Sexta-feira, Outubro 29, 2004
Projeto de lei do transporte "penaliza" crianças autistas no Reino Unido
| Medical News Today | 29/10/2004 |
O projeto de lei de transporte do Governo não leva em consideração as necessidades especiais de transporte dos alunos com deficiência, uma instituição de caridade alertou.
A NAS (
National Autistic Society - Sociedade Autista Nacional) disse que os planos de abolir o transporte escolar gratuito pode ter um efeito danoso nas crianças autistas.
A NAS alertou que direitos básicos de transporte no nível das necessidades educacionais especiais devem ser esclarecidas e explicitadas por escrito na lei, que foi submetida a sua segunda leitura no Parlamento ontem.
Levantamento rfecente da NAS verificou que 50% dos resposnsáveis de pessoas autistas disseram que o transporte era uma dificuldade e 11% indicaram que o transporte disparava problemas comportamentais.
"Muitas crianças autistas viajam longas distâncias para ter acesso à educação apropriada," disse a responsável por políticas e campanhas, Amanda Batten.
"É importante que essas crianças não sejam penalizadas pela má distribuição local de recursos, sendo sobrecarregadas de acordo com o tamanho de suas jornadas. Crianças com deficiência não deveriam ser sujeitas a ônus financeiros como conseqüência de suas deficiências."
A proposta de transporte solidário (compartilhamento de carro) poderia também causar ansiedade às crianças, alerta a sociedade, o que poderiam prejudicar sua capacidade de aprender quando chegassem à escola.
Draft transport bill 'penalises' autistic children, UK
The Government's draft transport bill takes no consideration of the special transport needs of disabled pupils, a leading charity has warned.
The National Autistic Society (NAS) said plans to abolish free school transport could have a detrimental effect on children with autism.
It called for basic entitlements to transport on the grounds of disability or special educational needs to be clearly and explicitly written into the bill, which underwent its second reading in Parliament yesterday.
A recent NAS survey found that 58 per cent of those caring for a person with autism said transport was difficult for their charges and 11 per cent indicated that transport triggered behavioural difficulties.
"Many children with autism travel long distances to access appropriate education," said NAS policy and campaigns officer for children, Amanda Batten.
"It is important that these children are not penalised for the lack of provision locally by being charged according to the length of their journey. Disabled children should not incur financial penalties as a consequence of their disability."
Car-share proposals could also cause the children anxiety, the society warned, which in turn could damage their ability to learn when they arrive at school.
Draft transport bill 'penalises' autistic children, UK
http://www.medicalnewstoday.com/medicalnews.php?newsid=15625
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 29.10.04
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Criança autista esquecida em ônibus por 8 horas
| Dave Murray | The Grand Rapids Press | 17/10/2004 |
Um motorista de
Grand Rapids deixou uma criança do jardim de infância sozinha por 8 horas em um ônibus estacionado na sexta-feira, levando os administradores do distrito a suspendê-lo e dar início a uma investigação.
A criança da
Aberdeen Elementary School aparentemente ficou no ônibus sem ter sido notada pelo motorista, depois da corrida das oito e meia para a escola, disse o Superintendente Bert Bleke.
A equipe da escola não relatou a ausência da criança na classe, e assim a família não soube de nada errado até que ele não desceu do ônibus, às 4 da tarde.
Autistic child left 8 hours on bus
A Grand Rapids school bus driver left an autistic kindergarten student alone for eight hours on a parked bus Friday, leading district administrators to suspend the driver and launch an investigation.
The Aberdeen Elementary School student apparently stayed on the bus undetected by the driver after the 8:30 a.m. run to school, Superintendent Bert Bleke said.
School staff members didn't report the boy missing from class, so the family did not know anything was wrong until he did not get off the bus about 4 p.m.
Autistic child left 8 hours on bus
http://www.mlive.com/news/grpress/index.ssf?/base/news-17/109800825586870.xml
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 29.10.04
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Terça-feira, Outubro 26, 2004
Risperidona associada a várias melhoras em crianças autistas
| Paula Moyer | Doctor's Guide |
WASHINGTON, DC - 22/10/2004 - Crianças autistas que são tratadas com risperidona (Risperdal) apresentam significativa melhora nos sintomas comportamentais,de acordo com descobertas apresentada dia 21 de outubro, no
American Academy of Child and Adolescent Psychiatry 51st Annual Meeting (51º Encontro da Academia Americana de Psiquiatria da Infância e Adolescência).
"Uma baixa dosagem de risperidona é eficaz e bem tolerada em pacientes pediátricos com autismo", disse Gahan Pandina, PhD, Diretor Associado da Clinical do Desevolvimento, Negócios Médicos da Janssen, Titusville, New Jersey.
"Não há diferença entre a contagem dos sintomas extrapiramidais dos grupos antes e depois do tratamento."
Ele e seus colegas analisaram dados de um amplo estudo duplo-cego de crianças com diversas desordens globais do desenvolvimento. Os 55 pacientes na pesquisa eram crianças entre 5 e 12 anos qwue tinham autismo como é caracterizado pelo
DSM-IV (
Diagnostic and Statistical Manual-IV - Manual de Diagnóstico e Estatística - IV).
As crianças foram distribuídas aleatoriamente em dois regimes de 8 semanas: 27 receberam risperidona e 28, placebo. Os do grupo da risperidona receberam doses progressivamente maiores. Assim, ao final do estudo, receberam uma dose média de 0,04 mg/kg/dia. Foram avaliados através da Aberrant Behavior Checklist (ABC) [Lista de Verificação de Comportamento Anômalo], a
Clinical Global Impressions-Change (CGI-C) scale [escala CGI], e a
Extrapyramidal Symptom Rating Scale (ESRS) [escala de sintomas extrapiramidais].
Os 43 meninos e 12 meninas tinham a idade médica de 7,3 anos; 62% brancos e 55,5 de QI médio.
Os pesquisadores documentaram melhoras significativas com risperidona, incluindo: redução na sub-escala de irritabilidade ABC, com redução média de 13,4 em pacientes tratados e 7,2 em pacientes placebo (P < 0,001). Na sub-escala de letargia e retraimento social, os pacientes risperidona tiveram uma redução média ABC de 7,7 comparado com 4,1 no grupo placebo (P < 0,05). Na sub-escala da hiperatividade, pacientes tratados tiveram uma redução média de 16,1 comparado com 7,1 dos com placebo (P < 0,001).
Ao final do estudo, as melhoras pela escala CGI foram significativamente maiores com a risperidona que com placebo (P < 0,001). Houve um significativo aumento na taxa de resposta nos pacientes tratados, a qual foi definida como ao menos uma melhora de 25% na pontuação ABC de irritabilidade e um resultado de "muita melhora" na escala CGI. A taxa de resposta ao final do estudo foi 58,3% no grupo risperidona e 21,4% no grupo placebo (P = 0,008).
As pontuações ESRS foram baixas ao nível da linha de base e não mudaram significativamente ao final, relatou Dr. Pandina. Estes sintomas se desenvolveram em dois pacientes risperidona, enquanto um paciente placebo desenvolvia discinesia tardia. A ocorrência adversa mais comum foi sonolência, que ocorreu em 74,1% dos pacientes tratados e 7,1% dos pacientes placebo.
[Título do artigo:
"Risperidone Improves Symptoms in Children With Autism." Abstract B56]
AACAP: Risperidone Linked to Several Improvements in Children With Autism
WASHINGTON, DC - October 22, 2004 - Children with autism who are treated with risperidone (Risperdal) experience a significant improvement in their behavioral symptoms, according to findings presented here October 21st at the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry 51st Annual Meeting.
"Low-dose risperidone is efficacious and well tolerated in pediatric patients with autism," said Gahan Pandina, PhD, Associate Director, CNS Clinical Development, Janssen Medical Affairs, Titusville, New Jersey. "There was no difference between the groups' extrapyramidal symptoms score before and after treatment."
He and his co-investigators analysed data from a large double-blind study of children with diverse pervasive developmental disorders. The 55 patients in the current research were children 5 to 12 years old who had autism as characterised by the Diagnostic and Statistical Manual-IV.
Children were randomised to two 8-week regimens: 27 received risperidone and 28 received placebo. Those in the risperidone group were titrated upward so that by the study's end, they received an average dose of 0.04 mg/kg/day. They were evaluated using the Aberrant Behavior Checklist (ABC), the Clinical Global Impressions-Change (CGI-C) scale, and the Extrapyramidal Symptom Rating Scale (ESRS).
The 43 boys and 12 girls were an average of 7.3 years old; 62% white, and had an average IQ of 55.5.
The investigators documented significantly greater improvements with risperidone. Improvements included decreases in the ABC irritability subscale, with an average decrease of 13.4 in treated patients and 7.2 in placebo patients (P < .001). On the lethargy and social withdrawal subscale, risperidone patients had an average ABC decrease of 7.7 compared to 4.1 in the placebo group (P < .05). On the hyperactivity subscale, treated patients had an average decrease of 16.1 compared to 7.1 with placebo (P < .001).
