Crônica Autista
Um apanhado do noticiário sobre autismo e autistas.
..."não constitui ofensa aos direitos autorais:
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a) na imprensa diária ou periódica, de notícia ou de artigo informativo, publicado em diários ou periódicos, com a menção do nome do autor, se assinados, e da publicação de onde foram transcritos;(...)"
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Livro: Vencendo o Autismo - A Menina sem Estrela.
De: Yvonne Meyer Falkas.

Relato da vida de Sheila, filha da autora, e de como a família tem convivido com o autismo. Um testemunho de como foram vencidas etapas com múltiplas adversidades, e suas conquistas. Um apanhado geral sobre o que vem a ser o Autismo, as supostas origens e causas e os preconceitos existentes.

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Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Parentes apresentam traços de autismo

| Helen Phillips | NewScientist.com news service | New Scientist, no. 2527, 24 November 2005, p. 14

Alguns parentes de pessoas com autismo também mostram comportamentos e caracaterísticas cerebrais associadas com a condição, ainda que eles mesmos não a apresentem. Isto pode facilitar às famílias quantificar o risco de ter uma criança autista. Também pode ajudar na busca pelos fatores genéticos e ambientais, apesar de parecer que tais "gatilhos" possam variar de um país para o outro.

Eric Peterson, da Universidade do Colorado, em Denver, comparou um estudo do MRI dos cérebros de 40 pessoas com filhos autistas com outras 40 pessoas servindo de controle. Ele apresentou no Encontro Anual da Sociedade de Neurociência, em Washington DC, que os pais de crianças autistas compartilhavam com seus filhos várias características nas estruturas cerebrais.

Na média, tais características incluíam um inesperado aumento do córtex motor e do gânglio basal, áreas importantes para o planejamento do movimento e a imitação.O córtex somatossensorial, vizinho ao córtex motor, em contraposição, era menor que a média. Esta região é importante para entender informações sociais como expressiões faciais - uma habilidade chave que costuma faltar a pessoas autistas. Esses pais também têm o cerebelo reduzido, importante na coordenar motora, e em uma região frontal que se pensa ser responsável pela compreensão das intenções e sentimentos dos outros - a chamada "área da teoria da mente".

Em outro estudo, Brendon Nacewicz, da Escola de Medicina de Madison, da Universidade de Wisconsin, e colegas testaram se irmãos do sexo masculino de crianças autistas evitariam o contato nos olhos, condição bastante comum no autismo. Enquanto os pais pareciam normais neste aspecto, os irmãos evitavam o contato nos olhos tanto quanto seus irmãos autistas. Agora, planeja fazer a pesquisa com as irmãs, também. Nacewicz também mostrou que a amígdala, região importante para processar emoções, particularmente medo, era diminuída nos irmãos também, tanto quanto nas pessoas autistas.

Uma teoria posta de lado por estes achados, diz Nacewicz, é a idéia que o autismo de alguma forma reside no extremo de um espectro de timidez. Os irmãos não mostraram sinais de autismo ou timidez, apesar de evitar o contato nos olhos. Apesar de que a ausência de fixação do olhar se acompanhe de diferenças na biologia do cérebro, ele diz, outras áreas cerebrais de alguma forma compensam as diferenças. Peterson concorda. Isso sugere que várias diferenças cerebrais precisam estar presentes para alguém mostrar simtomas de autismo, ele pensa.

Uma maior complexidade na biologia subjacente ao autismo foi relatada por Antonio Persico, da Universidade de Roma. Ele descobriu que certas variações genéticas ligadas ao autismo na América do Norte não estavam presentes em famílias autistas da Itália. Ele sugere que seja possível haver diferenças regionais nos fatores ambientais interagindo com diferentes genes para disparar o autismo.

As diferenças estavam em um gene que fabrica uma enzima chamada paraoxonase. Nas populações norte-americanas, famílias com membros autistas parecem compartilhar uma variante do gene que produz uma forma menos ativa da enzima. Nas famílias italianas com autismo, entretanto, essa variante não era mais comum que nas famílias sem a síndrome. Uma função da enzima é tornar inativos os organofosforados, freqüentemente usados nos lares norte-americanos ocmo inseticidas. Na Itália, são raramente observados nas residências. Assim, uma possível explicação, argumenta Persico, é que os norte-americanos com a enzima menos ativa usam mais dela para depurar o pesticida, deixando-a menos livre para o outro importante trabalho de ajudar os neurônios a migrar para o lugar certo durante o desemvolvimento do cérebro.

¿Pais que têm uma criança autista compartilham várias diferenças na estrutura cerebral com seus filhos¿. Em famílias italianas, a interação entre ambiente e genes pode ser diferente. Por exemplo, um efeito ambiental pode interagir com o gene Reelin, um tipo de gene que guia as células para seu lugar no cérebro durante o desenvolvimento, e tem sido associado ao autismo. "A coisa importante é que não estou tentando provar que organofosforados são ruins," diz Persico. Essas crianças poderiam ficar assim de qualquer jeito. O ponto é que pode haver diferentes fatores de risco genético e diferentes interações ambientais que podem levar ao autismo, acrescenta.

Entretanto, Dan Geschwind, especialista em autismo da Universidade da California, campus de Los Angeles, que coordenou a sessão sobre diferenças no cérebro, ainda não está convencido sobre essa visão dos gatilhos ambientais. "Ainda não há evidências", ele dz, "mas não podemos descartá-la."
    Families share traits of autistic children

    Helen Phillips | NewScientist.com news service |


    SOME relatives of people with autism also display behaviours and brain differences associated with the condition, even though they themselves do not have it. This could make it easier to spot families at risk of having an autistic child. It could also help in the quest to identify the genetic and environmental triggers for the condition, though it seems these triggers might vary from country to country.

    Eric Peterson of the University of Colorado in Denver had compared an MRI study of the brains of 40 parents with autistic children to that of 40 age-matched controls. And he told the Society for Neuroscience annual meeting in Washington DC that the parents who had an autistic child shared several differences in brain structure with their offspring.

    Looking at the group averages, the differences in parents of the autistic children included an unexpected increase in the size of the motor cortex and basal ganglia, areas important for movement planning and imitation. The somatosensory cortex, neighbouring the motor cortex, by contrast, was smaller than average. This region is important for understanding social information such as facial expressions - one key skill that autistic people often lack. These parents also had reductions in the cerebellum, important for coordinating movement, and in a frontal region thought to be responsible for understanding the intentions and feelings of others - the so-called theory of mind area.

