Crônica Autista
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Segunda-feira, Novembro 06, 2006

"Jogo das relações" ajuda crianças autistas

A brincar é mais fácil chegar às crianças autistas que, por norma não gostam sequer que lhes toquem. Uma pedagoga especial, Vera Juhlin, ensinou ontem, em Braga, algumas técnicas, a convite do núcleo de Braga da APPDA - Norte.

| Teresa Marques Costa | Correio do Minho | 21/10/2006 | Enviada para a Comunidade Virtual Autismo no Brasil por Priscilla Guimarães |


O jogo das relações (relation play) ajuda a melhorar a comunicação com crianças especiais, sobretudo as que sofrem de autismo. Vera Juhlin, professora e pós-graduada em pedagogia especial, aplica os movimentos e jogos no trabalho que faz crianças na Suécia e ensinou-os, ontem, em Braga, por iniciativa do núcleo de Braga da Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA) - Norte.

Vera Juhlin explicou ao "Correio do Minho" que o "jogo das relações" consiste em movimentos e jogos para melhorar a comunicação, a auto-confiança e a alegria dos movimentos.

"É bom para qualquer idade, para qualquer pessoa, mas funciona muito bem com crianças especiais, sobretudo autistas" revela a pedagoga, remetendo para uma "experiência muito positiva" na Suécia, onde trabalha com turmas de crianças entre os 6 e os 8 anos.

Vera Juhlin confirma que, com os movimentos e jogos, "eles descobrem o outro", mas acima de tudo ganham "mais auto-confiança, mais flexibilidade com o corpo e maior comunicação com as outras crianças".

A pedagoga sublinha que "o ser humano tem uma necessidade grande de se movimentar, de se sentir alegre e brincar com o próprio corpo".

Alguns movimentos são brincadeiras que os pais faziam antigamente com os filhos e que foram esquecidos, aponta.

São também "técnicas fáceis de aprender de aplicar" e podem ser replicadas em casa, na sala de aula, nas instituições, garante, acrescentando que "qualquer pessoa que lide com crianças especiais pode fazer o curso".

Pais, professores, psicólogos, terapeutas e outros especialistas participaram ontem no workshop, que decorreu no auditório da Associação de Futebol de Braga.

O director da APPDA - Norte, Eduardo Ribeiro, concorda que "a brincar chega-se às crianças autistas que, por norma, não gostam que lhes toquem".

O workshop realizado em Braga pretende estimular a intervenção precoce, explicou ao "Correio do Minho" Eduardo Ribeiro, e, ao mesmo tempo, disponibilizar mais informação sobre o autismo.

Os movimentos do "jogo de relações" que Vera Juhlin veio ensinar a Braga, pela primeira vez, foram criados por Verónica Sherborne, em Inglaterra, com base nos estudos de Rudolf Laban.

Vera Juhlin foi professora ao longo de 30 anos no Brasil e a experiência com as crianças em geral despertou-lhe uma sensibilidade diferente para com as crianças especiais. Foi neste contexto que foi até à Suécia colher a experiência que agora divulga noutros países.

A pedagoga está também a investigar a alfabetização de crianças com autismo. Constatou que "todas as crianças do mundo aprendem da mesma maneira, os métodos dos professores é que são diferentes" e que a criança autista é como as outras crianças no que toca à alfabetização. "É só reconhecer e estimular" sustenta Vera Juhlin, que sublinha que "é importante para o percurso educativo das crianças".

"Mesmo que não falem e não reajam muito, elas aprendem e muitas vezes aprendem sozinhas", o que levou a pedagoga a investigar a alfabetização.

"Jogo das relações" ajuda crianças autistas
http://www.correiodominho.com/noticia.ler.php?IDTema=6&ID=25857

Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 6.11.06

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