By the study's end, CGI-C improvements were significantly greater with risperidone than placebo (P < .001). There was a significantly higher rate of response in the treated patients, which was defined as at least a 25% improvement in the ABC irritability score and CGI-C score of "much improved." The response rate by the study's end was 58.3% in the risperidone group and 21.4% in the placebo group (P = .008).
Average ESRS scores were low at baseline and not significantly changed at end point, Dr. Pandina said. These symptoms developed in two risperidone-treated patients, while one placebo patient developing tardive dyskinesia. The most common adverse event was somnolence, which occurred in 74.1% of treated patients and in 7.1% of placebo patients.
[Presentation title: "Risperidone Improves Symptoms in Children With Autism." Abstract B56]
AACAP: Risperidone Linked to Several Improvements in Children With Autism
http://www.docguide.com/news/content.nsf/news/8525697700573E1885256F3500677701?OpenDocument&subsid=FDE48C5AAAA580E785256BD5007E630B&lan=English
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 26.10.04
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Segunda-feira, Outubro 25, 2004
Detalhadas as diferenças no autismo
Aqueles com problemas de linguagem mostram alterações no cérebro
| Dennis Thompson | Annals of Neurology, 11/10/2004 | via www.healthday.com |
Cientistas descobriram que meninos autistas com prejuízo da linguagem apresentam estruturas cerebrais diferentes de meninos autistas com habilidades de linguagem normais.
Um estudo na edição atual dos
Annals of Neurology descobriu que um centro de linguagem do cérebro - a
área de Broca - é, aparentemente, normal em meninos autistas cujas habilidades de linguagem são normais.
Em contraste, meninos autistas com problemas de linguagem apresentam anormalidades cerebrais que se parecem com aquelas vistas em meninos não-autistas que apresentam uma rara desordem chamada Prejuízo Específico da Linguagem (
Specific Language Impairment -SLI). Crianças com esse prejuízo têm atraso no desenvolvimento da linguagem, mas seus desenvolvimentos cognitivo e sócio-emocional são normais.
A pesquisa sustenta a idéia de que o autismo não é uma desordem única, mas um agrupamento de desordens relacionadas com sintomas em comum, disse o pesquisador-chefe Gordon Harris, do
Massachusetts General Hospital, de Boston.
Este estudo é o primeiro a mostrar uma relação direta, baseada no cérebro, entre autismo, o Prejuízo Específico da Linguagem e o dom da linguagem, disse Harris em uma declaração oficial.
No estudo, os cientistas usaram ressonância magnética para comparar as áreas de linguagem do cérebro de meninos autistas com e sem haiblidades da fala.
Os pesquisadores descobriram que o grau da linguagem estava relacionado ao grau de anormalidade na área de Broca do cérebro.
Differences in Autism Detailed
Those with language problems show brain changes
WEDNESDAY, Oct. 13 (HealthDayNews) - Autistic boys with language impairment have brain structures different from autistic boys with normal language abilities, researchers have found.
A study in the current online edition of Annals of Neurology found that a language center in the brain -- Broca's area -- is apparently normal in autistic boys whose language skills are normal.
By contrast, autistic boys with language problems suffer brain abnormalities that match those seen in non-autistic boys who have a rare disorder called Specific Language Impairment (SLI). Children with SLI have delayed language development, but their cognitive and social-emotional development proceeds normally.
The research supports the idea that autism is less a single disorder, and more a grouping of related disorders with overlapping symptoms, said lead researcher Gordon Harris of Massachusetts General Hospital in Boston.
"This study is the first to show a direct, brain-based link between autism, SLI and language ability," Harris said in a prepared statement.
In the study, Harris and his colleagues used MRI to compare the brain language areas of autistic boys with and without language impairment.
The researchers found the degree of language impairment was related to the degree of abnormality in the Broca's area portion of the brain.
Differences in Autism Detailed
http://www.healthday.com/view.cfm?id=521706
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 25.10.04
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Sábado, Outubro 23, 2004
Dirigentes educacionais são alvo da ira de uma mãe
| Liz Hazeltron | icCoventry | 8/10/2004 |
Uma mãe frustrada jurou manter fora da sala de aula seu filho autista de 12 anos até que ele tenha a educação especial que acredita que precisa.
Kyle Sugrue, de Vicarage Lane, Ash Green, atualmente está na lista da Ash Green School, mas sua mãe Cheryl diz que seu comportamento se deteriorou desde que foi ali matriculado.
E ela diz que o último encontro com o Conselho do Condado Warwickshire, na quarta-feira, não resolveu nenhum dos problemas.
Cheryl contou:
-
"A inspeção toda levou vinte minutos e o psiquiatra educacional não estava lá.
"Ainda estou em uma posição derrotada e quero que Kyle seja colocado em tempo integral em uma escola especial.
"Ele quer voltar à escola - não consegue se virar em casa - mas não quero que vá para Ash Green. Ele não consegue acompanhar o trabalho.
"Acho que o conselho tem encaminhado o caso muito mal. Kyle está completamente alterado, está tão frustrado!"
Ela disse que conseguiu uma avaliação na Exhall Grange School, para a semana que vem.
Kyle foi diagnosticado aos cinco anos como autista limítrofe (
borderline) e teve uma instrução um-a-um na escola primária antes de ser designado para uma escola secundária regular.
Cheryl disse que o comportamento dele piorou tanto que ele tem sido exluído da escola e apenas tem podido acompanhar parte do tempo nos últimos seis meses.
Ela estima que o filho perdeu cerca de 12 meses de educação.
Jordan, o irmão de três anos de Kyle, acabou de ser diagnosticado como autista e está matriculado na creche da Blythe School em Packington Lane, Coleshill, que atende crianças com necessidades especiais.
Beryl Lockwood, assitente do secetário de educação do condado, explicou:
-
"Oferecemos uma matrícula na Exhall Grange School.
"A família foi questionada se queria indicar qualquer outra escola que achassem que fosse a melhor para Kyle."Education bosses are target of angry mum
A frustrated mother has vowed to keep her 12-year-old autistic son out of the classroom until he gets the special education she says he needs.
Kyle Sugrue, of Vicarage Lane, Ash Green, is currently on the roll of Ash Green School, but mum Cheryl says his behaviour has deteriorated since he was moved there.
And she says the latest meeting with Warwickshire County Council, held on Wednesday, failed to solve any of the problems.
Cheryl said: "The whole review took 20 minutes and the educational psychiatrist wasn't there.
"I'm still in a no-win situation and want Kyle to be put full-time into a special school.
"He wants to be back at school - he can't cope with home - but I don't want him to go to Ash Green. He can't do the work.
"I think the council has handled it very badly. Kyle has completely changed, he's so frustrated."
She said an assessment had now been arranged at Exhall Grange School which should take place next week.
Kyle was identified at the age of five as borderline autistic and had one-to-one tuition at primary school before being allocated a mainstream secondary place.
Cheryl said his behaviour had deteriorated so much he had been excluded from school and has only been allowed to attend part time for the last six months.
She estimates he has missed out on about 12 months education.
Kyle's three-year-old brother Jordan has just been diagnosed as autistic and attends the nursery at Blythe School, Packington Lane, Coleshill, which caters for children with special needs.
Beryl Lockwood, assistant county education officer, said: "An assessment has been arranged at Exhall Grange School.
"The family has been asked to nominate any other schools they feel are appropriate for Kyle."
Education bosses are target of angry mum
http://iccoventry.icnetwork.co.uk/0100news/0100localnews/page.cfm?objectid=14734244&method=full&siteid=50003
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 23.10.04
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Sexta-feira, Outubro 22, 2004
Islã também quer dizer amor
| Revista Cidade Nova, outubro de 2004 | Editora Cidade Nova |Na Turquia, Sabahat Aksiray fundou em Esmirna um centro para crianças autistas. A iniciativa faz parte de seu intuito de resgatar o amor e a paz, princípios fundamentais do Islã. Michele Zanzucchi
Sabahat Aksiray, agora com 73 anos, continua sendo uma personagem fora do comum. Há muito tempo ela sente que a sua missão no mundo é levar conforto aos seus semelhantes. Uma missão que ela vê como um mandato divino inspirado por Alá. Para isso criou a Fundação I.nsan Dost Ihsan Vakfi, cuja principal obra é uma escola para crianças autistas.
Fui conhecer o seu trabalho para depois entrevistá-la. Visitei primeiramente um local que fica a 30 quilômetros de Esmirna, em Menemen, Turquia. É um terreno amplo que Sabahat recebeu como doação do governo da província. Nesse local ela deseja construir não só a escola para crianças autistas, mas também outros centros mais ligados aos objetivos espirituais de sua fundação.
O nosso acompanhante era Ceyhan Özkavalcioglu, um senhor sorridente de uns 50 anos de idade. Ele era um comerciante de frutas e verduras muito rico, mas entregou suas lojas a seus empregados para poder se dedicar completamente ao trabalho com Sabahat.