    In another study, Brendon Nacewicz of the University of Wisconsin-Madison Medical School and colleagues tested whether brothers of autistic children would avoid eye contact with others, a common feature of autism. While the parents seemed normal in this respect, brothers avoided eye contact just as strongly as their autistic sibling. He is now planning to test sisters too. Nacewicz also showed that the amygdala, a region important for processing emotions, particularly fear, was shrunken in the brothers too, just as it is in autistic people.

    One theory laid to rest by these findings, says Nacewicz, is the idea that autism somehow falls on the far end of a shyness spectrum. The siblings showed no signs of autism or shyness, despite avoiding eye contact with others. Although gaze avoidance is accompanied by differences in the biology of the brain, he says, other brain areas must somehow compensate for the differences. Peterson agrees. This suggests that several core brain differences have to be present for someone to show the symptoms of autism, he says.

    A further complexity in the underlying biology of autism was reported by Antonio Persico from the University of Rome. He found certain genetic variations linked with autism in North America were not present in autistic families in Italy. It is possible that there are regional differences in the environmental factors that interact with different genes to trigger autism, he suggests.

    The differences were in a gene that makes an enzyme called paraoxonase. In North American populations, families with autistic members seemed to share a variant of the gene that makes a less active form of the enzyme. In Italian families with autism, however, that variant was no more common than in families without. One job of the enzyme is to inactivate organophosphates, which are often used in American homes as insecticides. In Italy, they are rarely found in the home. So one possible explanation, claims Persico, is that Americans with the less active enzyme use more of it to clear the pesticide, leaving less free to do another important job in helping neurons migrate to their right places during brain development.

    ¿Parents who had an autistic child shared several differences in brain structure with their offspring¿In Italian families, the interaction between environment and genes may be different. For instance, an environmental effect may interact with the gene reelin, which also guides neurons to the right place, and has been linked to autism. "The important thing is that I am not trying to prove that organophosphates are bad," says Persico. These children may become sick anyway. The point is that there may be different genetic risk factors and different environmental interactions which lead to autism, he adds.

    Dan Geschwind, an autism expert from the University of California, Los Angeles, who chaired the session on brain differences, is yet to be convinced about the claims of environmental triggers, however. "There is no evidence for one," he says, "but we can't rule it out."

    From issue 2527 of New Scientist magazine, 24 November 2005, page 14

Families share traits of autistic children
http://www.newscientist.com/article.ns?id=mg18825275.100

Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 28.11.05

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Quarta-feira, Novembro 23, 2005

Movimento Orgulho Autista se reúne com deputado em Brasília

| Fernando Cotta | Autismo no Brasil | Movimento Orgulho Autista Brasil | Brasilia, 23/11/2005 |

Integrantes do Movimento Orgulho Autista conversam com o deputado Fábio Barcellos (ao centro)
O deputado Fábio Barcellos, com Maria Lúcia Gonçalves e Fernando Cotta, do Movimento Orgulho Autista
Em 22/11/2005, integrantes do Movimento Orgulho Autista Brasil estiveram em audiência, com o Exmo Senhor Deputado Distrital Fábio Barcellos, presidente da Câmara Legislativa do DF.

O motivo do encontro foi alertar aos políticos daquela casa sobre o mau uso do termo "autismo/autista".

Recentemente, o Deputado Distrital Chico Floresta concedeu entrevista ao Jornal do Brasil, publicada em 07/11/2005, no caderno Brasília, página D3, sob o título "As pessoas parecem autistas na Câmara", referindo-se a pessoas ausentes, indivíduos relapsos, pessoas que faltam às suas obrigações, etc, dentro daquela casa legislativa de Brasília e do Distrito Federal.

Por esse motivo, em 09/11/2005, foi protocolada na Câmara Legislativa do Distrito Federal, Carta Aberta destinada ao presidente da casa, Deputado Distrital Fábio Barcellos, demonstrando o grave erro nas declarações do Deputado Chico Floresta.

No dia 22/11/2005, o presidente da casa, Deputado Fábio Barcellos, recebeu em audiência os familiares de autistas em seu gabinete, onde foi discutida medidas a serem tomadas no âmbito do Distrito Federal, visando uma melhor qualidade de vida aos autistas, pensamento que representa plenamente a vontade e a luta dos integrantes do Movimento Orgulho Autista Brasil

Entre outros, ficou estabelecida parceria entre a Câmara Legislativa do DF e o Movimento Orgulho Autista Brasil para o estudo de proposição de leis, a realização de seminário naquela casa de leis e campanhas para o esclarecimento de questões acerca do autismo.

Mensagem enviada à Comunidade Virtual Autismo no Brasil

Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 23.11.05

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Terça-feira, Novembro 22, 2005


Infelizmente, políticos e jornalistas insistem em usar erradamente a palavra autista. Essa ignorância acaba por fortalecer idéias equivocadas a respeito das pessoas autistas, prejudicando ainda mais nossa busca por melhores condições de vida e de atendimento.

(Verifique as declarações em negrito azul)


''As pessoas parecem autistas na Câmara''

Entrevista: Chico Floresta

| Luciana Navarro e Rosane Garcia | 7/11/2005 | Jornal do Brasil |


A bandeira vermelha do partido terá de dividir espaço com o verde. Se depender do deputado distrital Chico Floresta, o PT vai se dedicar intensamente a projetos ambientais. Essa é a proposta apresentada por ele para justificar a pré-candidatura ao governo do Distrito Federal. Floresta apresentou o nome à lista de pré-candidatos da legenda no dia da posse da nova diretoria, 26 de outubro. Nas eleições de 2002, defendeu a candidatura de Geraldo Magela, mas resolveu concorrer com o correligionário pela cabeça de chapa no partido. Com 46 anos, é vice-presidente da Câmara Legislativa do DF. Compõe a mesa diretora mais heterogênea da Casa ao lado do deputado Fábio Barcellos (PFL) que ocupa a presidência. Como candidato da oposição, Chico faz críticas às políticas habitacionais do governo de Joaquim Roriz (PMDB) e defende desenvolvimento urbano verticalizado em vez dos condomínios populares horizontais construídos por Roriz. Mesmo com o bom posicionamento alcançado pelos aliados de Roriz nas pesquisas de opinião divulgadas recentemente, Floresta mantém o otimismo. Acredita que, com a campanha na rua, a esquerda será capaz de reverter a situação. Quanto à decisão do candidato petista, Floresta defende que seja tomada o mais rápido possível e não teme a disputa interna. Acredita que o partido saberá decidir e apoiar o candidato vencedor das prévias.

