar profissionais para esse tipo de atendimento", afirmou.
O Sistema Único de Saúde (SUS) já prevê uma série de ações voltadas para pacientes especiais. Jorge Solla acrescentou ainda que, nos próximos dias, vai entrar em contato com a Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa para discutir o conteúdo do projeto e encontrar soluções cabíveis dentro do sistema de saúde.
O projeto de lei que garante atenção especial aos autistas, de autoria do deputado Padre Joel, foi aprovado pela Assembléia Legislativa do Estado na primeira quinzena de dezembro do ano passado.
SECRETÁRIO DA SAÚDE FALA SOBRE VETO AO PROJETO DE LEI DOS AUTISTAS
http://www.saude.ba.gov.br/noticias/noticia.asp?NOTICIA=1871
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Sábado, Janeiro 06, 2007
Wagner veta lei pró-autistas
| Katherine Funke | A Tarde On Line | 05/01/2007 |
O governador Jaques Wagner vetou integralmente a lei que beneficiaria os autistas da Bahia, considerada pioneira em todo o Brasil. O veto decepcionou pais e amigos de pessoas com autismo, que haviam comemorado a aprovação da lei pela Assembléia Legislativa, em 12 de dezembro. Para eles, a lei seria um avanço no acesso de autistas a ensino regular, medicamentos de alto custo, serviços públicos de saúde e transporte gratuito.
Agora, o projeto volta à Assembléia Legislativa, que tem prazo de um mês caso pretenda derrubar o veto do Executivo. Se ocorrer votação nesse sentido, a lei passa a valer.
O secretário de saúde, Jorge Solla, indicado por Wagner para explicar o motivo do veto aos jornalistas, diz que há duas razões para o veto: a inconstitucionalidade do projeto e a incompatibilidade técnica com princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).
O projeto seria inconstitucional porque geraria despesas dos cofres estaduais. "Temos um parecer da procuradoria que explica que uma proposição dessa natureza só pode ser feita pelo Executivo, nunca pelo Legislativo", afirma Solla.
Wagner veta lei pró-autistas
http://www3.atarde.com.br/politica/interna.jsp?xsl=noticia.xsl&xml=NOTICIA/2007/01/05/1044451.xml
Governador veta lei que beneficiaria autistas na Bahia e desagrada pais
| KATHERINE FUNKE | A Tarde | 6/1/2007 |
O governador Jaques Wagner vetou integralmente a lei que beneficiaria os autistas da Bahia, considerada pioneira em todo o Brasil. O veto decepcionou pais e amigos de pessoas com autismo, que haviam comemorado a aprovação da lei pela Assembléia Legislativa, em 12 de dezembro. Para eles, a lei seria um avanço no acesso de autistas a ensino regular, medicamentos de alto custo, serviços públicos de saúde e transporte gratuito.
Agora, o projeto volta à Assembléia Legislativa, que tem prazo de um mês caso pretenda derrubar o veto do Executivo. Se ocorrer votação nesse sentido, a lei passa a valer.
O secretário de saúde, Jorge Solla, indicado por Wagner para explicar o motivo do veto aos jornalistas, diz que há duas razões para o veto: a inconstitucionalidade do projeto e a incompatibilidade técnica com princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).
O projeto seria inconstitucional porque geraria despesas dos cofres estaduais.
"Temos um parecer da procuradoria que explica que uma proposição dessa natureza só pode ser feita pelo Executivo, nunca pelo Legislativo", afirma Solla.
Do ponto de vista técnico, a lei criaria duas unidades de saúde exclusivas para autistas.
"Seria um sistema de saúde autista", diz o secretário,
"e não concordamos que esses serviços sejam segregados".
Solla afirma que o governo pretende pretende garantir atendimento especializado descentralizado, em todas as unidades do SUS, além de capacitar servidores dos Centros de Apoio Psicossocial (Caps) para atender autistas.
O secretário adianta que não há previsão para que Wagner reapresente o projeto, reformulado.
"Ao contrário, a maior parte das questões não precisa ser prevista em lei", explica. Segundo ele, o governo está aberto para receber famílias de autistas e conversar sobre o assunto.
HISTÓRICO O projeto de lei foi aprovado por unanimidade pela Assembléia Legislativa em 12 de dezembro. O consenso entre os parlamentares foi resultado de intensa pressão de associações de pais e amigos e da articulação política feita pelo ex-deputado Joel Valentim da Silva (PPS), mais conhecido por Padre Joel.
O trabalho de convencimento dos parlamentares baianos também teria incluído o governador eleito, segundo padre Joel, o autor do projeto.
"O veto é um lapso do governador eleito, porque a lei está muito bem fundamentada. Contamos com ajuda de promotores públicos em sua elaboração e garantimos que a implantação não oneraria o Estado", diz.
O ex-parlamentar continua tentando implantar a lei, por meio de articulações com os atuais deputados estaduais.
O presidente da Assembléia, Clóvis Ferraz (PFL), foi procurado ontem à tarde para falar sobre o assunto, mas sua assessoria informou que ele está no interior do Estado, sem aparelho de telefone celular ou fixo, até segunda-feira.
FRUSTRAÇÃO O autista João Pedro, de 10 anos, apertou os números 1, 3 e a tecla "confirma", ajudando a eleger Wagner e Lula.
"Nós estávamos inclusive na posse do governador", conta a mãe, a funcionária pública Káthia Maria da Silva Bastos, 42 anos.
Lamentando o veto, ela espera que Wagner estude uma forma de garantir os direitos dos autistas.
Seu filho estuda em colégio regular, está na segunda série, mas Káthia sente falta de um tratamento mais especializado.
A presidente da Associação de Pais e Amigos de Crianças e Adolescentes com Distúrbios de Comportamento (Inesp), Ângela Vidigal, também espera que o governo do Estado encontre uma solução para melhorar a qualidade de vida dos autistas, especialmente os de baixa renda.
"Acredito que Wagner não deve ter dito simplesmente não à causa", avaliou.
Jornal A Tarde (necessário ser assinante)
Jaques Wagner veta projeto que garante benefícios a autistas
| ibahia.com | 04/01/2007 - 23h58m |
O governador Jaques Wagner vetou um projeto de lei aprovado pela Assembléia Legislativa que obrigava o Estado a dar assistência educacional e de saúde a portadores de autismo de qualquer idade.
O autismo é uma síndrome de comportamento. Os portadores da doença vivem em um mundo só deles, não desenvolvem relações sociais normais, se comportam de modo compulsivo. O autismo atinge cerca de vinte entre cada dez mil bebês que nascem no mundo e é mais comum no sexo masculino.