Desde criança Ceyhan se perguntava:
"Por que existem pessoas que vão ao inferno e pessoas que vão para o paraíso?" Certa vez recebeu de um floreiro da fundação um bilhete no qual estava escrito que quem se distanciava de Deus dirigia-se sozinho para o inferno, enquanto quem se aproximava dele encontrava o paraíso. Desde aquele momento decidiu trabalhar na obra de Sabahat.
Juntamente com Sabahat e o diretor do centro, Saadettin Akg, conversamos longamente sobre Mevlâna e Yunus Emre, grandes místicos da corrente sufista do Islã. A um certo ponto Sabahat comentou:
"Quando Mevlâna morreu, participaram do seu funeral também cristãos e hebreus. Ele dizia que tinha amigos de 72 países, como também vocês dos Focolares dizem. E também eu vejo que consigo fazer amigos em todos os lugares, também entre hebreus e cristãos".
A um certo ponto Sabahat lamentou - o que fez muitas vezes durante a nossa visita - o pouco conhecimento do Alcorão, devido à obrigatoriedade de ser lido em árabe.
"Lendo o Alcorão em turco eu me aproximei de Deus, e entendi que esse livro vem de Deus. Mas também a natureza e o universo são livros de Deus. Nenhum mal pode vir de Deus. Todo o negativo vem só do homem. O Alcorão me ensinou que se deve amar o homem", explica Sabahat.
O início de tudo
Pergunto a Sabahat como foi o início de seu trabalho com a fundação. Ela respondeu:
"Tudo começou em 1991, ano dedicado pela Unesco a Yunus Emre. Para recordá-lo, organizei durante seis meses uma grande manifestação artístico-cultural no teatro de Éfeso. Participaram mais de 26 mil pessoas. O dinheiro arrecadado naquela noite, proveniente do povo, devia retornar ao povo. Naquele período soube que ninguém cuidava das crianças autistas, que são mais de 500 só em Izmir. Eu redigi o projeto, que teve o apoio não somente de muitos amigos muçulmanos, mas também dos cristãos, graças à Caritas e ao Vaticano, que me enviaram uma boa soma em dinheiro. Também a prefeitura de Esmirna fez algo pelo projeto. E o governo paga os salários de 44 professores, para 63 crianças autistas que não podem assumir as despesas porque as suas famílias são pobres".
E ela continuou:
"Nesta ação, a colaboração com os cristãos é bem desenvolvida: todos somos irmãos! Na minha opinião, o mundo é como uma floresta, na qual todas as árvores fazem sombra umas às outras, dependendo do momento: ao amanhecer algumas fazem sombra às outras e vice-versa ao pôr-do-sol. Elas estão sempre em comunicação entre si, vivem umas pelas outras. A humanidade também é assim".
Já no fim da entrevista ela me diz:
"Deus me disse: 'Não amo quem está parado, mas quem está em movimento'. O amor de Deus deve ser vivido, para que exista a paz na terra: os terroristas são homens de cujos corações Deus retirou o seu amor".
Depois começamos a visita ao Centro, formado por diversos ambientes, porque, na maioria das vezes, as crianças autistas precisam de um acompanhamento personalizado. Os professores, quase todos jovens, transmitem uma serenidade que nem sempre se encontra em ambientes de trabalho intenso.
O Centro utiliza também a terapia com o uso de animais e, sobretudo, de um cavalo com o qual as crianças, em geral, dão passos de gigante em sua reabilitação. Mas o sonho de Sabahat é utilizar no centro a melhor terapia que existe para os autistas, ou seja, a terapia com os golfinhos.
Momento esperado
Ao anoitecer ela me levou à sede da fundação de Sabahat. Um homem de mais ou menos 50 anos aproximou-se de mim e disse:
"Vocês têm o papa, nós temos Maria", referindo-se à casinha de Éfeso, na qual a tradução diz que Maria deve ter vivido os últimos anos de sua vida.
O encontro realizou-se de modo informal e culminou numa oração. A um certo ponto Sabahat disse:
"Construímos entre todos nós uma amizade a partir do estudo dos nossos filósofos, da familiaridade com os sábios da Anatólia. Pois bem, esta mesma amizade eu a encontrei hoje também com você, hóspede cristão. Nem nós, nem você, esperávamos algo uns dos outros, mas estávamos na disposição de nos amarmos como irmãos. E nos entendemos."
Depois chegou o momento mais importante da noite quando Sabahat partilha o que está sentindo no seu coração. Com convicção declamou uma espécie de poesia que dizia:
"Eu vi a beleza de Deus em tudo, depois de tê-lo procurado. Pedi-lhe que me fizesse encontrar o caminho para chegar a ele. E ele me respondeu: 'Na estrada em que caminha, você não encontra o que procura? Você não foi preenchida de amor enquanto caminhava? Não nasceu à luz do amor? Falando com Mevlâna, compartilhando com eles os favores místicos, com Meryem, com Fatma, não encontrou o conhecimento? No sol e na lua, nas estrelas e na água, de Adão a Maomé, todos não lhe ajudaram? Não sou eu aquele que você buscava e aquele que encontrou? Se você não está na eternidade, não conhece aquele que procura. Em todo homem existe o desejo de estar próximo do outro, de partilhar tudo. Olhe o passado, olhe as rosas que nascem na alma. O meu amor ao próximo deve sempre permanecer' ".
Terminado aquele momento Sabahat explicou:
"Eu encontrei Deus nos místicos, mas sobretudo no amor ao próximo". É uma afirmação que toca as pessoas e que não é tão comum no Islã. Sabahat insiste:
"Aquilo que Deus me sugere não é para mim, mas para os outros. Amando as criaturas eu não me canso, me sinto no positivo, como nesta noite com vocês, com os quais eu estabeleci um relacionamento particular. Foi por isso que falei assim".
E concluiu:
"O que significa a palavra Islã? Amor, paz e confiança. Mas poucas pessoas sabem disso. Muitos lêem o Alcorão como um livro escrito contra os cristãos! Que falsidade!"
Islã também quer dizer amor
http://www.cidadenova.org.br/newsite/bibliotecaartigos/revistamateria.asp?art=1631
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 22.10.04
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Cooperação Kuwait-Arábia Saudita no campo do autismo
| KUNA - Kuwait News Agency | 22/10/2004 |
Khazna Saeed, psicóloga no Centro de Autismo do Kuwait, comemorou a cooperação kuwaitiana-saudita no campo do autismo, frisando que essa cooperação conserva-se por mais de um ano letivo, com o fim de prover os melhores serviços para as pessoas autistas. Falando para a KUNA, Saeed disse que uma equipe do Centro recentemente esteve na Arabia Saudita a pedido do Centro Jeddah de Autismo, parte da Sociedade Feminina Al-Faisalia.
"O convite nos permitiu perticipar na avaliação de turmas, professores e programas oferecidos para pessoas com autismo na Arábia Saudita, e participar de comitês para selecionar candidatos para supervisão no Centro Jeddah", disse Saeed.
Ela explicou que foram realizadas entrevistas individuais com os candidatos; uma hora para cada, levando à seleção de quatro das supervisoras por mostrarem-se capazes de fazer jus às responsabilidades delas exigidas e de cuidar de pessoas autistas.
Saewed elogiou os esforços da Presidente da Sociedade Al-Faisalia, Princesa Fahdah Bent Saud em dar apoio e os meios para uma cooperação kuwaitiana-saudita neste campo, aplaudindo ainda os esforços de Fawziyah Al-Tasan, diretora da Sociedade por sua preocupação em fazer essa cooperação ter sucesso.
Kuwaiti-Saudi cooperation in the field of Autism
KUWAIT, Oct 22 (KUNA) - Psychologist at Kuwait Autism Center Khazna Saeed hailed the Kuwaiti-Saudi cooperation in the field of autism, noting that the cooperation lasted for more than one scholastic year, with the aim of providing the best services for people with autism. Speaking to Kuwait News Agency (KUNA) Saeed said that a team from Kuwait Autism Center has recently headed for Saudi Arabia answering an invitation from Jeddah Autism Center, subsidiary of Al-Faisalia Women Society.
"The invitation came to allow us to participate in evaluating the classes, teachers and programs offered for people suffering from autism in Saudi Arabia, and to participate in the committee to select candidates for supervision in Jeddah's center," said Saeed.
She explained that individual interviews were conducted with the candidates; an hour for each, leading to the selection of four of female supervisors for having the capability to be up to the responsibilities entrusted to them and to care for people with autism.
Saeed commended the efforts of the Chairwoman of Al-Faisalia Society Princess Fahdah Bent Saud in supporting and facilitating the means for a Kuwaiti-Saudi cooperation in this field, praising at the same time the efforts of the Society's Director Fawziyah Al-Tasan for her concern to make this cooperation succeed.