- O senhor cogitou deixar o PT. O que o fez mudar de idéia e lançar sua candidatura ao Palácio do Buriti?
- Na verdade nós estamos num processo muito rico agora de discussão dos rumos do nosso mandato, dos rumos do partido. Alguns companheiros, num certo momento imaginavam até em se afastar do PT e isso me levou a fazer reunião com as bases do PT que apóiam nosso mandato. Nesse processo de discussão, colocamos claramente a importância do nosso projeto socioambiental para o Partido dos Trabalhadores. Essa é a nossa bandeira histórica, sempre militei nessa área do meio ambiente e agora queremos que o PT incorpore essa bandeira. Não adiantaria eu ir para outro partido, como o Partido Verde, porque não tem a importância política que o PT tem. Então, consegui convencer todos os nossos companheiros de que o caminho é o PT e para consolidar isso lançamos nossa pré-candidatura.

- O senhor acha que com essa bandeira socioambiental é possível neutralizar os danos impostos à imagem do PT, provocados pelos escândalos envolvendo a direção nacional do partido?
- O PT vai ter que mudar bastante o seu comportamento político em função dessas circunstâncias. O PT terá que ser absolutamente propositivo. Terá que ter políticas públicas calcadas na realidade. E a realidade que eu quero é a que também integre a questão ambiental. O PT terá que ser afirmativo. Antes pregávamos um processo de construção, com base na antítese. Ou seja, você atacava mais do que propunha. Então, nesta campanha o PT será chamado a mostrar o que pensa e apresentar novidades, a formulação política que tenha rebatimento naquilo que a população espera. É evidente que os adversários do PT vão procurar realçar esse aspecto do escândalo. Que a gente analisando, espremendo a fundo, vê que não tem essa base que se coloca na mídia. Na campanha eleitoral será diferente.

- Muita gente deixou o partido...
- Se você for computar num projeto global essas baixas são recuperáveis. As pessoas que ficaram no PT vão continuar petistas, vão continuar fazendo a interação popular sem a minha presença, ou sem a presença de Heloisa Helena, ou sem a presença de Cristovam ou sem a presença da Maninha. Acho que em Brasília vamos viver uma polaridade que sempre teve, entre o nível de pensamento do grupo ligado ao Roriz e o nível de pensamento e articulação do grupo ligado ao PT.

Até pouco tempo atrás o senhor defendia a candidatura do ex-deputado Geraldo Magela. E o hoje o senhor sai candidato. O que aconteceu?
- Fui o primeiro a apoiar o Magela na eleição passada. Achava que ele reunia, como de fato demonstrou, as qualidades, naquele momento, para ser o nosso candidato.

O que mudou de lá pra cá?
- Acho que a realidade é que mudou. O Magela está muito ligado a uma visão ainda sindicalista, uma visão que eu chamo da segunda onda e o PT tem que entrar na terceira onda. O PT tem que inovar, tem que se antenar com uma série de movimentos que existem na cidade, existem no Brasil, e ter alguém que seja capaz de fazer essa interlocução. Não podemos ficar nas reivindicações salariais, sindicais e políticas compensatórias. Temos que buscar outros horizontes para a política que o partido tem que incorporar.

Como o senhor acha que o PT vai resolver essa questão de ter tantos candidatos? Até agora são cinco...
- Na eleição passada também foram cinco. Aparentemente as pessoas analisam essa questão de ter vários candidatos como um problema. Para o PT é o contrário. É é a mágica do seu fortalecimento. Todo mundo coloca seus projetos, sua visão, e aí não fica aquela unanimidade burra. Vai para a base e mostra a sua posição e debate com intensidade. E o resultado todo mundo acata, essa é a diferença.

Já tem candidato falando em não ir para a disputa, porque deseja o consenso. O senhor acredita que haverá consenso?
- Se tiver uma vontade de construção de um programa e esse processo de construção do programa for absolutamente amplo e participativo, envolver as bases do partido, aí criam-se as condições para a escolha de um nome que não seja por uma prévia. Agora, se todo mundo imaginar, como por exemplo, no meu caso, que quer afirmar essa dimensão ambiental como uma novidade, e as pessoas considerarem que isso não é o principal, aí vou para a prévia de qualquer jeito, porque tenho certeza que terá ressonância nas bases do partido. Hoje, temos quase um terço do PT que já apóia nossa candidatura. Então, é um peso considerável que já temos e podemos crescer no debate.

Há uma preocupação muito grande com a verticalização e se fala na possibilidade do PT, em nível nacional, coligar ao PMDB. como ficaria essa aliança no cenário brasiliense?
- Fico imaginando como seria a junção do vermelho com o azul, que cor daria. Acho que a verticalização é positiva do ponto de vista do processo político global. No Brasil, temos que fortalecer os partidos políticos. Se o PT em nível nacional se coligar ao PMDB, acredito que aqui em Brasília vamos viver uma situação de polaridade co-partidária. Acho que não vai ter um casamento. Provavelmente o Lula vai ter dois palanques aqui - o do PMDB e o nosso.

E aí como é que fica essa questão para Brasília, porque uma candidatura única da esquerda talvez pudesse dar uma força para combater até a candidatura única pregada pelo governador Roriz, por exemplo.
Acho que vai haver muita dificuldade de o governador Joaquim Roriz conseguir unificar a sua base numa candidatura única. Acho até que ele não tem ilusão com relação a isso. Acho que todas as medidas dele, se formos analisar a fundo, são para viabilizar a candidatura dele ao Senado. Ele não está visando candidatura nenhuma ao governo. Nessa altura do campeonato, ele dizer que cada um lance quem estiver melhor que depois apóia, é sinal que não tem o controle daquilo que se convencionou chamar base de governo. Se o Arruda [deputado federal José Roberto Arruda] sair candidato pelo PFL, terá que ter o movimento próprio para procurar chegar no segundo turno, independente do que o Roriz pensar. Se ele pautar as ações da sua candidatura pelo que o Roriz pensa, ele não chegará no segundo turno. Então, esse é o cenário. Se a esquerda, conseguir uma unidade, isso permitirá chegar ao segundo turno. E o segundo turno é outra eleição.

Como é que a esquerda vai fazer para deixar a posição que se encontra hoje nas pesquisas eleitorais? O PT, com Magela na disputa, tem maior índice de rejeição.
- Fui coordenador da campanha do Cristovam, depois fui secretário de do Cristovam. Quando nós começamos a campanha do Cristovam, ele tinha de 2% a 3%. A pesquisa feita neste momento revela um estado de ânimo, um estado de espírito do eleitor. Mas fatores decisivos numa campanha não estão agora. Por exemplo, qual é o programa, qual é o projeto, o que vai fazer? Vai ser a Brasília dos viadutos? O que os rorizistas têm para apresentar de novo? Brasília está sob estresse. Você vê o Lago Oeste, o lixo hospitalar, a saúde, a educação... Está um estresse ambiental. O viaduto mascara, mas não resolve. Quer dizer, é mais uma política de fachada. Qual é o discurso que vem da direita? Isso não está no debate.