Aubert é autista. Aos dezoito anos, ele não fala, só dorme duas horas por dia e é muito agressivo. Para controlar todos esses problemas, Aubert vive sob efeitos de medicamentos. A mãe, dona Josenilma Santos, se preocupa com o tratamento do filho que custa mais de mil reais por mês. 'Vai ter um dia que os medicamentos não vão mais fazer efeito. A última medida é cortar o mal pela raiz, que seria fazer a cirurgia do comportamento. O problema é que eu não tenho o dinheiro necessário para fazê-la', afirmou Josenilma.
O tratamento para os portadores de autismo depende de psicólogos, pedagogos e outros profissionais, que devem trabalhar em conjunto. Os resultados são lentos e nem sempre a melhora é grande. 'A criança autista não tem interação social e afetividade. Ela possui um mundo que é só dela. Muitas vezes, não consegue diferenciar uma pessoa de um objeto', explicou a psicóloga Gigliela Giacomini.
Para ajudar familiares e profissionais que tratam de autistas, em dezembro de 2006, a Assembléia Legislativa da Bahia aprovou, por unanimidade, um projeto de lei que obrigava o Estado a implantar nas maiores cidades baianas programas de assistência médica e educacional a crianças e adultos portadores de autismo. O texto, um dos dos primeiros a parar na mesa do governador Jaques Wagner, foi vetado.
O veto saiu publicado hoje no Diário Oficial do Estado. A alegação é de falta de recursos para implantar o projeto. O secretário de Saúde disse que a lei é inconstitucional e gera despesas para o Estado que não estão no orçamento.
*Com informações do BATV -
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Jaques Wagner veta projeto que garante benefícios a autistas
http://ibahia.com/plantao/noticia/default.asp?id_noticia=135054&modulo=151
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Filha de Burt Bacharach e Angie Dickinson comete suicídio
| Agência EFE | via A Tarde Online - Últimas Notícias | 5/1/2006 |
A filha do músico Burt Bacharach e da atriz Angie Dickinson, Nikki Bacharach, de 40 anos, se matou na quinta-feira na sua casa, em Los Angeles, confirmou hoje uma porta-voz da família.
Nikki Bacharach morreu "de forma pacífica e tranqüila", informou a porta-voz, em comunicado atribuído aos pais. A nota não deu mais detalhes, a não ser ressaltar que foi um suicídio.
"Ela se matou de forma pacífica e tranqüila para escapar dos estragos em seu cérebro causados pela síndrome de Asperger", acrescentou o comunicado.
A única filha do cantor e da atriz foi diagnosticada com a síndrome de Asperger desde seu nascimento prematuro. A sua luta diária contra a doença, uma forma de autismo, inspirou a canção "Nikki", composta pelo seu pai.
A canção ressaltava a grande sensibilidade de Nikki, apesar de suas rotinas obsessivas.
Bacharach, de 78 anos, é recordado principalmente pelo tema de amor do filme "Butch Cassidy e Sundance Kid". Sua ex-mulher, de 75 anos, teve uma bem-sucedida carreira no cinema. Os dois se divorciaram em 1980.
Filha de Burt Bacharach e Angie Dickinson comete suicídio
http://www3.atarde.com.br/mundo/interna.jsp?xsl=noticia.xsl&xml=NOTICIA/2007/01/05/1044475.xml
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Terça-feira, Janeiro 02, 2007
Os alunos mais especiais à espera de um apoio
| Diário de Notícias | 10/12/2006 |
São dois, ambos autistas. Assistem às aulas da turma do 6.º ano que frequentam, mas acabam muitas vezes por não chegar ao fim da lição. Um "é mais sossegado", o outro "faz mais ruídos". Enquanto o primeiro fica quieto a um canto sem actividades, o segundo é frequentemente levado por uma auxiliar educativa para longe da sala. Os colegas - com 10, 11, 12 anos - estranham. Não percebem porque é que "a professora nem lhes dá uns desenhos para fazer, como no ano passado".
Os exemplos multiplicam-se. Entre alunos autistas, surdos, com trissomia 21 ou invisuais, os sindicatos garantem que há 2322 estudantes com necessidades educativas especiais (NEE) abandonados nas escolas sem apoio especializado.
O Ministério da Educação desmente "categoricamente" os números e diz que está a "atender caso a caso" os poucos que existem. O DN foi ouvir as escolas e os pais. Das escolas obteve muitos silêncios. Junto das associações de pais soube que, com a Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais (Ferlap) à cabeça, está já a ser criado um grupo de trabalho para avaliar a situação.
"As escolas não estavam preparadas para isto", atira o presidente do conselho executivo do agrupamento de escolas de Sátão, Eduardo Ferreira. "Isto" é a criação de um grupo específico de docência para a Educação Especial nos concursos de colocação de professores. É a razão do caos, para a Federação Nacional de Professores (Fenprof), que esta semana se envolveu numa troca de acusações com o ministério, quando divulgou um levantamento de dados que fez junto de 46% dos estabelecimentos de ensino do País e que a tutela afirmou ter sido falseado.
Segundo a Fenprof, "faltam nas escolas centenas de docentes de Educação Especial e do Apoio Educativo e há milhares de alunos com necessidades educativas especiais sem apoio". Nas mesmas escolas "continuam a faltar os psicólogos e demais técnicos, e há poucos auxiliares de acção educativa, tantas vezes substituídos por tarefeiras."
Só que, em directo no Fórum TSF de terça-feira, o secretário de Estado da Educação Valter Lemos afirmou que "não é verdade que existam esses ou outros números porque todos os casos que eventualmente tenham sido detectados têm sido atendidos pelo ministério". A Fenprof insistiu e Valter Lemos também: "Considero bastante grave que prefira manter as crianças sem acompanhamento ao não informar o ministério e, em vez disso, faça estas acusações."
Vítor Gomes, responsável da Fenprof para o Ensino Especial, respondeu de imediato e com ironia: "Percebo que entre as secretarias de Estado parece não haver comunicação, já que estes números foram dados a conhecer ao secretário de Estado adjunto e da Educação Jorge Pedreira."
Quatro professores, 50 alunos
No meio do fogo cruzado, ficam as escolas. Contactadas pelo DN, poucas quiseram revelar como decorreu o primeiro período de aulas dos alunos com NEE. Houve, na- turalmente, excepções. Fernando Horta, presidente do conselho executivo do agrupamento de escolas de Seia, admite ao DN as dificuldades que tem sentido. "Temos três alunos que precisam de terapeuta da fala e não existe aqui nenhum. Mas o maior problema é a falta de um psicólogo, porque esta zona é muito deprimida." E acrescenta: "A Direcção Regional de Educação do Centro requisitou-o para a Segurança Social de Leiria e criou-nos um problema grave. Até já escrevemos à ministra, mas não obtivemos resposta."
Fernando Horta confessa até que já se viu sem saída: "Às vezes aparecem outros casos graves que não podemos mesmo apoiar e que têm de ir para outras escolas." E já teve de encontrar soluções menos más, como a de ter "crianças com atrasos intelectuais e um desenvolvimento muito abaixo do normal a serem acompanhadas por docentes de apoio sem especialização". É que nas escolas de Seia, há quatro professores para cinquenta estudantes com NEE. O conselho executivo diz que "a escola faz o que pode", mas também diz que sabe que isso é pouco.