Kuwaiti-Saudi cooperation in the field of Autism
http://www.kuna.net.kw/English/Story.asp?DSNO=674315
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 22.10.04
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Quarta-feira, Outubro 20, 2004
Abrindo a Bretanha para todos
Jorge Fernandes passou para a lista [estatuto_do_deficiente@yahoogrupos.com.br] em 30/9/2004
Caros amigos, acabei de receber um lembrete da
Disability Right Comission [
DRC], do Reino Unido, informando que amanhã, 1 de Outubro, entra em vigor, na sua plenitude, o
Disability Discrimination Act. Do ponto de vista legislativo, esta é seguramente a legislação mais rigorosa existente nos 25 Estados-Membros da União Europeia, no que diz respeito a Direitos das Pessoas com Deficiência. Estou em crer que as Directivas comunitárias irão dentro de alguns anos recomendar algumas das linhas de orientação da DDA aos Estados-Membros, e daqui a umas décadas teremos uma Lei Anti-Discriminação em todos os Estados-Membros da UE, em tudo muito semelhante à DDA e que globaliza os princípios da
American Disabled Act (ADA), dos Estados Unidos da América.
Segue abaixo a nota em Inglês.
Jorge Fernandes
[início da nota traduzida]
Abrindo a Bretanha para todos
1º de outubro é o começo de uma nova era para as pessoas deficientes, quando o estágio final da Parte 3 do Ato da Discriminação dos Deficientes (DDA) vem a público. Dois milhões de negócios e serviços do setor público devem tomar ações para garantir que as pessoas com deficiência tenham acesso a eles - beneficiando milhões de outros no processo. Qualquer um que preste um serviço - de lojas a academias de ginástica, prefeituras a boates, será afetado.
Completando o quadro - determinação de aspectos físicos
É claro que prestadores de serviço públicos e privados já têm a obrigação de não discriminar, adaptar procedimentos e práticas, prover apoio e equipamentos para dar acessibilidade - mas as novas obrigações se relacionam a mudanças físicas dos paradigmas, para completar o quadro. Tomadas em conjunto, todas as obrigações da Parte 3 do
DDA significam que qualquer um que preste serviços ao público precisa levar em consideração barreiras como portas, passagens estreitas, procedimentos restritivos de evacuação de incêndios, fornecendo informações em quadros grandes e garantindo que os websites sejam acessíveis, instalando um loop indutivo ou treinando pessoal para receber as pessoas que tenham dificuldade de linguagem ou que experimentem ansiedade.
Resposta positiva
A
Comissão para os Direitos dos Deficientes (
DRC) trabalhou ao lado de uma gama de provedores de serviços na definição de orientações para setores específicos - como hospitais, bares, cabeleireiros, cafés e centros de lazer. A
DRC também produziu materiais de auto-ajuda para garantir que as pessoas com deficiência consigam explicar o que ainda precisam que seja feito em lojas, cinemas, dentistas, bares e piscinas. Continuaremos a fazer de tudo para garantir que as empresas possam responder positivamente às mudanças e enxergar os benefícios - mas onde as pessoas não respeitarem a lei, ela será aplicada. Uma orientação mais ampla está no site da
Open 4 All.
Mudanças na lei do emprego
A lei também muda na questão do emprego. A partir de 1º de outubro, está infringindo a lei qualquer empregador que discriminar uma pessoa com deficiência ao escolher alguém para um emprego ou avaliar as pessoas para promoção, demissão ou excedente de pessoal. Os empregadores devem rever suas práticas de recrutamento e estabilidade, para assegurar que não colocarão barreiras desnecessárias para as perspectivas profissionais de pessoas com deficiência. Também precisarão considerar coisas como opções de trabalho flexíveis e a disponibilidade de equipamentos; por exemplo, mudanças nos tipos de tarefas, na jornada de trabalho. Providenciar teclados adaptados ou softwares ativados por voz pode assegurar que pessoas com deficiências tenham como conseguir um emprego e mantê-lo. Para mais informações, consulte o site da
DRC.
Um grande passo na direção certa
Muitas pessoas lutaram com determinação por este dia. Estas determinações estiveram no livro de estatutos por nove anos e, assim, houve bastante tempo para preparar e muitos, inclusive eu mesmo, lutaram longa e arduamente por um Ato de Discriminação dos Deficientes em primeiro lugar. Agora, pela primeira vez, pessoas com deficiências Têm o direito legal de insistir para ter serviços adaptados. Este não é o fim do caminho na busca pelos direitos humanos para as pessoas com deficiência mas é, certamente, um grande passo na direção certa.
Esperamos que você comemore conosco esta data significativa na longa história da luta por igualdade das pessoas com deficiência.
Bert Massie
Disability Right Comission
Making Britain Open 4 All
1 October is the start of a new era for disabled people, when the final stages of Part 3 of the Disability Discrimination Act come into force. 2 million businesses and public sector services have to take reasonable action to ensure disabled people can use them - benefiting millions of others in the process. Anyone who provides a service - from shops to gyms, town halls to nightclubs, will be affected.
Completing the picture - addressing physical features
Of course, public and private service providers have already had duties not to discriminate, to alter policies and practices, to provide aids and equipment to improve access - but the new duties relate to physical changes to premises, completing the picture. Taken together, all the duties in Part 3 of the DDA mean that anyone providing a service to the public has to consider barriers such as heavy doors, narrow aisles, restrictive fire and evacuation policies, providing information in large print and ensuring websites are accessible, installing an induction loop or training staff to welcome people who have difficulties with their speech or experience anxiety.
Responding positively
The DRC has worked closely with a range of service providers to provide sector specific guidance - such as hospitals, pubs and bars, hairdressers, cafes and leisure centres. The DRC also has produced self-help materials to ensure that disabled people are able to explain what still needs to be done by shops, cinemas, dentists, pubs and swimming pools. We will be continuing to do everything we can to ensure business can respond positively to the changes and see the benefits - but where people flout the law we will use it to take action. More comprehensive guidance is available from our Open 4 All website.
Changes in employment law
The law also changes on employment. From 1 October it is unlawful for any employer to discriminate against a disabled person when choosing someone for a job or considering people for promotion, dismissal or redundancy. Employers need to review their recruitment and retention policies to ensure that they don't put unnecessary barriers in the way of disabled people's employment chances. They will also need to consider how flexible working options and the provision of equipment, for example, reasonable changes to job descriptions or working hours or providing an adapted keyboard or voice-activated software, can ensure that disabled people can get and keep jobs. For more information on the changes to employment law, please follow the link to the DRC website.
A big step in the right direction
Many people have fought with determination for this day. These duties have been on the statute book for nine years so there has been plenty of time to prepare and many, including myself, fought long and hard for a Disability Discrimination Act in the first place. Now, for the first time disabled people will have a legal right to insist that they can get in and around services. This isn't the end of the road in the quest for human rights for disabled people but it is certainly a big step in the right direction.
We hope you will join with us in celebrating this significant date in the long history of disabled people's struggle for equality.
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Bert Massie
Chairman
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 20.10.04
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Segunda-feira, Outubro 18, 2004
Alerta acaba em morte
| Sara Evans, John Doran e Jody Lawrence-Turner | Statesman Journal | 16/10/2004 |
Sexta-feira cedo, agentes do Condado de Linn alvejaram e mataram um homem que tinha seqüestrado um menino autista de onze anos na quinta-feira.
O garoto, Tanner Dane Kahn, dormia no banco de trás da caminhonete em que Jeffrey Alan Eggiman, 38, foi alvejado, contaram os policiais.
Tanner voltou ileso para sua mãe, Tanya Kahn, na manhã do mesmo dia. Eggiman era namorado de Tanya.
Tanner foi raptado na quinta-feira cedo na quadra 700 da Rua N Pershing, levando a um Alarme Amber - uma busca estadual pelo garoto, seu raptor e a caminhonete com placa X-KAHN.
Seguindo uma pista dada por um caçador, agentes do Condado de Linn encontraram a caminhonete à 0h30 de sexta-feira cerca de 3,5 km da McDowell Creek Road, ao norte de Sweet Home.
Eggiman dormia no assento do motorista.
Os agentes disseram que Eggiman sacou de um revólver e apontou para eles. Ambos os policiais dispararam suas armas, atingindo-o.
Os policiais lhe prestaram os primeiros socorros e chamaram por assistência médica, de acordo com o Escritório do Xerife do Condado de Linn. Eggiman foi delcarado morto no local. Ele era o namorado da mãe de Kahn.
A polícia de Mount Angel disse que Tanya Kahn e Eggiman tiveram uma discussão um pouco antes do rapto. Tanya Kahn recusou-se a discutir o que levara à atitude do namorado.
Tanya Kahn disse não apenas que ela estava superando o estresse do rapto do filho, mas também estava abalada com a perda de Eggiman, uma pessoa querida. Também contou que Tanner não testemunhou a morte de Eggiman.
"Tanner sabe da morte de Jeff; nós estávamos falando sobre isso. Tanner estava muito assustado, porque ele vem de um monte de traumas, mas nós também estamos lidando com a perda de Jeff. Ele era parte de nossa família, esteve conosco por quatro anos. Não era uma estranho."
"Quando lhe contamos o que aconteceu, ele disse 'Isso é mesmo ruim, porque nós gostávamos de Jeff.'"
O Alerta Amber foi acionado sete vezes no Oregon desde sua adoção em novembro de 2002. Todas as vezes, a criança foi resgatada em segurança.