Mas isso mostra que a direita está próxima do eleitor.
- Neste momento não tem o debate. Hoje, quem está no governo se beneficia pelo fato de estar governando. Isso é natural nas pesquisas. Como não tem embate de idéias, aquele que tem mais presença aparece mais na pesquisa e você associa também a uma idéia de governabilidade. Do lado de cá, você tem um conjunto de candidatos, com idéias que estão começando a viscejar. Depois essa árvore vai crescer. Agora, é a nossa hora de plantar a semente. A deles já está plantada, é a árvore.

Em que hora começa a mudança?
- No debate interno do partido. Vou dizer que não dá para criar casa popular, como o Roriz está criando, horizontalizando o DF, ocupando tudo que é terreno, atingindo o cerrado, mudando a qualidade climática do DF, ambiental. Temos que verticalizar, que é uma idéia que eu defendo. A questão não é mais lote. A questão agora é verticalizar e assegurar para as pessoas um local digno de moradia, que não é de conflito com o meio ambiente.

A Câmara Legislativa tem uma imagem bastante comprometida perante a sociedade. Como o senhor avalia o papel da Câmara Legislativa?
- A Câmara parece a Geni do Distrito Federal. Por que ela é a Geni? A Câmara tem 16 deputados governistas. A base governista tem o presidente da Casa, mais três na Mesa Diretora. A líder do governo comanda uma bancada de 16 parlamentares. Por que esses parlamentares não estão se acertando? O governo Roriz já está dando sinais daquele processo comum de todos os governos, de enfraquecimento.

Na Câmara Legislativa as pessoas não conseguem ver, mas isso aqui é uma escola de formação rigorosa. Todos os problemas do DF caem dentro da Câmara Legislativa. Então quem está aqui atento acaba entendendo muito bem o DF. E nós temos bancada desde que a Câmara Legislativa é Câmara Legislativa.

Então, qual é o problema da Câmara Legislativa?
- Aí volta aquilo que eu falei. Qual é a crise, na verdade, da Câmara Legislativa? É a crise do governo. É a crise da bancada do governo porque para o governador, com os instrumentos que o governador dispõe, é muito melhor a cada situação você criar uma crise na Câmara do que trazer para o foco o seu governo. Aqui se geram crises artificiais, dentro da própria bancada do governo.

O senhor acha que a crise do José Edmar com o Vigão é forçada, para tirar atenção, por exemplo das CPIs?
- Neste caso, acho que não, porque há realmente uma relação de separação muito forte dos dois. Há uma dificuldade muito grande. O José Edmar acredita, com muita convicção, de que o Vigão foi responsável por aquela prisão dele. Nesse caso entrou no cenário alguns elementos que não são normais na política.

... na formação da Mesa Diretora... grupos que eram do governo, se descolaram do governo e se imoram à oposição para compor a nova Mesa e impôs ao governo uma derrota que até então era inimaginável...
- É com isso que estamos trabalhando. Esse elemento está presente, mas ainda não está aparente. Essa revolta surda está presente. As pessoas, gente da própria base do governo, não vêm votar. Procuram evitar que projetos do governo sejam aprovados. Então, a Câmara não tem um funcionamento normal. Se a gente for ver a quantidade de projetos aprovados este ano, é mínima, por conta desse espírito que está vigorando. Antigamente era uma bancada absolutamente dócil, vinha aqui e votava tudo. Agora, a cada votação o governo tem que conversar, inclusive com a bancada de oposição.

O que explicaria esse fenômeno?
- O governo parece que está querendo mudar a feição da sua bancada. Tem pessoas que são novas que estão investindo fora da Câmara Legislativa. A bancada está entre dois focos - de um lado o PT e a oposição, que está disputando o voto - e tem ao mesmo tempo candidatos que são fortes, têm máquina de governo e têm o apoio do governador. Então, está desesperada. Existe um fenômeno que estou chamando de absenteísmo. As pessoas estão ausentes, parecem autistas na Câmara. Não vêm aqui. Vêm aqui, assinam um papel e vão embora. Por que? Porque tem que correr atrás de voto, tem que descobrir alguma maneira de sobreviver. Então isso está criando uma instabilidade.


Seriam potenciais candidatos que o governo está tentando construir.
- Exatamente. Aí tem também os interesses do governo, de candidatos a governador, que cada um tem a sua bancada. Quanto mais gente tiver na bancada do pré-candidato a governador, na hora da decisão política vai ser importante. Então, começa a criar conflito. Na mudança de partido, todo mundo percebeu. O Arruda foi e voltou, o Paulo Octávio, e tal. Esse cenário é um cenário em evolução.

Com relação às CPIs, fala-se muito de uma blindagem do governador, porque as CPIs investigaram e estão descobrindo várias coisas mas ninguém chega no Roriz, ao passo que se isso acontecesse no plano federal, a crise chegaria no Palácio. O senhor acredita que existe essa blindagem do governador Roriz?
- Não tem blindagem sem fissura, não existe aço perfeito. Então, na medida em que a CPI vai avançando, vai descobrindo mecanismos do governo, você vai começando a apontar a outra ... do governo e do governador. Então na medida que a CPI for avançando e for chegando a conclusões, o resultado final dela vai, de qualquer maneira, afetar o governo.

O senhor acredita que as CPIs vão chegar, em algum momento, no governador Roriz, antes das eleições?
- Claro.

"As pessoas parecem autistas na Câmara"
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/brasilia/2005/11/06/jorbrs20051106003.html

Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 22.11.05

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Segunda-feira, Novembro 07, 2005

Gente autista tem voz na Comissão de Direitos do Deficiente do Reino Unido

| 4/11/2005 | info4local (Press Release) |

Pessoas com autismo e condições relacionadas têm sua voz fortalecida na Disability Rights Commission (DRC - Comissão de Direitos do Deficiente) este mês, com a criação de mais um Conselho.

O Conselho para o Autismo e Neurodiversidade se constituirá de pessoas com autismo e condições 'neuro-diversas', como a síndrome de Tourette, dislexia, dispraxia e a síndrome de Asperger.

Mia Rosenblatt, da National Autistic Society, disse:

"A NAS saúda a criação do grupo. Nós o pleiteamos para levar a um maior reconhecimento das mecessidades das pessoas no espectro autista, bem como conduzir ações que apontem para suas necessidades."