Apoio versus integração
Em Sátão, Eduardo Ferreira considera que foi a grande distinção entre a Educação Especial e os apoios educativos que criou a instabilidade que se vive nas escolas. "A maior parte das escolas tiveram dificuldade em saber que alunos estavam em cada um dos grupos", afirma. Para piorar o cenário, "neste agrupamento perdemos cinco professores de NEE de um ano para o outro". Mas não é só: "O facto de os professores terem os alunos espalhados pelo agrupamento faz com que seja mais difícil acompanhar todos."
Nestas escolas, "para colmatar as falhas, os alunos foram contactados para que se percebesse quais é que necessitavam mais de apoio". Depois, "os que não puderam ser enquadrados nas NEE foram para o apoio". Eduardo Ferreira garante, contudo, "que não há nenhum aluno que não esteja integrado". Isto, claro, "se podemos considerá-los integrados quando só têm o apoio".
A iniciativa dos pais
Com apenas alguns meses de presidência da associação de pais da Escola Secundária de Santa Maria, em Sintra, António Pedro Gomes da Silva já tem uma queixa para fazer: "A psicóloga que trabalhava na escola foi-se embora e nunca foi substituída, apesar dos alertas feitos." Na mesma tarde em que António Pedro participou no Fórum da TSF, no entanto, "o ME fez chegar à escola duas técnicas que pegaram nos processos dos alunos com NEE e foram às salas de aula ver que necessidades estavam em causa", conta.
Carlos Teixeira, da associação de pais do agrupamento de Castanheira, Vale do Carregado e Quintas, não tem "números globais", mas sabe de um caso preocupante. "Numa escola básica de Quintas havia dois irmãos com NEE. Uma está nas aulas, mas o outro - que sofre de uma paralisia - está em casa porque não temos professor para ele", diz. E desabafa: "Nem sei se a escola o poderá ajudar."
Convencido desde Janeiro que o ano lectivo dos alunos com NEE não seria fácil, Manuel Barata, representante do conselho executivo da Escola Delfim Santos, no Alto dos Moinhos, em Lisboa, é um dos responsáveis pela criação do grupo de trabalho que quer tomar posição sobre esta matéria junto do Ministério. "Neste momento, estamos a fazer o levantamento dos casos através das concelhias de Sintra, Loures e Vila Franca de Xira." Às escolas têm chegado cartas de pais preocupados e "sabe-se que as coisas não estão melhores do que no início do ano". Por isso, "e já que nenhum serviço está a fazer a avaliação do que se passa, os encarregados de educação vão intervir", garante.
Contactado pelo DN, o Ministério da Educação não quis prestar quaisquer esclarecimentos sobre esta matéria.
Os alunos mais especiais à espera de um apoio
http://dn.sapo.pt/2006/12/10/sociedade/os_alunos_mais_especiais_a_espera_um.html
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 2.1.07
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APAAG expõe artesanatos na Praça das Bandeiras
| Prefeitura Municipal do Guarujá | Assessoria de Imprensa | 19/12/2006 |
Iniciativa faz parte do Projeto Integração, desenvolvido pela Secretaria da Cultura de Guarujá
A Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Guarujá (APAAG) começa a expor, no primeiro fim de semana de janeiro, trabalhos de artesanato em cerâmica na Feira de Artes da Praça das Bandeiras, em Guarujá.
A iniciativa faz parte do Projeto Integração, criado pela Secretaria da Cultura com o objetivo de dar oportunidade aos portadores de necessidades especiais do Município de elevar a auto-estima, tendo seus trabalhos divulgados em um espaço público, de livre acesso à população, além de incentivar a geração de renda familiar.
Segundo a presidente da Associação, Silene Cavalcanti Silva Duo, as peças de cerâmica, que serão comercializadas, fazem parte do projeto A Cerâmica Delineando o Autista, criado há um ano e desenvolvido pelos adolescentes da unidade.
''Apesar de termos implantado há pouco mais de um ano, há apenas dois meses o trabalho é desenvolvido integralmente na nossa entidade, com uma oficina estruturada, pois só agora conseguimos verba para viabilizar totalmente o projeto'', disse Silene explicando que antes as peças eram finalizadas num forno industrial em Santos. O valor arrecadado com a venda das peças será revertido para a APAAG e para as famílias dos autistas.
De acordo com a Secretaria da Cultura, a intenção é viabilizar que outras entidades possam expor seus trabalhos no espaço. Já existem conversas com o Centro de Reabilitação da Paralisia Infantil e Cerebral (CRPI) e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Guarujá (APAE). A Feira de Artes funciona durante os fins de semanas e feriados prolongados, das 15 às 22 horas, na Praça das Bandeiras.
Associação - A APAAG atende hoje 50 autistas com idade entre três e 33 anos. A unidade disponibiliza atendimento psicológico, assistência à família, atendimento fonoaudiólogo, musicoterapia, oficina de artes, atividades culturais para os pais, atendimento de apoio pedagógico, além da oficina de cerâmica. O objetivo é acolher, assistir e promover a integração dos portadores de autismo da Cidade e seus familiares, nos âmbitos biopsicossocial e educativo.
Serviço - A Associação está precisando de ajuda para construir sua nova sede. A Prefeitura já doou o terreno e a entidade precisa arrecadar subsídios para erguer a nova unidade. Quem quiser ajudar a APAAG fazendo qualquer tipo de doação pode procurar a sede da entidade, que fica na Rua Álvaro Nunes da Silva, 110, no Jardim Conceiçãozinha, em Vicente de Carvalho. Doações em dinheiro podem ser feitas direto na conta da APAAG, no banco Banespa, agência 0174, conta corrente 13000879-0. Mais informações pelo telefone 3355-4717.
APAAG expõe artesanatos na Praça das Bandeiras
http://www.guaruja.sp.gov.br/noticia.asp?func=2&id=2995
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 2.1.07
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Viagem ao lugar onde nasceu "Cem Anos de Solidão"
| Juan Cruz | El País, em Aracataca, via Diario do Turismo | Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves | 29/12/2006 |
"Cem Anos de Solidão" completa 40 anos em junho de 2007; seu autor, Gabriel García Márquez, fará 80 em 6 de março. O romance continua assombrando o mundo. E sua chave está em Aracataca, uma cidade perdida no Caribe colombiano. Lá as crianças crescem lendo esse e outros livros do filho de telegrafista. Esta reportagem é uma incursão ao lugar onde "Gabo" e seu personagem, Aureliano Buendía, descobriram o gelo. Macondo em estado puro. Não é uma lenda. O romance foi se transformando num reflexo de Aracataca; ali, o lêem como se ainda estivesse sendo escrito, como se o fascínio do gelo ainda fosse uma recordação recente. Gabo não volta, dizem, porque teria que refazer seus passos.