O tiroteio de sexta-feira foi a primeira vez em que um Alerta Amber resultou em morte, disse o Tenente Gregg Hastings da Polícia Estadual do Oregon, acrescentando que o retorno em segurança de Tanner foi mais um exemplo de que o alerta estadual funciona.
Tanya Kahn disse que começou a suspeitar de algo errado quando viu que Tanner não estava nem no ônibus escolar, nem na Escola Robert Frost, onde freqüenta uma turma de educação especial.
"Algo estava errado e liguei para a escola para ver se ele tinha feito isso porque não tinha entrado no ônibus", Kahn relembra.
"Pensei: 'Ah, meu namorado deve ter pegado ele.' Por alguma razão, tive um pressentimento. Geralmente, Jeff pedia permissão para apanhá-lo na escola ou coisas assim."
Dessa vez, não tinha.
"Jeff lhe disse (para Tanner) que eu tinha pedido para que tomasse conta dele", ela conta.
"Tanner não imaginava que tinha sido seqüestrado."
O Alerta Amber com a descrição do menino, da caminhonete e de Eggiman tomou toda a região. Kahn disse que se sentiu mais desamparada do que nunca.
"Gostamos do que todos fizeram... mas uma coisa que estava me inquietando como mãe era que as pessoas tinham mais notícias do que eu."
O rapto de Tanner chocou Mount Angel, uma comunidade de cerca de 3.200 habitantes.
Pais buscando os filhos na escola disseram que pensarão duas vezes antes de permitir que voltem sozinhos para casa.
Mary Jo Lundquist disse que pega seus filhos todos os dias. Ainda é perturbador, ela disse.
"É muito assustador", Lundquist disse.
"Mount Angel é uma cidade muito pequena."Amber Alert ends in shooting
Kidnapping suspect killed by sheriff¿s deputies; child unharmed
BY SARA EVANS, JOHN DORAN AND JODY LAWRENCE-TURNER
Statesman Journal
October 16, 2004
Linn County deputies shot and killed a man early Friday who had abducted an 11-year-old autistic boy Thursday from a Mount Angel apartment.
The boy, Tanner Dane Kahn, was asleep in the back seat of the pickup in which Jeffrey Alan Eggiman, 38, was shot, deputies said.
Tanner was returned to his mother, Tanya Kahn, unharmed Friday morning. Eggiman was Tanya Kahn¿s boyfriend.
Tanner was kidnapped Thursday morning from the 700 block of N Pershing Street, setting off an Amber Alert ¿ a statewide search for the boy, his abductor and a pickup with the license plate X-KAHN.
Acting on a tip from a hunter, Linn County deputies found the truck about 12:25 a.m. Friday off a logging road about two miles from McDowell Creek Road, north of Sweet Home.
Eggiman was sleeping in the driver¿s seat.
Cpl. Mike Harmon and Deputy Micah Smith said Eggiman produced a handgun, waved it around and pointed it at them, said Linn County Sheriff Dave Burright. Both deputies fired their weapons.
The deputies applied first aid and called for medical assistance, Burright said. Eggiman was pronounced dead at the scene.
Mount Angel police on Thursday said Tanya Kahn and Eggiman had had an argument sometime before the kidnapping. Tanya Kahn on Friday refused to discuss what led to the kidnapping.
Tanya Kahn said not only was she overcoming the distress of her son¿s kidnapping, she also was grieving the loss of a loved one in Eggiman. She also said that Tanner did not witness Eggiman¿s death.
"Tanner is aware of Jeff¿s death and right now we are dealing with that. Tanner was very scared so he went through a lot of trauma, but we¿re also dealing with losing Jeff. He was a part of our family. He¿s been with us for four years. It¿s not like he¿s new.
"When we told him (Tanner) what happened, he said, 'That¿s really bad because we love Jeff.'"
The Amber Alert system has been activated seven times in Oregon since its November 2002 adoption. Each time, the child has been safely recovered.
Friday¿s shooting is the first time an Amber Alert has resulted in a death, said Lt. Gregg Hastings of the Oregon State Police. He added that Tanner¿s safe return was another example that the statewide alert system works.
Tanya Kahn said she began to realize something was amiss Thursday when Tanner was neither on his school bus nor at Robert Frost School, where he was enrolled in a special education class.
"Something was not right and I called the school to see if he made it because the bus waited and he didn't go on the bus," Kahn recalled. "I thought, 'Oh, my boyfriend must have picked him up and taken him to school.' For some reason, I just had an uneasy feeling. Usually, Jeff has asked permission to take Tanner out of school or something."
This time he didn¿t.
"Jeff told him (Tanner) I had asked him to take care of him," she said. "Tanner wasn¿t even really aware he had been kidnapped."
The Amber Alert broadcast descriptions of Kahn¿s 1999 Ford pickup truck and of Eggiman all across the region. Kahn said she felt more helpless than anything during the ordeal.
"We do appreciate what everyone did... but one thing that was upsetting to me as the mom was that the news people knew more than I did."
Tanner¿s kidnapping shocked Mount Angel, a community of nearly 3,200.
Parents picking up their children from school said they would be more cautious think twice about allowing them to walk to school alone.
Mary Jo Lundquist said she picks her children up every day. It¿s still worrisome, she said.
"It¿s very scary," Lundquist said. "Mount Angel is such a small town."
Amber Alert ends in shooting
http://news.statesmanjournal.com/article.cfm?i=88387
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 18.10.04
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Sexta-feira, Outubro 15, 2004
Alerta Amber decretado para menino de onze anos do Oregon
| ABC Katu.com 2 News | 14/10/2004 |
A polícia estadual de Oregon decretou um Alerta Amarelo para um menino de 11 anos que pode ter sido seqüestrado de sua vizinhança em Mount Angel.
Tanner Kahn, que tem cabelos castanho, foi visto plea última vez trajando short e uma camissa de mangas longas com estampas de camuflagem.
As autoridades acham que ele pode estar com Jeffrey Eggiman, 38 anos, que dirige uma Ford Ranger cinza-escuro.
George Ogilvie, um voluntário da Polícia Estadual de Oregon, disse que Eggiman é um ex-namorado da mãe da criança.
A Ford Ranger pertence à mãe e a placa é
"X-KAHN".
Qualquer um que os veja deve ligar para 1-8-6-6-AMBERS.
Os Alertas Amber são boletins, distribuídos pelas redes de rádio e televisão, que alertam os moradores para possíveis raptos de crianças.
Eles têm esse nome depois que Amber Hagerman, uma menina de nove anos, foi raptada e encontrada morta no Texas.
Amber Alert issued for 11-Year-Old Oregon boy
Oregon State Police have issued an Amber Alert for an 11-year-old boy who may have been abducted from a neighborhood in Mount Angel.
Tanner Kahn, who has brown hair, was last seen wearing shorts and a long-sleeved shirt with a camouflage pattern.
Authorities think he may be with 38-year-old Jeffrey Eggiman who is traveling in a dark gray Ford Ranger.
George Ogilvie, an Oregon State Police volunteer, says Eggiman was an ex-boyfriend of the child's mother.
The Ford Ranger belongs to the mother and the license plate says "X-KAHN."
Anyone who sees the car is asked to call 1-8-6-6-AMBERS.
Amber Alerts are bulletins, distributed through radio and television broadcasts which alert residents to possible kidnappings of children.
They are named after Amber Hagerman, a nine-year-old girl abducted and later found murdered in Texas.
Amber Alert issued for 11-Year-Old Oregon boy
http://www.katu.com/news/story.asp?ID=71853
Encontrado menino desaparecido; policiais matam seqüestrador
| SARAH EVANS | Statesman Journal | 15/10/2004 |
Agentes policiais do Condado Linn encontraram os dois perto de Sweet Home
Policiais de Linn County mataram, nesta sexta pela manhã, um homem que seqüestrara de sua casa em Mount Angel, no dia anterior, um garoto autista de 11 anos.
O menino, Tanner Dane Kahn, estava ileso e dormia no banco de trás da caminhonete onde seu seqüestrador foi alvejado.
Kahn foi raptado na quinta-feira pela manhã da quadra 700 da Rua N Pershing, levando a um Alerta Amber e uma busca estadual por ele e a caminhonete.
Depois de receber uma informação de um caçador local, os agentes encontraram o veículo à meia-noite e meia fora das estradas vicinais, a cerca de duas milhas da McDowell Creek Road, ao Norte de Seet Home.
O suspeito de raptar o menino, Jeffrey Allen Eggiman, 38 anos, dormia no banco do motorista. Kahn, no banco de trás.
Os agentes disseram que Eggiman sacou de um revólver e apontou para eles. Ambos os policiais dispararam suas armas, atingindo-o.
Os policiais lhe prestaram os primeiros socorros e chamaram por assistência médica, de acordo com o Escritório do Xerife do Condado de Linn. Eggiman foi delcarado morto no local. Ele era o namorado da mãe de Kahn.
O menino estava ileso e voltou para os braços da mãe em Mount Angel.