O membro da DRC, Bert Massie, disse:

"Entendemos que pessoas dentro do espectro autista encaram problemas específicos de discriminação. Essse é o porquê da DRC ter criado um conselho para aprimorar osso trabalho. O Conselho se constitui de pessoas autistas e condições neuro-diversas que podem sugerir como melhorar nossos serviços e nos dizer que outros trabalhos podemos fazer para garantir que as coisas sejam melhores para as pessoas com autismo"

Jo Todd, diretor administrativo da Key4Learning, disse:

"Quem tem neuro-diversidade têm direito à dignidade e reconhecimento de suas diferenças, de forma que possam desenvolver suas habilidades."

O novo conselho está sendo apoiado, ainda, por MP Liz Blackman, que tem assento no Grupo Parlamentar Supra-partidário sobre Autismo.

O Conselho para o Autismo e Neurodiversidade apresentará propostas para a DRC, focalizando seus serviços (como a Helpline e o website), para que sejam talhados de acordo com as necesidades das pessoas dentro do espectro autista.

Para mais informações, mande um e-mail para suzanne.maher@drc-gb.org (em inglês).
    People with autism have their say at the DRC

    November 04, 2005 | info4local (Press Release)


    People with autism and related conditions have a stronger voice at the Disability Rights Commission (DRC) this month with the introduction of a new advisory group.

    The Autism and Neurodiversity Group will be made up of people with autism and "neuro-diverse" conditions such as Tourette's syndrome, dyslexia, dyspraxia and Asperger's syndrome.

    Mia Rosenblatt of the National Autistic Society said:

    '"The NAS strongly welcomes the establishment of this group. We want it to lead to greater acknowledgement of the needs of people in the autistic spectrum as well as bringing about action which addresses those needs"

    DRC Chair Bert Massie said:

    "We understand that people within the autistic spectrum face specific problems of discrimination. That is why the DRC has set up an advisory group to help better inform our work. The group is run by autistic and neuro-diverse people who can suggest how we can improve our services and tell us what other work we can do to make sure things are better for people with autism."

    Jo Todd, Managing Director for Key4Learning said:

    "Those with neuro-diversity are entitled to dignity and recognition of their difference so that they can contribute their major skills."

    The new group is also being supported by MP Liz Blackman who chairs the All-Party Parliamentary Group on Autism.

    The Autism and Neurodiversity group will recommend work for the DRC to focus on and comment on how well DRC services (such as our Helpline and website) are tailored to meet the needs of people in the spectrum.

    For more information please contact the DRC press office on 020 7543 7044 or email suzanne.maher@drc-gb.org

    People with autism have their say
    http://www.drc.org.uk/newsroom/newsdetails.asp?id=877§ion=1

    Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 7.11.05

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    Domingo, Novembro 06, 2005

    Medicação para TDAH pode ser efetiva no tratamento da hiperatividade no autismo

    | Medical News Today | Autism News | 6/11/2005 |

    Crianças autistas podem ser beneficiadas por uma medicação comumente prescrita para o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), de acordo com pesquisa publicada no número de novembro do JOURNAL OF THE AMERICAN MEDICAL ASSOCIATION ARCHIVES OF GENERAL PSYCHIATRY.

    No maior estudo de uma medicação estimulante para o autismo já realizado, pesquisadores de 5 centros associados à Rede Autismo de Unidades de Pesquisa em Psicofarmacologia Pediátrica - Research Units on Pediatric Psychopharmacology (RUPP) Autism Network acompanhou 72 crianças em um estudo placebo-controlado. Os pesquisadores estudavam o efeito do metilfenidato, mais conhecido pelo seu nome comercial Ritalina, em crianças hiperativas com autismo e outras desordens do espectro autista associadas a prejuízos da interação social e funcionalidades.

    "Este é um estudo importante porque, até hoje, não há medicação para as desordens do espectro autista aprovada pelo FDA", disse um dos autores do estudo, Dr. David J. Posey, professor associado de psiquiatria e chef do Center de Tratamento do Autismo Christian Sarkine (Christian Sarkine Autism Treatment Center), da Escola de Medicina da Universidade de Indiana (Indiana University School of Medicine ).

    Os pesquisadores pretendiam determinar se o metilfenidato seria efetivo na redução da hiperatividade e impulsividade em crianças com desordens do espectro autista . Cada criança participou de uma fase de uma semana para testar sua tolerância a três diferentes doses da medicação.

    Essa parte do teste foi seguida de uma fase de 4 semanas na qual às crianças foi dada uma das 3 doses de metilfenidato previamente testada ou um placebo. As crianças que apresentaram uma resposta positiva foram tratadas por mais oito semanas para assegurar que suas respostas eram estáveis.

    Não houve sérios efeitos adversos, mas 14 crianças form excluídas do estudo devido a efeitos colaterais. Dos outros 58 que completaram o estudo, 35 responderam bem ao metilfenidato and experimentaram uma significativa redução da hiperatividade. Entretanto, a redução dos sintomas em todo o grupo de 58 não foi tão grande como tipicamente se vê quando esta medicação é usada para tratar crianças com TDAH.

    Análises adicionais estão sendo feitas para determinar se há algum indicador genético de resposta ou tolerabilidade, disse o Dr. Posey.

    "Este estudo mostra que o metilfenidato é uma opção de tratamento para crianças com desordens do espectro autista e hiperatividade", declarou o Dr. Posey. Uma possibilidade terapêutica com o metilfenidato pode ser indicada para crianças com autismo e hiperatividade, já que algumas podem se beneficiar e que efeitos adversos seriam rapidamente contornados uma vez que tanto pais como médicos estão preparados para suspender o tratamento quando significativos efeitos colaterais ocorressem, expôs o médico.

    O estudo foi financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental - National Institute of Mental Health. Outras instituições da RUPP Autism Network envolvidas no estudo são a Universidade Estadual de Ohio - Ohio State University - (principais pesquisadores: Michael Aman e L. Eugene Arnold), Universidade da Califórnia, Los Angeles - UCLA - (principal pesquisador: James McCracken), Universidade de Yale - Yale University - (principal pesquisador: Lawrence Scahill) and Universidade Johns Hopkins - Johns Hopkins University - (principal pesquisador: Elaine Tierney). O Dr. Christopher McDougle, professor e chefe do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Indiana - IU Department of Psychiatry -, fo o principal pesquisador do estudo.

    http://www.iupui.edu
      ADHD Medication May Be Effective in Treatment of Hyperactivity in Autism

      | Medical News Today | Autism News | 06 Nov 2005 |


      Children with autism may benefit from a drug commonly prescribed for attention-deficit hyperactivity disorder (ADHD), according to research published in the November issue of the JOURNAL OF THE AMERICAN MEDICAL ASSOCIATION ARCHIVES OF GENERAL PSYCHIATRY.