Pelo Corredor das Begônias, em frente a onde estava a cama em que Gabriel José García Márquez nasceu às 8 e meia da manhã de 6 de março de 1927, circulava ao meio-dia de 6 de dezembro de 2006 um fantasma que afinal era uma mulher de carne e osso.
Estávamos olhando para a placa que lembra onde nasceu o autor de "Cem Anos de Solidão" quando essa mulher de olhos grandes e vazios entrou no corredor, sustentada pelo ar. Circulou com uma lentidão sobrenatural, continuou reinando no vazio quando passou ao nosso lado e escapou do lugar como se fosse levitando, para o pátio onde Gabo escutou as histórias das "Mil e Uma Noites".
Quando a mulher já era uma sombra e a inquietação que deixa um fantasma, perguntamos a Rubiela, a morena de filigrana que mostra a casa-museu de García Márquez:
- Você viu passar uma mulher de cabelo branco, como se não estivesse olhando?
- Sim. É Soledad Noches. Anda sempre assim.
A mulher ia de um lado para outro na casa em que nasceu Gabo I de Aracataca, e não era um fantasma.
Os que leram "Cem Anos de Solidão" terão visto perambular pelo livro mulheres assim, desde o momento em que García Márquez transforma a excursão de Aureliano Buendía para ver o gelo em um exercício de surrealismo mágico que logo os críticos e os leitores reconheceram com o sobrenome (literalmente exagerado) de realismo mágico.
Já dentro de Aracataca, todos nos indicaram o caminho do gelo como o que dá volta ao povoado, de seu esplendor a sua miséria e vice-versa. O gelo marca uma época em sua história, e Gabo o recolheu como um símbolo do deslumbramento.
O gelo (o lugar onde estava o gelo) fica a um tiro de pedra da casa, mas para chegar até ele Aureliano Buendía teve de cruzar caminhos esturricados pelo sol, tísicos, pobres e reais, pelos quais teve de atravessar o próprio García Márquez pela mão de seu avô até o lugar que então significava o porvir e agora é metáfora da crueldade com que a história fecha o porvir aos povos.
Junto ao lugar do gelo, que hoje é uma garagem desordenada, cheia de relógios desmontados, automóveis imprestáveis, móveis velhos, poltronas onde já não se sentarão nem os fantasmas, está aquele rio de pedras grandes e águas límpidas que havia nas proximidades de Macondo; isto é, de Aracataca.
Esvaziou-se de gelo, e de história, a fábrica de gelo, na qual teve participação o laborioso avô de Gabo, e se encheu de ficção, de fantasmas, muitos dos quais ainda circulam graças à escritura do filho do telegrafista; hoje vemos a velha fábrica fracassada como se na verdade fôssemos ali tocar o material precioso que em "Cem Anos de Solidão" tem a categoria do ouro e do fogo, e que de fato queima quando tocado; hoje esse detrito em que o deixaram a United Fruit Company e o tempo é um símbolo para os que o visitam e um pesadelo para os que o vivem. Uma mulher com rolos no cabelo (Esther Aaron, 58 anos), que mora na casa vizinha, de madeira, mas não de cana brava, mostra as rachaduras de sua casa em conseqüência da negligência das autoridades; deixaram que o trem e a poeira de séculos entrem aos montes na casa e fizeram dela a ante-sala de um cemitério.
Os caminhos que foram de Macondo nos anos de esplendor de Aracataca, quando todo mundo vinha aqui e as nacionalidades se contavam às dezenas, continuam sendo do pó da intimidade da terra do Caribe, e as pessoas continuam olhando para o horizonte como olhava Aureliano Buendía no romance mais famoso dos séculos recentes. O lemos como se ocorresse em outro mundo, e aqui o tocamos; existiu; seus nomes próprios, dizia Gabo, são os do catálogo telefônico; isso também mudou. Uma garota que passou ao nosso lado nos disse: "Sou um personagem. Me chamo Amaranta". Mas hoje há mais Mileidis que Úrsulas, mais K-Cher que Aureliano. A lista telefônica é uma confusão que vem mais das séries americanas que das novelas de Gabo. Como em El Toboso não há Dulcinéias, aqui Remédios a Bela é somente um monumento.
Um momento: Cruz Marina, uma senhora que se sentou ao nosso lado, nos disse que não é gabófila (quer dizer, fanática por Gabo), mas logo seus olhos se iluminaram: tem um filho autista, e a enche de orgulho imaginar que quando Gabo descreve Remédios a Bela está na realidade enquadrando os traços de um autista, familiarizado com uma inteligência que os homens não sabem entender.
Quando o avô de Gabito chegou ali, Aracataca era um lugar esplendoroso, atravessado pela riqueza das grandes plantações de banana, capaz de atrair um comércio universal que foi o início das lendas que o menino começou a gravar. Sempre vinha algo de fora, e daí vem esse olhar extasiado, expectante, de Aureliano, e também é esse o olhar de Soledad Noches, buscando no nada o que houve no passado.
Quando saíamos da casa, o diretor desse museu, Rafael Darío Jiménez, apontou à frente e lá estava um homem de camiseta, inalando o ar como quem fumasse um puro, sentado em uma cadeira muito trabalhada e olhando também para o vazio leitoso daquele meio-dia de calor insuportável. Não lhe perguntamos aonde olhava, mas seu próprio nome, Nelson Noches, o irmão de Soledad, contava sua história. Nos falou das primeiras lembranças de Gabo e, como ocorre em "Cem Anos de Solidão", andou para a frente e para trás na história de modo que acreditamos simultaneamente que havia sido companheiro de brincadeiras de Gabito, que o havia visto pela primeira vez quando Don Premio - assim o chamam - veio a Aracataca por causa do Nobel e que nas noites anônimas em que regressa sem que ninguém saiba jogam cartas, tomam goles e ouvem música atravessados por um silêncio que parece o de Pedro Páramo.
A lenda diz que Gabo voltou muitas vezes depois do Nobel; a lenda negra diz que nunca voltou, e a lenda urbana, da urbanidade de Aracataca, o critica por nunca ter feito nada por sua terra. Um dia ele o desmentiu (como se fosse necessário) em uma dedicatória que fez exatamente a Jiménez: "Para Rafael Darío, do paisano que nunca fez nada por Aracataca, salvo este livro e outros mais".
E o desmentiu assim que ganhou o Nobel, com uma frase que parece uma inscrição e que está cravada com tachinhas em alguns lugares: "Está em meu caráter: nunca, em nenhuma circunstância, esqueci que na verdade da minha alma não sou ninguém mais nem serei ninguém mais que um dos dezesseis filhos do telegrafista de Aracataca".