O Escritório do Xerife do Condado de Marion está conduzindo a investigação sobre o tiroteio, a pedido do Condado de Linn. Os agentes envolvidos foram deslocados para o serviço administrativo para aguardar o resultado, como é de praxe.
O Cpl. Mike Harmon tem oito anos de experiência no serviço da lei; quatro anos no Escritório do Xerife do Condado de Linn. O agente Micah Smith trabalha no escritório há menos de um ano, mas foi voluntário e tem trabalhado em posições temporárias há vários anos.
Missing boy found, abductor killed by deputies
Linn County deputies dicovered the pair near Sweet Home early Friday
Linn County deputies shot and killed a man early Friday who had abducted an 11-year-old autistic boy Thursday from his Mount Angel home.
The boy, Tanner Dane Kahn, was unharmed but was asleep in the backseat of the pickup where his abductor was shot.
Kahn was kidnapped Thursday morning from the 700 block of N Pershing Street, setting off an Amber Alert and a statewide search for a pickup and the boy.
After receiving a tip from a local hunter, deputies discovered the truck at 12:25 a.m. just off one of the logging roads about two miles from McDowell Creek Road, north of Sweet Home.
The man suspected of kidnapping the boy, Jeffrey Allen Eggiman, 38, was sleeping in the driver's seat. Kahn was asleep in the backseat.
Deputies said Eggiman produced a handgun, waved it around and pointed it at them. Both deputies fired their weapons and struck Eggiman.
The deputies applied first aid and called for medical assistance, according to the Linn County Sheriff's Office. Eggiman was pronounced dead at the scene.
Eggiman was the boyfriend of Kahn's mother.
Kahn was unharmed and returned to his mother in Mount Angel.
The Marion County Sheriff's Office is conducting the investigation into the shooting, at Linn County's request. Both deputies involved in the shooting have been placed on administrative leave pending the outcome of the investigation, which is standard policy.
Cpl. Mike Harmon has eight years of law enforcement experience and has been with the Linn County Sheriff¿s Office for four years. Deputy Micah Smith has worked at the office for less than one year, but has volunteered and worked in seasonal positions for the last several years.
Missing boy found, abductor killed by deputies
http://news.statesmanjournal.com/article.cfm?i=88353
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 15.10.04
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Segunda-feira, Outubro 11, 2004
Cantor doa indenização a entidade para educação de autistas
| RTE | UTV | 08/10/2004 |
O cantor Keith Duffy, ex-Boyzone, renunciou a seu direito de indenização por calúnia de mais de 35 mil euros, doando-a para uma entidade de apoio a autistas que ele já ajuda.
Keith, cuja filha é autista, ganhou a indenização após a decisão do tribunal em uma ação contra o Daily Mirror que afirmou que ele estava envolvido em uma confusão movida a bebidas com dois outros atores no Hotel Europa, em Belfast.
O jornal concordou com a solicitação de Duffy para pagar uma substancial quantia para a entidade SPEAC (
Special Provision for the Education of Autistic Children - Recursos Especiais para a Educação de Crianças Autistas) e também publicar um pedido de desculpas no jornal de domingo.
Duffy award goes to autism charity
Former Boyzone singer Keith Duffy has waived his right to a libel award worth more than 35,000 euros, and donated it instead to an autism charity which he helped set up.
Mr Duffy, whose daughter is autistic, was awarded the cash in an out of court settlement over an allegation in the Daily Mirror that he was involved in a drink fuelled row with two other Coronation Street actors at the Europa Hotel in Belfast.
The newspaper has agreed to Mr Duffy`s request to pay a substantial sum to the charity SPEAC (Special Provision for the Education of Autistic Children) and also that an apology appear in Saturday`s paper.
Duffy award goes to autism charity
http://u.tv/newsroom/indepth.asp?id=51352&pt=n
Duffy donates libel award to charity
http://www.rte.ie/arts/2004/1008/duffyk.html
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 11.10.04
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Violados os direitos humanos de paciente autista
| NHS Magazine | Reino Unido, 8/10/2004 |
O parecer de uma Corte européia para os Direitos Humanos sobre um paciente autista detido em um hospital será levado em conta pelo Departamento de Saúde.
O homem - conhecido apenas como
H L - foi internado no Bournewood Hospital de Surrey em 1997, depois que a equipe de um centro diário de atendimento mostrou-se preocupada com seu estado agitado, durante o qual ele se auto-agrediu.
A equipe concluiu que não era necessário colocá-lo sob o Ato para a Saúde Mental (
Mental Health Act), uma vez que ele era dócil e não resistiu à admissão. Ele vinha sendo atendido no hospital há mais de 30 anos e em 1995 começou a freqüentar o centro de atendimento diário em uma base semanal.
HL foi libertado cerca de cinco meses depois, de acordo com uma Corte de Apelação, acionada por seus responsáveis. A Corte julgou que sua detenção era ilegal, mas a decisão foi depois revogada pela Câmara dos Lordes. Em 2001, o Ombudsman dos Serviços de Saúde avaliou que não havia motivo para a sua detenção.
Uma porta-voz do Departamento de Saúde disse que o parecer da Corte Européia está considerando que os direitos humanos do paciente foram violados. Isso pode ter implicações tanto para a legislação da saúde mental como para a Lei da Capacidade Mental.
Mais em:
www.echr.coe.int Autism patient's human rights breached
A European court ruling about the human rights of an autistic man detained in hospital will be considered by the Department of Health.
The man - known only as HL - was detained at Bournewood Hospital in Surrey in 1997 after staff at a day centre became concerned at his agitated state, during which he harmed himself.
Staff decided it was not necessary to section him under the Mental Health Act as he was compliant and did not resist admission. He had been attending the hospital for more than 30 years and in 1995 started attending the day care centre on a weekly basis.
HL was released nearly five months later following a Court of Appeal challenge by his carers. The court ruled his detention was unlawful but that decision was later overturned by the House of Lords. In 2001, the Health Service Ombudsman found there was no justification for detaining HL.
A Department of Health spokeswoman said it was considering the European Court ruling that the patient's human rights had been breached. This may have implications for both mental health legislation and the Mental Capacity Bill.
Autism patient's human rights breached
http://www.nhs.uk/nhsmagazine/story3566.asp
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 11.10.04
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Terça-feira, Outubro 05, 2004
Jerry e Mary - feitos um para o outro
| CBS | 29/9/2004 | enviado para o grupo de discussão Educautismo por Kika Feier, de Florianópolis |Jerry Newport e Mary Meinel uniram-se por uma coisa que normalmente afasta as pessoas: autismo.
As pessoas que sofrem disso, como Mary e Jerry, costumam nascer assim e, freqüentemente, crescem infelizes, isolados dos outros, excluídos até por seus próprios pais.
Algumas pessoas autistas são profundamente retardadas; algumas são brilhantes, como as duas pessoas que o correspondente Lesley Stahl apresentou a você em 1996 e traz de novo, oito anos depois.
Jerry Newport sempre soube que havia algo de errado mas crescia sem saber o que era.
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"A única coisa que nunca tive foi graça natural. Acho que é a parte de mim que sempre senti perdida, que todos à minha volta pareciam ter, era esse senso natural de quando e como falar", conta Jerry.
"O que dizer e como dizer e como fazer todas as outras coisas não-faladas."
Jerry sempre esteve fora do compasso. Ele foi bem na Universidade de Michigan, mas passou os vinte anos seguintes pulando de emprego em emprego. Foi motorista de táxi, mensageiro, balconista, ajudante de garçon e entregador. Falhava nos empregos e nos relacionamentos. Ele tinha, e ainda tem, problemas em fazer contato visual.
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"Eu era apenas Jerry" - ele diz -
"Apenas bizarro, excêntrico... quase normal."
Vivia tão deprimido que tentou se matar duas vezes. Sem amigos, desenvolveu um vínculo profundo com animais. Deixava suas cacatuas de estimação voarem soltas pelo apartamento. Então, logo quando sentia que nunca encontraria seu caminho, foi ao cinema. Assistiu a
"Rain Man", em que Dustin Hoffman interpretou Raymond Babbitt, um homem autista que passou toda sua vida em uma instituição.
Babbitt tinha algumas habilidades incomuns, que Jerry também tinha. Quando um homem perguntou a Babbitt quanto era 4.343 vezes 1.234, Jerry sabia a resposta:
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"A resposta era 5.359.262", lembra Jerry.
"Eu disse antes dele [Babbitt] dizer. As pessoas na frente olharam para mim. Então, eu pensei: A-RÁ!"
Ao ver Hoffman interpretar Babbitt, ele disse:
"Esse sou eu." Jerry tinha 40 anos quando pensou a primeira vez que era autista. Então, ele decidiu aprender tudo que podia sobre autismo, indo parar no Departamento de Psiquiatria da UCLA. Então, foi diagnosticado com a síndrome de Asperger, que muitos especialistas dizem que é uma forma específica de autismo.
Indivíduos aspérgueres freqüentemente são muito inteligentes, com habilidades incomuns. Mas como outras pessoas autistas, sofrem de uma grande sensibilidade à luz, sons, odores e ao toque.