      In the largest study yet of a stimulant medication for autism, researchers at five centers associated with the Research Units on Pediatric Psychopharmacology (RUPP) Autism Network enrolled 72 children in a placebo-controlled study. The researchers were studying the effect of methylphenidate, better known by the brand name Ritalin, on hyperactive children with autism and other autism spectrum disorders associated with impairment of social interaction and functioning.

      "This was an important study because to date there is no FDA-approved medication for autism spectrum disorders," said the study's corresponding author David J. Posey, M.D., associate professor of psychiatry and chief of the Christian Sarkine Autism Treatment Center at the Indiana University School of Medicine.

      Researchers were interested in whether methylphenidate would be effective in reducing hyperactivity and impulsiveness in children with autism spectrum disorders. Each child participated in a one-week phase to test tolerance of three different dose levels of the medication.

      That portion of the trial was followed by a four-week phase during which children were given one of the three doses of methylphenidate previously tested or a placebo. Children who had a positive response were treated for an additional eight weeks to ensure their response was stable.

      There were no serious adverse effects, but 14 children withdrew from the study due to intolerable side effects. Of the 58 others completing the study, 35 responded well to methylphenidate and experienced a significant reduction in hyperactivity. However, the reduction in symptoms for the entire group of 58 was not as great as is typically seen when this medication is used to treat children with ADHD.

      Additional analyses are underway to determine if there are any genetic predictors of response or tolerability, said Dr. Posey.

      "This study shows that methylphenidate is a treatment option for children with autism spectrum disorder and hyperactivity," said Dr. Posey. A therapeutic trial of methylphenidate may be indicated for children with autism and hyperactivity since some of these children may benefit and any adverse effects would be brief provided that both parents and practitioners are prepared to suspend treatment when significant side effects occur, he explained.

      The study was funded by the National Institute of Mental Health. Other sites in the RUPP Autism Network involved in this study are Ohio State University (principal investigators Michael Aman and L. Eugene Arnold), UCLA (principal investigator James McCracken), Yale University (principal investigator Lawrence Scahill) and Johns Hopkins University (principal investigator Elaine Tierney). Christopher McDougle, M.D., professor and chair of the IU Department of Psychiatry, was the principal investigator for the IU study.

      http://www.iupui.edu

    ADHD Medication May Be Effective in Treatment of Hyperactivity in Autism
    http://www.medicalnewstoday.com/medicalnews.php?newsid=33143

    Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 6.11.05

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    Sábado, Novembro 05, 2005

    Investigação KOMO 4 Notícias: Morte e negação

    | Tracy Vedder | komo 4 TV, Washington | 4/11/2005 |

    BREMERTON -
    Há, em Bremerton, uma casa para cuidar de quem está entre os mais vulneráveis entre nós: jovens autistas. A entidade é, supostamente, um lugar seguro; um lugar para viver e ser tratado.

    Mas uma investigação exclusiva da Komo TV descobriu que quatro residentes no Centro Frances Haddon Morgan morreram, e outro sofreu abuso sexual. Esta é sua história.

    Fotografias que não têm preço mostram rostos de crianças que eram amadas. Crianças com necessidades especiais; autistas, com atraso no desenvolvimento.

    Suas famílias apelaram ao Estado por ajuda. Entre lágrimas, uma mãe fala de sua angústia de entregar o filho aos cuidados do Estado: "Quando o deixei ir, foi porque o amava."

    Essas famílias encontraram um lugar especial, o Centro Frances Haddon Morgan, em Bremerton. É uma instituição semelhante a um lar, especializada em autismo. Mas para cada uma daquelas crianças que vimos, seu tempo no Centro Morgan resultou em tragédia.

    2 de julho de 2005, 6h05: Krissy Shannon passa mal na sala comum do Centro Morgan. Paramédicos e sua família acreditam que a jovem de 29 anos teve um ataque cardíaco ou convulsão.

    O pai, Denny Shannon, relembra: "era uma estrela especial que se apagou, exceto no meu coração."

    "Não tínhamos idéia de que ela era doente"

    4 de setembro de 2005, 6h30: Jenny Jessup, 27 anos, passa mal em um banheiro do Centro. Morreu de choque séptico devido a uma perfuração no intestino.

    "Não tínhamos idéia de que ela estava tão doente", disse sua irmã e guardiã Marjorie Aust. "E foi tão de repente!"

    As famílias acreditam que ambos morreram de morte natural. Mas, seis semanas depois da morte de Krissy, um patologista, Dr. Emmanuel Lacsina, determinou que Krissy morreu de intoxicação aguda, por um remédio.

    O Dr. Lacsina foi o legista chefe do Condado de Pierce por 13 anos e agora realiza todas as necropsias do Condado de Kitsap. Ele diz que a droga na corrente sangüínea de Krissy é um medicamento muito comum contra alergia: Chlortrimeton.

    "Procurei por ele (o medicamento), e estava alto" disse o Dr. Lacsina sobre o nível de Chlortrimeton no relatório toxicológico de Krissy. "Revi, e estava alto."

    O Dr. Lacsina tem certeza: a droga anti-alérgica matou Krissy. "Sim, tenho certeza."

    Mas, no Centro Morgan, os remédios devem ficar trancados. O pai de Krissy, Denny Shannon luta, entre lágrimas e a revolta: "Estou com muita raiva. Se a intoxicação foi intencional, temos de descobrir quem fez isso, ou se foi acidental e alguém deixou os remédios sem controle. Temos de descobrir a verdade."

    Anita Delight audita o Centro Morgan para a Divisão de Deficiências Mentais do Estado. Quando indagada se a reportagem lhe trazia alguma questão sobre onde Krissy pegou as drogas, ela responde: "Precisamos ter cuidado com a interpretação das informações."

    Em outras palavras, o Estado está questionando o relatório do patologista. A resposta do pai de Krissy? "Penso que o Estado está se preocupando em esconder a verdade."

    'Não se ignora uma dor abdominal'. E sobre Jenny Jessup? Na noite anterior a sua morte, ela reclamou de dor de estômago e começou a vomitar.

    O Dr. Lacsina diz, "para mim, uma dor abdominal é um sintoma muito sério, muitas coisas podem estar acontecendo."

    O patologista reviu as notas da enfermagem do Centro Morgan. Disse que, menos de 12 horas depois de Jenny começar a se sentir mal, morreu com o intestino perfurado.

    "O que chamamos de 'catástrofe abdominal catastrófica' (sic: catastrophic abdominal catastroph) pode ocorrer e assim não se ignora (dor) abdominal - no que me diz respeito, não ignoro dores abdominais."