Darío Arizmendi, que era um jornalista muito jovem quando Gabo ganhou o Nobel, em outubro de 1982, e que acompanhou a comitiva à recepção sueca em Estocolmo em dezembro desse ano, também fez no início de 1983, em pleno calor, a viagem de regresso de García Márquez a Aracataca. Havia 5 mil pessoas aumentando o censo cada vez mais esquálido desse povoado do interior do Caribe, e levaram Gabo erguido por todas as ruas e por todas as casas. Exceto sua própria casa, que já era de outro.
Arizmendi o viu ser importunado, abraçado, beijado e requisitado: dele queriam bolsas, dinheiro, viagens, prêmios, pediam-lhe que dividisse a loteria que havia ganhado. O recente prêmio Nobel viveu com o aturdimento que sua timidez convoca.
Quando Arizmendi, um dos jornalistas mais influentes e famosos da Colômbia, terminou de contar essa viagem de regresso, tão diferente da viagem de regresso que Gabo fez com sua mãe para vender a casa, disse:
- Então entendi por que Gabo não voltou a Aracataca.
Outros não o entendem; mas sim Rubiela, que cuida de sua casa-museu, ou Rafael, que a dirige:
- Uma lenda caribenha diz que quem refaz seus passos morre mais cedo, e Gabo é muito supersticioso. Nunca voltará.
A casa está cheia de recordações; algumas das jóias diminutas que seu avô fez, as fotos, recortes, as bengalas do avô; no quarto dos avós há um baú que pode ter sido, ou não, aquele do qual Gabo foi tirando recordações que estão em quase todos os seus livros.
Jiménez nos contou uma história que também já é lenda, como tudo o que toca García Márquez aqui: o avô veio para Aracataca fugindo de sua própria história, pois havia matado um homem; um dia Gabo encontrou-se, muitos anos mais tarde, com o neto daquele avô, sentou-se ao seu lado, soube da história, embebedou-se com ele e depois contou assim sua primeira impressão:
- Me caguei. Os dois descendentes daquele duelo, ali, frente a frente. Me caguei.
Quando juntamos embaixo da grande figueira do pátio as crianças que lêem, com Rafael Darío Jiménez e outros professores, os livros de García Márquez, era como se juntasse aquele passado vertiginoso da Aracataca rica com a Aracataca que hoje espera um milagre que a devolva a seus tempos de esplendor, quando chegou o gelo, "a grande invenção de nosso tempo".
Não é lenda que ali as borboletas, ou os temporais, sejam espetáculos magníficos e duradouros; estão, se vêem, se sofrem ou se desfrutam; quase tudo o que Gabo conta está próximo, pode-se tocar; um guia para encontrá-lo está escrito, e seria o resumo de livros que escreveram sobre "O Livro" Cobo Borda ou Conrado Zuloaga, que por acaso são os colombianos que mais sabem de Gabo e de "Cem Anos...".
Aura Ballesteros, professora em Cundinamarca, recebeu um dia o encargo de vir ensinar em Aracataca. "Li todos os livros de García Márquez! Não iam me pegar desprevenida em um lugar como este!" Ela os decorou. É a responsável por Gabolectura, em um instituto que se chama, como não, Instituto García Márquez, que recebe o nome curto e estranho de Indegama. "O Gabolectura tenta estimular a auto-estima dos 'cataqueros', para que saibam que esta literatura é daqui, que lhes pertence e que eles pertencem a esta terra."
De todos os depoimentos, um singular. Milena tem 15 anos, acaba de ganhar o concurso dos leitores de García Márquez; quer fazer comunicação, e está adiantada. Tudo o que há em "Cem Anos de Solidão" lhe parece realista; o que fica em sua memória de maneira mais brilhante: a fábula do gelo, as invenções trazidas para Macondo (o gelo, o ímã), a imagem de Remédios a Bela subindo ao céu entre lençóis... Mas o que realmente lhe parece simbólico de seu país no romance que leu é a morte de José Arcádio: "Essa morte impune como tantas mortes que houve em meu país, como a de José Eliécer Gaitán, como a de Jaime Garzón, como a de Luis Carlos Galán...".
Antes da fama e dos livros, em meio à miséria daqueles tempos, Gabo voltava a Aracataca para vender enciclopédias em uma terra de gente empobrecida... Ficava dias e dias, bebendo rum, percorrendo povoados, olhando para o vazio, como o coronel, como Nelson Noches, como Aureliano Buendía... Foi numa dessas viagens ao redor de Aracataca que encontrou Prudencio Aguilar, o neto do homem que seu avô havia matado... "Os dois netos do duelo, sentados no pátio, bebendo juntos, me caguei, claro que me caguei!"
Na saída de Macondo, isto é, Aracataca, a fábrica de gelo já está totalmente derretida; as borboletas amarelas aparecem sobrevoando o rio, mas as águas que as refletem são da mesma cor que suas asas...
Sempre o convidam a voltar. Ele não quer vir refazer seus próprios passos.
E quase todos os seus passos estão em Aracataca.
Viagem ao lugar onde nasceu "Cem Anos de Solidão"
http://www.diariodoturismo.com.br/secundaria/noticias.asp?notid=4487
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 2.1.07
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Gabo I de Aracataca
| JUAN CRUZ | El País | 17/12/2006 |
Por el Corredor de las Begonias, enfrente de donde estaba la cama en la que nació a las ocho y media de la mañana del 6 de marzo de 1927 Gabriel José García Márquez, circulaba a mediodía del 6 de diciembre de 2006 un fantasma que resultó ser una mujer de carne y hueso.
El hielo marca un hito en la historia de Aracataca y Gabo lo recogió como símbolo
La leyenda dice que Gabo ha vuelto muchas veces después del Nobel
La casa está llena de recuerdos; algunas de las joyas diminutas del abuelo, fotos, rectores...
A la salida de Macondo, es decir, Aracataca, la fábrica del hielo está derretida |
Estábamos mirando la señal que recordaba donde había nacido el autor de Cien años de soledad cuando esta mujer de ojos grandes y vacíos entró en el pasillo, agarrada del aire. Circuló con una lentitud sobrenatural, siguió reinando en el vacío cuando pasó a nuestro lado, y se escapó del sitio como si se fuera en volandas, hacia el patio en el que Gabo escuchó las historias de las Mil y una noches.
Cuando ya la mujer era una sombra y la inquietud que deja un fantasma, le preguntamos a Rubiela, la morena de filigrana que enseña la casa-museo de García Márquez:
-¿Usted ha visto pasar a una mujer de pelo blanco, como si no estuviera mirando?
-Sí. Es Soledad Noches. Siempre va así.
La mujer iba de un lado al otro de la casa en que nació Gabo I de Aracataca y no era un fantasma.