Sabendo o que tinha, partiu para procurar outros como ele. Organizou um grupo de apoio para adultos com autismo que passou a se reunir regularmente.
Mary Meinel é savant, considerada um gênio em algumas coisas. Quando criança, foi rotulada de deficiente, mesmo retardada. Um professor chegou a pensar que fosse surda. Mas Mary ouvia sons que outros humanos não ouviam. Chorava se o piano estava fora do tom. Tocava instrumentos musicais virtualmente sem tomar lições. Compõe músicas, mas faz isso como nunca se viu.
Ela pode escrever uma música de trás para a frente. Diz que é porque a música já está escrita no seu cérebro. De fato, quando esteve com Stahl, estava escrevendo quatro partes para um quarteto de cordas.
Como Jerry, Mary tem a síndrome de Asperger. Depois de anos de distúrbios, incluindo um esgotamento nervoso e pensamentos em suicídio, encontrou-se no grupo de apoio de Jerry.
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"E então descobri que ele tinha cacatuas e as mantinha soltas dentro de casa", conta Mary. -
" E estou indo, 'Ei, eu também!'"
Estas duas almas perdidas se encontraram e, sete meses depois, Jerry pediu Mary em casamento. Eles não podiam acreditar na sua boa sorte. Vivem em uma casa normal, em uma vizinhança normal. E são apenas um casal normal - quase, mas nem tanto.
O lar dos Newport inclui um coelho, três iguanas e 11 pássaros.
Todo casamento recente precisa de ajustes, mas o deles precisa mais do que isso.
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"Jerry vai entrar em casa e lá vou eu 'Oi, querido! Como está?' Abraço. Ele vem: 'Não! [Não me toque!]'", conta Mary.
"É como ser eletrocutado!"
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"O tipo de toque que me intimida é aquele que vem de surpresa", explica Jerry.
"Mas quando você quer ter sexo, e os dois querem fazer, aí a história é diferente, uma boa história."
Ambos dizem que um salvou o outro.
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"Ela é a pipa e eu, a âncora. Eu não sei ter esperança, e tudo que ela conseguia fazer era esperança", lembra Jerry.
"É incrível. Quero dizer, um milagre! Eu acordo e sinto como se tivesse ganhado na loteria - e nem tinha comprado o bilhete."
Mas seu relacionamento teve algumas guinadas e voltas, como Stahl descobriu quando os visitou oito anos depois.
Seu divórcio em junho de 1990 chocou todos que os conheciam.
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"Para mim, foi um ponto muito, muito baixo em minha vida", lembra Jerry.
"Porque eu senti realmente com se tivesse perdido a maior e talvez única oportunidade que jamais tive de ter um relacionamento com alguém que era realmente uma alma gêmea."
Mary voltou para sua cidade natal, Tucson. Mas, um ano mais tarde, depois de estar sozinha, sem sua alma gêmea, decidiu dar um grande passo.
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"Dei um telefonema. Eu disse 'Por favor, volte. Estou com saudade'", conta Mary.
Jerry também sentia saudades, Onze meses depois, voltaram a se casar e deram sua recepção na pista local de corridas de cachorros, onde uma corrida foi feita em homenagem à ocasião.
Para Jerry e Mary, a vida é boa de novo. Agora, vivem no deserto do Arizona, onde eles vivem apaixonados com sua exótica coleção de bichinhos de estimação. Mary não escreve mais músicas, mas está feliz em casa, cuidando de seu rebanho.
Desde que essa história foi ao ar a primeira vez, Jerry tem sido procurado para dar palestras, desmitificando a condição do autismo. Juntos, os Newport têm escrito livros de auto-ajuda para pessoas como eles. Agora, trabalham em uma auto-biografia que, esperam, terá grande procura.
Produtores de Hollywood tiveram a mesma idéia e, inspirados no casal, fizeram um filme baseado na sua história. O filme, que deverá ir ao ar este ano, mostra o desconforto social que pessoas como Jerry sempre sentem. Mas na atual fase de sua vida, Jerry diz que está sossegado com que ele é.
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"Em vez de estar obcecado em tentar estar no passo do mundo, vim a aceitar o fato de que em alguns aspectos jamais conseguirei. E eu não me odeio por isso", diz Jerry.
"Acho que uma vez que comecei a aprender como amar a mim mesmo como sou de verdade, ficou mais fácil para as outras pessoas me amarem da mesma maneira."
A história de Jerry e Mary inspirou o filme Mozart and the whale [Mozart e a baleia].
When Jerry met Mary
(CBS) Jerry Newport and Mary Meinel were brought together by something that usually keeps people apart: autism.
People who suffer from it, as Mary and Jerry do, are usually born with it, and usually grow up unhappy, wary of others, often shutting out even their own parents.
Some autistic people are profoundly retarded; and some are brilliant, like the two people that Correspondent Lesley Stahl first introduced you to in 1996, and then again eight years later. Jerry Newport always knew there was something wrong with him. But as he was growing up, he didn¿t know what it was.
"The one thing I've never had is natural grace. I guess that's the part of me that I've always felt was missing, that everybody around me seemed to have, was this natural sense of when to talk and how," says Jerry. "What to say and how to say it, and do all those other unspoken things."
Jerry was always out of step with the rest of the parade. He did well in school at the University of Michigan, but then he spent the next 20 years drifting from job to job. He was a taxi driver, a messenger, a clerk, busboy and deliveryman. He failed at work, and he failed at relationships. He even had trouble, and still does, making eye contact.
"I was just Jerry," he says. "I was just odd, eccentric - just almost normal."
But he got so depressed that he tried to kill himself twice. Without friends, he developed a deep bond with animals. He let his pet cockatiels fly loose in his apartment. And then, just when he felt he would never find his way, he went to the movies. He saw "Rain Man," which starred Dustin Hoffman as Raymond Babbitt, an autistic man who spent his whole life in an institution.
Babbitt had some unusual skills, which Jerry discovered he had, too. When a man in the movie asked Babbitt how much 4,343 times 1,234 was, Jerry knew the answer.
"The answer was 5,359,262," says Jerry. "I said it before he [Babbitt] said it. People in front of me in the theater just looked around. And then, I realized, 'Uh-oh.'"
As Jerry watched Hoffman play Babbitt, he said, ¿That's me.¿ Babbitt was 40 when he first realized he was autistic. So Jerry set out to learn everything he could about autism, and found his way to the department of psychiatry at UCLA. There, he was diagnosed with Asperger¿s Syndrome, which most experts say is a distinctive form of autism.
Asperger individuals are often highly intelligent, with unusual skills. But like other autistic people, they suffer from severe sensitivity to light, sounds, smell and touch.
Once Jerry knew what he had, he went looking for others like him. He organized a support group of grownups with autism, and they meet on a regular basis.
Mary Meinel is a savant, considered a genius in some ways. Yet as a child, she was labeled difficult, even retarded. One teacher even thought she might be deaf. But Mary was hearing sounds that other humans couldn¿t hear. She cried if the piano was out of tune. She played musical instruments with virtually no lessons. She writes music but goes about it like no one you¿ve ever heard of.
She can write music from the last page and do it backwards. She says it¿s because the music is already written in her brain. In fact, when she was with Stahl, she was writing four parts for a string quartet.
Like Jerry, Mary has Asperger¿s Syndrome. After years of turmoil, including a nervous breakdown and thoughts of suicide, she found her way to Jerry's support group.
"And then I found out that he had cockatiels, and he kept them loose in his house," says Mary. "And I¿m going, 'Hey, me, too.'"
These two lost souls had found each other, and seven months after they met, Jerry asked Mary to marry him. They couldn¿t believe their good fortune. They live in an average house in an average neighborhood. And they¿re just an average couple ¿ almost, but not quite.
The Newport household includes one rabbit, three iguanas, and 11 birds.
Every new marriage takes adjustment, but theirs took more than most.
"Jerry will walk in the door, and I'll go, 'Hi, honey. How are you?' Hug. He goes, 'No! [Don¿t touch me],'" says Mary. "It¿s like being electrocuted."
"The kinds of touches that intimidate me are the ones that are a complete surprise," says Jerry. "But it's when you want to have sex, and that's what both of us want to do, that's a different story, a good story."
They both say they have saved each other.
"She's the kite and I'm the anchor. I didn't know how to hope, and all she could do was hope," says Jerry. ¿It¿s incredible. I mean, it¿s a miracle. I wake up and I feel like I¿ve won the lottery and I didn¿t even buy a ticket.¿
But their relationship has taken some twists and turns, as Stahl discovered when she visited Jerry and Mary Newport eight years later.
Their divorce in June 1999 came as a shock for everyone who knew them.
"For me, it was a very, very low point in my life," says Jerry. "Because I really felt like I¿d lost the greatest and perhaps the only opportunity I would ever have to have a relationship with somebody who was really a soul mate."
Mary moved back to her hometown of Tucson. But a year later, after being lonely for her soul mate, she decided to take a big step.
"I made a phone call. I said, 'Please, come back. I miss you,'" says Mary.