    Mas, no Centro Morgan, ninguém chamou um médico ou levou Jenny para a sala de emergência, ou fez mais que lhe dar Pepto Bismol - até que ela morreu.

    "O intestino se romper é uma forma dolorosa, muito dolorosa de morrer", diz Aust, "e foi como minha irmãzinha morreu - seus intestinos se romperam."

    Delight responde, "o que eu sei me leva a crer que a equipe atendeu apropriadamente e em tempo." Mas, duas semanas depois da KOMO 4 News fazer as gravações sobre Krissy and Jenny, o Estado escondeu o relatório de um investigador externo.

    Críticos insistem que essas mortes são a grande tragédia de uma instalação estadual que está se desintegrando.

    "O centro de excelência que o Morgan costumava ser já não existe", disse um profissional de saúde do Estado que conhece as operações do Centro Morgan por dentro. Ele nos pediu que protegêssemos sua identidade por medo de retaliações, e acredita que os residentes aida estão correndo perigo.

    "Lá precisa passar por uma mudança administrativa radical. Desafortunadamente, poderá haver mais mortes."

    'Não protegeram Brandon'

    Nos primeiros 26 anos, ninguém morreu no Centro Morgan. Isso mudou em Agosto de 1998, com Arvid Arden. Os cuidadores foram avisados para obsservar Arvid constantemente - ele tinha o problema de roubar comida.Mas ele escapou, entrou na cozinha e enfiou tantas panquecas na boca, que sufocou até a morte.

    Dois anos depois, Bob Elder também morreu. Bob morreu durante uma convulsão. Nas semanas antes de sua morte, os médicos do Centro doctors torcaram seus medicamentos para um que aumentava o risco de convulsões. Ambas as mortes foram descritas como acidentais.

    Então, houve o caso de Brandon Newman. sua mãe, Linda Carter, compara as fotos de Brandon aos 11 anos, com uma aos 12, pouco depois do jovem autista ter se mudado para o Centro Morgan.

    "Há algo no seu rosto, quando eu o olho" ela diz.

    Carter contou aos Serviços de Proteção à Criança que Brandon tinha marcas roxas, queimaduras, um olho roxo e a orelha como uma couve-flor por pelo menos três vezes. A cada vez, o Estado determinou que as reclamações eram infundadas.

    "Parece que acendia uma lâmpada na cabeça deles: lá vem aquela mãe, falando de novo coisas do Centro Frances Haddon Morgan", Carter reclama.

    Então, em fevereiro de 2000, quando Brandon tinha 16 anos, seu cuidador no Centro, Bill Wilson, confessou ter violentado o garoto, repetidamente, por um ano.

    "Dezesseis anos, inocente, não fez nada, e um homem crescido o estava penetrando?", diz Carter. "Isso me arrasa!"

    Wilson levava Brandon para sua casa e o molestava. ninguém no Centro relatava as ausências de Brandon.

    "Não protegeram Brandon," diz Carter, "deixaram um criminoso trabalhar com ele - um estuprador."

    "Há uma coisa,"
    explica Anita Delight, "ninguém, a verificação do seu passado não revelou problemas com ele ser uma pessoa de risco." Quando Wilson foi contratado, o Estado verificou os últimos 10 anos. Sua condenação era anterior.

    Mas ao menos uma pessoa, uma enfermeira do Centro, conhecia o passado de Wilson de perto. KOMO 4 perguntou a Delight sobre a esposa de Wilson, enfermeira registrada que conhecia o passado do marido, trabalhou e ainda trabalha no Centro.

    "Talvez ela soubesse," responde Delight. "Não estou certa se, na época, sabia, ou se a direção do Centro Morgan tinha consciência do passado de Bill."

    O profissional de saúde do Estado tem uma explicação diferente.

    "O que tenho certeza, mesmo recuando à morte de Arvid, é que algo aconteceu, e isso traz responsabilidade; e que a operação de acobertamento começou."

    Mas Delight insiste: "Acredito que temos maior fiscalização agora do que tivemos no passado."

    Investigação Federal

    Nos últimos sete anos, houve quatro mortes, e um brutal estupro no Centro Morgan. O Departamento de Justiça Federal está investigando a instituição.

    Em relatórios preliminares, os investigadores encontraram evidências de abuso e negligência da equipe e determinaram que o Centro não averiguou suficientemente ferimentos suspeitos. O Departamento de Justiça concluiu que os pacientes continuam sob risco.

    Carter acha que é óbvio: "As mortes, quatro mortes? Cinco mortes? O estupro de Brandon? Vamos lá... O que o Estado de Washington faz com todas essas mortes, direto, no Centro Morgan?"

    De novo, Delight se mostra confiante no programa: "Penso que o Centro Morgan dá um extraordinário nível de cuidado para os residentes que ali vivem."

    Mas os pais acham que seus filhos merecem algo mais.

    "São nossas crianças especiais," diz o pai de Krissy. É muito tarde para sua filha, mas ele quer falar pelas outras pessoas que ainda vivem no Centro. "São nossas crianças especiis e alguém precisa olhar por eles."

    E Linda Carter promete, "Vou lutar por Brandon até o fim, até o fim."

    O Estado discorda do relatório do Departamento de Justiça e, em resposta, entregou ao KOMO 4 News seus próprios relatórios. Ambos encontraram problemas menores no Centro Morgan mas, no geral, concluem que o nível de cuidado estava dentro dos padrões aceitáveis.

    No entanto, os dois relatórios foram feitos antes das mortes de Krissy Shannon e Jenny Jessup. Ainda esperamos pelos resultados das investigações sobre as duas mortes.

      KOMO 4 News Investigation: Death And Denial

      By Tracy Vedder | komo 4 TV, Washington |

      BREMERTON -
      There is, in Bremerton, a home to care for some of the most vulnerable among us: young adults with autism. The state-run facility is supposed to be a safe place; a place to live and get treatment.

      But a KOMO 4 News exclusive investigation found that, for the first time in its history, four residents at the Frances Haddon Morgan Center have died, and another was raped. This is their story.

      Priceless photographs show the faces of children who are loved and adored. They are children with special needs; autistic, developmentally delayed.

      Their families turned to the state for help. Through tears, one mother explains the grief of giving her son into the state's care, "And when I let him go, I let him go because I loved him."

      The parents found a special place, the Frances Haddon Morgan Center in Bremerton. It's a home-like institution specializing in autism. But for each of these children we looked at, their time at the Morgan Center ended in tragedy.

      6 a.m. Saturday, July 2, 2005: Krissy Shannon collapses in the common room at a Morgan Center duplex. Paramedics and Krissy's family believe the 29 year-old had a heart attack or seizure.