Los que hayan leído Cien años de soledad habrán visto deambular por el libro mujeres así, desde el mismo momento en que García Márquez convierte la excursión de Aureliano Buendía a mirar el hielo en un ejercicio de surrealismo mágico que luego los críticos, y los lectores, reconocieron con el sobrenombre (literalmente exagerado) de Realismo Mágico.
Ya dentro de Aracataca, todos nos señalaron ése del hielo como el camino que le da la vuelta al pueblo, de su esplendor a su miseria y viceversa. El hielo marca un hito en su historia y Gabo lo recogió como un símbolo del deslumbramiento.
El hielo (el sitio donde estaba el hielo) está a un tiro de piedra de la casa, pero para llegar hasta él, Aureliano Buendía debió cruzar caminos estrujados por el sol, tísicos, pobres y reales, por los que tuvo que atravesar el propio García Márquez de la mano de su abuelo hasta el lugar que entonces significaba el porvenir y ahora es metáfora de la crueldad con que la historia le cierra el porvenir a los pueblos.
Junto al lugar del hielo, que ahora es un garaje desvencijado, lleno de relojes desconchados, automóviles inservibles, muebles viejos, sillones donde ya no se sentarán ni los fantasmas, está aquel río de piedras grandes y de aguas límpidas que había a las afueras de Macondo; es decir, de Aracataca.
Se vació de hielo, y de historia, la fábrica del hielo, en la que tuvo intereses el laboriosísimo abuelo de Gabo, y se llenó de ficción, de fantasmas, muchos de los cuales circulan aún gracias a la escritura del hijo del telegrafista; ahora vemos la vieja fábrica fracasada como si en efecto fuéramos a tocar ahí el material precioso que en Cien años de soledad tiene la categoría del oro y del fuego, y que, en efecto, quema cuando se lo toca; ahora ese detritus en que lo dejaron la United Fruit Company y el tiempo es un símbolo para los que vamos y una pesadilla para los que la viven. Una mujer con rulos (Esther Aaron, de 58 años) que habita la casa contigua, de madera, pero no de caña brava, muestra los desconchados de su vivienda como consecuencia de las desidias de las autoridades; han dejado que el tren y la polvareda de siglos entren a saco en la casa y hayan hecho de ella la antesala de un cementerio.
Los caminos que fueron de Macondo en los años de esplendor de Aracataca, cuando aquí venía todo el mundo, y las nacionalidades se contaban por docenas, siguen siendo del polvo de la intimidad de la tierra del Caribe, y la gente sigue mirando al horizonte como miraba Aureliano Buendía en la novela más famosa de los siglos recientes. La leímos como si ocurriera en otro mundo, y aquí la tocamos; existió; sus nombres propios, decía Gabo, son los de la guía de teléfonos; eso varió también. Una chica que pasó por nuestro lado nos dijo: "Soy un personaje. Me llamo Amaranta". Pero ahora hay más Mileidis que Úrsulas, más K-Cher que Aureliano. La guía de teléfono es un batiburrillo que viene más de las series americanas que de las novelas de Gabo. Como en El Toboso no hay Dulcineas, aquí Remedios la Bella es tan sólo un monumento.
Un momento: Luz Marina, una señora que se sentó a nuestro lado, nos dijo que no era gabófila (es decir, fanática de Gabo), pero luego se le iluminaron los ojos: tiene un hijo autista, y le llena de orgullo imaginar que cuando Gabo describe a Remedios la Bella está en realidad cuadrando los rasgos de un autista, familiarizado con una inteligencia que los hombres no saben entender.
Cuando llegó allí el abuelo de Gabito, Aracataca era un predio esplendoroso, atravesado por la riqueza de las grandes plantaciones de bananos, capaz de atraer un comercio universal que fue el inicio de las leyendas que el niño empezó a grabarse. Siempre venía algo de fuera, y de ahí viene esa mirada extraviada, expectante, de Aureliano, y también ésa es la mirada de Soledad Noches, buscando en la nada lo que hubo en el pasado.
Cuando nos íbamos de la casa, el director de este museo, Rafael Darío Jiménez, nos señaló para el frente, y allí había un hombre con camisilla, inhalando el aire como quien fumara un puro, sentado en una mecedora muy trabajada, y mirando también al vacío lechoso de aquel mediodía de calor insufrible. No le preguntamos adónde miraba, pero su mismo nombre, Nelson Noches, el hermano de Soledad, decía su historia. Nos habló de los primeros recuerdos de Gabo, y como ocurre en Cien años de soledad, le dio atrás y adelante a la historia de modo que nosotros creímos simultáneamente que había sido compañero de juegos de Gabito, que le había visto por primera vez cuando Don Premio -así le llaman- vino a Aracataca nimbado por el Nobel, y que en las noches anónimas en que regresa sin que lo sepa nadie juegan a las cartas y toman tragos y oyen música atravesados por un silencio que se parece al de Pedro Páramo.
La leyenda dice que Gabo ha vuelto muchas veces después del Nobel; la leyenda negra dice que no volvió nunca, y la leyenda urbana, de la urbanidad de Aracataca, le reprocha que no haya hecho nada nunca por su sitio. Un día lo desmintió (por si hiciera falta) en una dedicatoria que le hizo precisamente a Jiménez: "Para Rafael Darío, del paisano que no ha hecho nada por Aracataca salvo este libro y otros más".
Y lo desmintió nada más ganar el Nobel, con una frase que parece una inscripción y que está clavada con chinchetas en algunos de los rincones: "Está en mi carácter: nunca, en ninguna circunstancia, he olvidado que en la verdad de mi alma no soy nadie más ni seré nadie más que uno de los dieciséis hijos del telegrafista de Aracataca".
Darío Arizmendi, que era un periodista muy joven cuando Gabo ganó el Nobel, en octubre de 1982, y que acompañó a la comitiva en la recepción sueca de Estocolmo de diciembre de ese año, también hizo a principios de 1983, en medio del calor, el viaje de regreso de García Márquez a Aracataca. Hubo cinco mil personas aumentando el censo cada vez más escuálido de este pueblo del interior del Caribe, y llevaron en volandas a Gabo por todas las calles y por todas las casas. Excepto por su propia casa, que ya era ajena.
Arizmendi lo vio ser zarandeado, agasajado, besado y demandado: de él querían becas, dinero, viajes, premios, le pedían que troceara la lotería que ya había obtenido. El reciente premio Nobel vivió con el aturdimiento que convoca su timidez.
Cuando Arizmendi, uno de los periodistas más influyentes y famosos de Colombia, terminó de contar ese viaje de regreso, tan distinto al viaje de regreso que Gabo hizo con su madre para vender la casa, dijo:
-Ahí entendí por qué Gabo no ha vuelto a Aracataca.
Otros no lo entienden; pero sí Rubiela, que cuida su casa-museo, o Rafael, que la dirige:
-Una leyenda caribe dice que quien recoge sus pasos muere más pronto, y Gabo es muy supersticioso. No volverá nunca.
La casa está llena de recuerdos; algunas de las joyas diminutas que hizo su abuelo, las fotos, recortes, los bastones del abuelo; en el cuarto de los abuelos hay un baúl que pudo haber sido, o no, aquel del que Gabo fue sacando recuerdos que luego están en casi todos sus libros.
Jiménez nos contó una historia que ya es leyenda también, como todo lo que toca aquí García Márquez: el abuelo vino a Aracataca huyendo de su propia historia, pues había matado a un hombre; un día Gabo se encontró, muchos años más tarde, con el nieto de aquel abuelo, se sentó junto a él, supo la historia, se emborrachó con él, y después contó así su primera impresión:
-Me cagué. Los dos descendientes de aquel duelo, allí, frente a frente. Me cagué.
Cuando juntamos bajo el gran ficus del patio a los chicos que leen, con Rafael Darío Jiménez y con otros maestros, los libros de García Márquez, era como si juntara aquel pasado vertiginoso de la Aracataca rica con la Aracataca que ahora espera que un milagro la devuelva a sus tiempos de esplendor, cuando llegó el hielo, "el gran invento de nuestro tiempo".
No es leyenda que allí las mariposas, o los temporales, sean espectáculos magníficos y duraderos; están, se ven, se sufren o se disfrutan; casi todo lo que nombra Gabo está cercano, se puede tocar; una guía para encontrarlo está escrita, y sería el resumen de libros que han escrito sobre El Libro Cobo Borda o Conrado Zuloaga, que acaso son los colombianos que más saben de Gabo y de Cien años...
Aura Ballesteros, de Cundinamarca, maestra, recibió un día el encargo de venir a enseñar en Aracataca. "¡Y me leí todos los libros de García Márquez! ¡No me iban a coger en ayunas en un sitio como éste!". Se los aprendió. Ella es la responsable de Gabolectura, en un instituto que se llama, cómo no, Instituto García Márquez, que recibe el nombre corto, y raro, de Indegama. "Gabolectura trata de estimular la autoestima de los cataqueros, que sepan que esta literatura es de aquí, que les pertenece, y que ellos pertenecen a esta tierra".
De todos los testimonios, uno singular. Milena tiene 15 años, acaba de ganar el concurso de los lectores de García Márquez; quiere hacer Comunicación, y ya va adelantada. Todo lo que hay en Cien años de soledad le parece realista; lo que de manera más brillante se queda en su memoria: la fábula del hielo, los inventos traídos a Macondo (el hielo, el imán), y la imagen de Remedios la Bella subiendo al cielo entre sábanas... Pero lo que de veras le parece simbólico de su país en la novela que ha leído es la muerte de José Arcadio, "esa muerte impune como tantas muertes que ha habido en mi país, como la de José Eliécer Gaitán, como la de Jaime Garzón, como la de Luis Carlos Galán...".
Antes de la fama y de los libros, en medio de la miseria de aquellos tiempos, Gabo volvía a Aracataca a vender enciclopedias en una tierra de gentes empobrecidas... Se quedaba días y días, tomando ron, recorriendo pueblos, mirando al vacío, como el coronel, como Nelson Noches, como Aureliano Buendía... En uno de esos viajes alrededor de Aracataca fue cuando se encontró con Prudencio Aguilar, el nieto del hombre al que había matado su abuelo... "Los dos nietos del duelo, sentados en el petril, bebiendo juntos, ¡me cagué, claro que me cagué!".
A la salida de Macondo, es decir, Aracataca, la fábrica del hielo está ya totalmente derretida; las mariposas amarillas aparecen sobrevolando el río, pero las aguas que las reflejan son del mismo color que sus alas...
Lo invitan siempre a volver. Él no quiere venir a recoger sus propios pasos.
Y casi todos sus pasos están en Aracataca.
Gabo I de Aracataca
http://www.elpais.com/articulo/cultura/Gabo/I/Aracataca/elpepucul/20061217elpepicul_5/Tes
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 2.1.07
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Crianças autistas necessitam de um acompanhamento precoce
O autismo não tem cura. Esta perturbação acompanhará os seus portadores ao longo das suas vidas
| SARA SILVINO | Tribuna da Madeira - 07/12/2006 | SOCIEDADE |
Algumas pessoas não sabem o que é o autismo e como deve ser tratado, porque esta doença não tem rosto. Exteriormente, a criança aparenta ser normal, o problema é a nível psicológico e do desenvolvimento da inteligência. No entanto, existem ajudas que podem fazer com que estas pessoas consigam alcançar um objectivo, desde que seja feito um tratamento precoce.
A Escola Nova da Ajuda possui a "Sala Teach" que dá apoio a crianças autistas, a nível educacional.
As crianças com autismo, regra geral, apresentam dificuldades em aprender a utilizar correctamente as palavras, construir frases, fazer questões ou a transmitir recados. Raramente iniciam uma conversa ou pedem uma informação. Quando apresentam linguagem, é frequente usarem as palavras ou frases de uma forma repetitiva. A ecolália - repetir ou ecoar palavras e frases ditas pelos outros - a linguagem idiossincrática e a repetição de questões e frases são muito comuns nos indivíduos com esta perturbação.
Estas crianças tendem a apresentar um elevado número de expressões ecolálicas que traduzem, muitas vezes, a não compreensão do que lhes foi dito oralmente, devendo-se ao facto de ser frequente um maior desenvolvimento da memória auditiva (memória dos sons que se ouvem) não acompanhada pela compreensão do significado ou descodificação desses mesmos sons.
A escola tem o seu papel no nível da educação. São elaboradas estratégias para que estas crianças consigam desenvolver capacidades de poderem se integrar com as outras crianças ditas "normais".
Porém, a família tem também um papel crucial, porque são os que têm mais experiência em lidar com as crianças, principalmente, porque as crianças autistas necessitam de atenção redobrada, durante 24 horas. Muitas vezes, a profissão e o horário quotidiano não facilita, mas é importante dispensar algumas horas para que as crianças possam se sentir queridas e mostrar o que aprenderam. Os pais podem encorajar a criança a comunicar espontaneamente, criando situações que provoquem a necessidade de comunicação. Não se deve antecipar tudo o que a criança precisa, deve-se criar momentos para que ela sinta a necessidade de pedir aquilo que precisa. A utilização de gestos e de expressão facial é crucial para o desenvolvimento da linguagem. A calma e a criatividade devem estar sempre patentes durante estes momentos com as crianças.
Autistas amam a rotina
Qualquer mudança inesperada de rotina pode descontrolá-los. Crianças podem impor suas próprias rotinas, tais como insistir em seguir sempre por um mesmo caminho para a escola. Na escola, podem se perturbar diante de mudanças inesperadas, tais como alterações de horário ou da sala de aula. Normalmente, a altura de férias é muito complicado para estas crianças, porque a sua rotina se altera. Elas podem demonstrar um interesse quase obsessivo em hobies ou colecções. Algumas são capazes de ficar horas a fio a olhar para um objecto, ou qualquer coisa de que gostem. Se forem distraídas ou se a função terminar, contra a sua vontade, ficam irrequietas e descontroladas.