      Her father Denny Shannon recalls, "special star that's been dimmed, except in my heart."

      'We Had No Idea She Was Sick'

      6:30 .a.m. Sunday, Sept. 4, 2005: 27-year-old Jenny Jessup collapses in a bathroom at the Center. She dies of septic shock from a perforated bowel.

      "We had no idea that she was even sick," says Jenny's sister and guardian Marjorie Aust. "And it was so sudden."

      Both families thought their children died natural deaths. But, six weeks after Krissy Shannon's death, Pathologist Dr. Emmanuel Lacsina ruled Krissy died of acute drug intoxication.

      Dr. Lacsina was Pierce County's Chief Medical Examiner for 13 years and now performs all of Kitsap County's autopsies. He says the drug in Krissy's blood stream is a common, over the counter allergy medication: Chlortrimeton.

      "I looked at it and it was high," says Dr. Lacsina referring to the level of Chlortrimeton in Krissy's toxicology report. "I looked at it again - it was high."

      Dr. Lacsina says he's certain, the allergy drug killed Krissy. "Yes, I am."

      But, at the Morgan Center, all drugs are supposed to be locked up. Krissy's dad Denny Shannon fights tears and anger: "I'm just so angry. If the drug intoxication was done intentionally, we need to find out who it is, if it was accidental and somebody left the drugs out unsupervised, we need to find out what the story is here."

      Anita Delight oversees the Morgan Center for the state's Division of Developmental Disabilities. When asked if the report raises questions in her mind about where Krissy got the drugs she responds, "We have reservations about the interpretation of the information."

      In other words, the state is challenging the pathologist's report. Shannon's response? "I think the state's having to cover their rear end."

      'You Don't Ignore Abdominal Pain'

      What about Jenny Jessup? The night before she died, Jenny complained of a stomachache and began vomiting.

      Dr. Lacsina says, "to me, abdominal pain is a very serious symptom because many things can happen when somebody has abdominal pain."

      The pathologist reviewed the Morgan Center's nursing notes. He says less than 12 hours after Jenny started feeling sick, she died of a perforated bowel.

      "All of this what we call 'catastrophic abdominal catastrophe' can occur so you don't ignore abdominal - as far as I'm concerned I will not ignore abdominal pain."

      But at the Morgan Center, no one called a doctor or took Jenny to the emergency room or did more than give her Pepto Bismol -- until she collapsed.

      "And for it to rupture, that is a painful, painful way to die," says Aust, "and that is how my baby sister died - her intestines blew up."

      Delight responds, "What I know so far leads me to believe that the staff responded appropriately and timely." But, two weeks after KOMO 4 News requested Krissy and Jenny's records, the state hired an outside investigator.

      Critics insist their deaths are the latest tragedies at a state facility that is disintegrating.

      "The center of expertise that the Morgan Center used to be no longer exists," says a state health care professional who knows the operations at the Morgan Center intimately. He asked us to protect his identity because he fears retaliation.

      And he believes residents are still at risk.

      "There needs to be an administrative change otherwise, unfortunately there will probably be more deaths."

      'They Did Not Protect Brandon'

      In its first 26 years, no one at the Morgan Center died. That changed in August of 1998 starting with Arvid Arden. Counselors were supposed to watch Arvid constantly -- he had a problem stealing food. But he got away from them, snuck into the kitchen and stuffed so many pancakes in his mouth, he choked to death.

      Two years later, Bob Elder also died. Bob choked during a seizure. He had a seizure disorder. Yet in the weeks before his death, Center doctors changed his medication to one that increased his risk of seizures. Both deaths were ruled accidental.

      Then there's the case of Brandon Newman. His mother, Linda Carter, compares photos of Brandon at age 11, to one at 12 shortly after the autistic youngster moved into the Morgan Center.

      "Something is going on in his face when I look at this," she said.

      Carter reported that Brandon had bruises, burns, a black eye and a cauliflower ear to Child Protective Services at least three times. Each time, the state ruled the complaints unfounded.

      "A light bulb should have went on in somebody's head; here's another mother, the same mother, calling about the same Frances Haddon Morgan Center," Carter said.

      Then, in February 2000, when Brandon was now 16, his caretaker at the center, Bill Wilson, confessed to raping the boy, repeatedly, for a year.

      "Sixteen years old, innocent, haven't done nothing, and a grown man is penetrating him?" says Carter. "That eats me up."

      Wilson had been taking Brandon to his home and molesting him. No one at the center ever reported Brandon's absences.

      And no one said anything about Bill Wilson's record. He'd done three years for armed robbery and burglary.

      "They did not protect Brandon," says Carter, "they let a criminal work with him -- a rapist."

      "For one thing," explains the state's Anita Delight, "nobody, his background check did not reveal concerns about him as a person of potential risk." At the time Wilson was hired, the state only checked back 10 years. His conviction pre-dated that.

      But at least one person, a nurse at the center, knew Wilson's criminal background intimately. KOMO 4 asked Delight about Wilson's wife, a registered nurse who knew her husband's background and worked at the Center and who still works at the Center.

      "She might have known that," answers Delight. "I am not aware that at that point in time, management at Morgan Center knew what Bill's background was."

      The state health care professional has a different explanation.

      "What I'm aware of, even going back to Arvid's death, something happens and it becomes a liability issue and the cover-up begins."

      But Delight insists, "I believe that we have more oversight now than what we have had in the past."

      Federal Investigation

      In the last seven years, there have been four deaths, and a brutal rape at the Morgan Center. The Federal Justice Department is investigating the facility.

      In preliminary reports, the feds found evidence of staff abuse and neglect and determined the Center does not fully investigate suspicious injuries. The Justice Department concluded patients continue to be at risk.

      Carter believes it's obvious: "The deaths, four deaths? Five deaths? Brandon's rape? Come on. What is the state of Washington doing with all these deaths in one spot, right at the Morgan Center?"

      But again, Delight is confident in the program: "I think that the Morgan Center provides an extraordinary level of care to the residents who live here."

      But, the parents believe their children deserve something more.

      "They're our special babies," says Krissy's dad. It's too late for his daughter, but he wants to speak out for the other people still living at the facility. "They are our special babies and somebody needs to watch out for them."

      And Linda Carter vows, "I'll fight for Brandon 'til the end, 'til the end."

      The state disagrees with the Department of Justice report and, in response, gave KOMO 4 News reports it commissioned. Those reports both found minor problems at the Morgan Center but, in general they concluded the level of care was within accepted standards.

      But all those reports were written before Krissy Shannon and Jenny Jessup died. We are still waiting for the results of investigations into those deaths.
    Death And Denial
    http://www.komotv.com/stories/40094.htm

    Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 5.11.05

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