O autismo é uma inadequacidade no desenvolvimento que se manifesta de maneira grave por toda a vida. Acomete cerca de vinte entre cada dez mil nascidos e é quatro vezes mais comum entre meninos do que meninas. É encontrada em todo o Mundo e em famílias de qualquer configuração racial, étnica e social. Não se conseguiu até agora provar nenhuma causa psicológica, no meio ambiental destas crianças, que possa causar a doença.
Sintomas: distúrbios no ritmo de aparecimentos de habilidades físicas, sociais e linguísticas; reacções anormais às sensações. As funções ou áreas mais afectadas são a visão, audição, tacto, dor, equilíbrio, olfacto, gustação e maneira de manter o corpo; fala ou linguagem ausentes ou atrasados. Certas áreas específicas do pensar, presentes ou não. Ritmo imaturo da fala, restrita compreensão de ideias. Uso de palavras sem associação com o significado; relacionamento anormal com os objectos, eventos e pessoas. Respostas não apropriadas a adultos ou crianças. Uso inadequado de objectos ou brinquedos.
"Sala Teach" apoia crianças autistas
A "Sala Teach" foi criada para dar apoio às crianças autistas. Localizada na Escola Nova da Ajuda, esta sala acolhe seis alunos portadores desta patologia. A Região conta, neste momento, com duas salas deste género. A par desta, a outra encontra-se dentro de uma instituição da Educação Especial, no Colégio Esperança. Possivelmente, poderá estar em curso a abertura de mais uma sala deste género, fora da área do Funchal.
A funcionar desde o passado ano lectivo, a "Sala Teach" dá apoio à sala do regular. O modelo "Teach" incide sobre imagens. As crianças olham para as imagens e têm várias actividades a seguir.
O principal objectivo da actividade praticada nesta sala é fazer com que estas crianças consigam aprender tal qual como os outros, para integrá-los. Como não conseguem acompanhar o ritmo das outras crianças ditas "normais", através destas actividades, e com o apoio de profissionais, conseguem evoluir.
Crianças autistas necessitam de um acompanhamento precoce
http://www.tribunadamadeira.pt/?article=5910&visual=2&layout=25&id=2
"Isto é um desafio para toda a vida"
Foram com estas palavras, proferidas pelo médico, que Ana soube que a sua filha era autista
| SARA SILVINO | Tribuna da Madeira | 7/12/2006 |
O autismo não é visível exteriormente. Porém, apresenta problemas a nível do desenvolvimento que variam de criança para criança. A Região apresenta um número considerado de crianças portadoras desta patologia. O medo de encarar a doença, a vergonha, a falta de informação, podem levar à rejeição de ajuda. Muitas pessoas não sabem o que fazer ou a quem solicitar ajuda. O facto é que o autismo se for tratado precocemente, não tem cura. Mas pode ajudar a que a criança consiga uma evolução, de modo a poder se integrar com as outras crianças ditas "normais".
Ana, nome fictício a pedido da entrevistada, é mãe de uma menina com cinco anos de idade. A sua filha nasceu normal, sem quaisquer problemas. Aos três anos, apercebeu-se que algo não estava bem com a criança e foi quando descobriu que a sua filha era autista.
Procurou ajuda em Coimbra, e o médico informou-lhe que a doença da sua filha não tem cura. Ainda se lembra da frase: "Isto é um desafio para toda a vida".
Ana quis falar ao Tribuna para poder servir de testemunho sobre esta patologia que, muitas vezes, não é aceite ou é desconhecida pela maioria das pessoas, e informar que devem procurar ajuda precoce. Sabe que o autismo não tem cura, mas é importante ajudar estas crianças e para ajudá-las é preciso dar-lhes as devidas atenções e os cuidados adequados para o desenvolvimento das crianças para se poderem integrar na sociedade.
Congratula-se pela existência da "Sala Teach": "Devia de haver mais locais deste género. Não quer dizer que seja numa escola, desde que seja numa sala com condições", diz. Adianta: "Estou optimista que irão surgir mais salas deste género para que as crianças autistas possam aprender e serem ajudadas. Já temos um número suficiente para avançar com mais uma sala, é esperar para ver", salienta.
A maioria das pessoas não sabe onde pedir ajuda. Neste âmbito, Ana explica: "O primeiro passo é que as pessoas devem estar inscritas na Educação Especial. A partir daí, os técnicos irão fazer o devido acompanhamento", diz. Ana salienta: "Noto que há pouca informação. A população, em geral, não sabe onde começa a procurar ajuda. Pensam que isso nunca lhes vai acontecer e se lhes bate à porta ficam assustadas e não sabem o que devem fazer", conta.
É importante que estas crianças comecem a ter apoio desde cedo: "Porque passando as etapas em que as crianças autistas têm que aprender as coisas, as crianças já não conseguem acompanhar, ficam perdidas e não voltam a aprender. É preciso fazer com que elas se aproximem, cada vez mais, das crianças ditas 'normais'", explica.
"Estou a 100% a olhar para a minha filha"
As crianças autistas não têm noção nenhuma do perigo. "Não posso me descuidar nem um segundo, nem em casa, nem fora. Estou a 100% a olhar para a minha filha", conta.
O apoio da família é muito importante. "Em casa existem outras maneiras de estimular as crianças. Devemos falar muito com elas. Mas também elas precisam de espaço para o seu mundo", diz.
As crianças autistas têm a sua rotina. Cada criança é um caso. Ana conta: "Nas férias é terrível porque foge da rotina e desestabiliza o seu comportamento. A minha filha acalma-se desenhando. Quando começa a ficar nervosa e descontrolada, dou-lhe uma folha e cores e ela começa a desenhar e fica calma", conta. Salienta: O meu caso não é dos piores porque a minha filha fala. Existem casos de crianças que nem falam. É complicado", desabafa.
O Q.I. de crianças autistas, em aproximadamente 60% dos casos, mostram resultados abaixo dos 50, 20% entre 50 e 70% e apenas 20% tem inteligência maior do que 70 pontos.
O portador de autismo tem uma expectativa de vida normal. As causas do seu aparecimento são múltiplas. Algumas já foram relacionadas como: fenilcetonúria nã tratada, virose durante a gestação (principalmente durante os três primeiros meses (inclusive citomegalovirus), toxoplasmose, rubéola, anoxia e traumatismo no parto, património genético, etc. Ultimamente, pesquisas mostraram evidências de aparecimento do autismo após aplicação da vacina tríplice.
"Isto é um desafio para toda a vida"
http://www.tribunadamadeira.pt/?article=5911&visual=2&layout=25&id=2
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 2.1.07
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