Jerry missed her, too. Eleven months later, they remarried and held their reception at the local dog track, where a race was named in honor of the occasion.
For Jerry and Mary, life is good once again. Jerry and Mary now live in the Arizona desert, where they dote on their exotic menagerie of pets. Mary no longer writes music, but she¿s happy at home, tending to her flock.
Since this story first aired, Jerry has been in demand as a public speaker, demystifying for others the condition of autism. Together, the Newports have written self-help books for people like them. They are now working on an autobiography they hope will appeal to a larger audience.
Hollywood producers had the same idea when, inspired by Mary and Jerry, they made a film based loosely on their lives. The movie, due out later this year, captures the social discomfort that people like Jerry always feel. But at this stage in his real life, Jerry says he¿s come to terms with who he is.
"Rather than being obsessed with trying to be in step with the world, I've come to accept the fact that in certain ways I never will be. And I just don't hate myself for it," says Jerry. "I think that once I started learning how to love myself as I truly am, it made it easier for other people to love me the same way."
When Jerry met Mary
http://www.cbsnews.com/stories/2004/09/29/60II/main646311.shtml
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 5.10.04
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Sexta-feira, Outubro 01, 2004
Burrice é genética, arrisca James Watson
| MARCELO LEITE | Editor de Ciência da Folha de S.Paulo | 04/03/2003 |[James Watson é um dos descobridores da estrutura da molécula do ácido desoxirribonucleico, o DNA. Crônica Autista]
Todos os geneticistas e biotecnólogos que vêem no determinismo genético (a crença de que tudo num organismo é prefixado pelos genes) apenas um tigre de papel se esqueceram de combinar isso com o mais célebre e controvertido de seus pares, James Watson. Na semana em que se comemoram os 50 anos de sua descoberta da estrutura do DNA com Francis Crick, Watson, 75, volta a chocar especialistas e não-especialistas dizendo que a burrice é genética e que seria moralmente imperativo modificar genes para eliminá-la.
A notícia foi dada na sexta-feira passada pelo jornal britânico "The Times": em depoimento para a série de documentários de TV intitulada "DNA", que estréia sábado na emissora Channel 4 (Reino Unido), Watson afirma que pessoas de baixa inteligência sem deficiência mental conhecida sofreriam de uma doença hereditária tão real quanto a hemofilia.
"Se você for realmente burro, eu chamaria isso de uma doença", diz o Nobel de 1962 na série de TV, segundo reportagem de Mark Henderson no "The Times" (www.timesonline.co.uk). "Os 10% inferiores que realmente têm uma dificuldade, mesmo na escola elementar -qual é a causa disso? Muitas pessoas gostariam de dizer: "Bem, a pobreza, coisas assim". Provavelmente não é assim. Eu gostaria então de me livrar disso, para ajudar os 10% inferiores."
Aperfeiçoar os filhos
Watson dá uma justificativa ética para o aperfeiçoamento genético: "Parece injusto que algumas pessoas não tenham essa oportunidade. Assim que houver um meio de melhorar nossos filhos, ninguém poderá contê-lo. Os pais que aperfeiçoarem seus filhos... seus filhos se tornarão aqueles que vão dominar o mundo".
Não é a primeira vez que Watson choca o público. Ele já defendeu, no passado, além das terapias genéticas convencionais (injeção de genes "corrigidos" em pacientes com doenças metabólicas), a modificação de genes na linhagem germinativa de células humanas (gametas, como óvulos e espermatozóides). Isso faria com que a alteração fosse herdada pelos descendentes da pessoa.
No caso da doença "burrice", se um dia se tornasse possível encontrar genes diretamente associados com ela, eles precisariam ser eliminados nos tecidos embrionários que, no futuro, dariam origem aos gametas. Ao se tornar um adulto, essa pessoa geneticamente modificada quando ainda era embrião geraria filhos sem aqueles genes. Se muitos seres humanos recorressem ao tratamento, a "burrice" tenderia a desaparecer da espécie -um sonho bom demais para ser verdade.
"Honest Jim"
A ciência ainda está muito longe de conseguir esse tipo de controle sobre as aptidões e o comportamento humanos. Por ora, tais elucubrações só confirmam a fama de desbocado de Watson, que chegou a ser alcunhado por isso de "Honest Jim" (Jim Franco -isto é, franco demais).
Nada costuma ser tão simples na genética, e Watson é, ou deveria ser, o primeiro a sabê-lo. Há dificuldades dos dois lados, tanto do genótipo (genes que acarretariam uma característica) quanto do fenótipo (características de fato manifestadas no indivíduo).
Não só é difícil e provavelmente impossível definir um conceito operacional da doença "burrice" como, até o presente, nenhum gene pôde ser inequivocamente associado com ela. Nem, tampouco, com seu oposto: inúmeros candidatos a genes "da" inteligência foram lançados, nas últimas décadas, apenas para serem abatidos pela crítica de outros cientistas.
Complexidade desprezada
Pesquisas do Projeto Genoma Humano, que Watson ajudou a fundar em 1989, estão revelando uma complexidade nas relações entre dezenas de milhares de genes e proteínas incompatível com o modelo simplificado das doenças metabólicas. Nesses casos raros, uma simples troca de "letra" num gene pode desencadear efeitos devastadores, como a fibrose cística ou o mal de Huntington.
O esquema "um gene/uma doença" não é aplicável nem mesmo a males com mecanismos mais imediatamente bioquímicos, como o câncer. Menos ainda podem ser usados para entender -controlar, então, nem pensar- manifestações complexas como "inteligência" ou "burrice".
"Ele está falando em alterar algo que a maioria das pessoas vê como parte da variação humana normal, e isso, acredito, está errado", disse Tom Shakespeare, bioeticista da Universidade de Newcastle (Reino Unido), a Mark Henderson, do jornal londrino.
"O que me espanta, também, é que ele deveria pensar como um geneticista, mas não leva em consideração a complexidade de milhares de genes e contextos particulares inter-relacionados no ambiente, que produzem o fenótipo da inteligência... Receio que ele tenha causado mais mal do que bem, apesar de sua liderança no Projeto Genoma Humano e de sua descoberta de 1953."
Genes, garotas e autistas
No documentário, James Watson também se diz a favor da disseminação de genes "engenheirados" de beleza: "As pessoas dizem que seria terrível se tornássemos todas as garotas bonitas. Eu acho que seria genial". Nada que não se pudesse esperar de alguém que intitula "Genes, Garotas e Gamow" a sequência de seu não menos polêmico e autobiográfico "A Dupla Hélice", em que, ao lado de peripécias sobre o código genético com o físico George Gamow, a obsessão e as dificuldades de Watson com o sexo oposto chegam a rivalizar com suas equivalentes na biologia molecular.
O "The Times" informa ainda que Watson tem um filho que sofre de uma deficiência cognitiva similar ao autismo, fato que "Honest Jim" não costuma abordar em público, mas que teria influenciado suas opiniões.
Outro biólogo [na verdade, geólogo - (Crônica Autista)] bem conhecido do público, o ensaísta Stephen Jay Gould (morto no ano passado), também tinha um filho autista, Josh, exímio calculista de calendários, capaz de dizer em segundos em que dia da semana cai uma data qualquer. Paradoxalmente, Gould se tornou um ferrenho adversário do determinismo genético -o que não deixa de ser uma indicação de que parece haver muito mais determinações entre genes e cultura do que pode sonhar a biotecnologia.
Burrice é genética, arrisca James Watson
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u8580.shtml
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 1.10.04
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Jovem volta a ficar agressivo após operação
| Folha de S.Paulo | 28/09/2003 |
A família de A., 21, lembra o dia em que ele foi submetido a uma cirurgia psiquiátrica numa clínica de Goiânia, no ano 2000, como um momento de grande expectativa e esperança de melhora. Mas o sonho terminou muito rapidamente. "Ele só ficou 24 horas no hospital. Quando voltou, ficou uns dez dias com a cabeça inchada, quase sem comer, só bebia água, sem tirar os pontos", conta a mãe, C., 48, uma pequena comerciante da Vila Concórdia, na periferia da capital de Goiás.
Depois do período de recuperação, enfrentado pela mãe com remédios caseiros, A. começou a apresentar os mesmos sintomas usados para justificar a cirurgia: muita agitação e lances esparsos de fúria, quando chegou a quebrar portas e o vaso sanitário.
A mãe disse que ele "voltou a ser como era antes" da operação. O pai, A., 50, discorda, acha que o filho "piorou". O casal não sabe ao certo do que o filho sofre, porque não tem nenhum exame em casa. Desde muito pequeno ele é assim _por não pronunciar frases inteligíveis, jamais estudou.
A mãe disse que ouviu um psiquiatra de um posto de saúde chamá-lo de "autista". O autismo é um fenômeno patológico que "desliga" a pessoa da realidade exterior e fabrica mentalmente um mundo à parte.
Pessoas ligadas ao médico que fez a cirurgia procuraram depois a família para propor uma cirurgia "de reparação" _na verdade, os médicos costumam tentar uma nova psicocirurgia em outra parte do cérebro, para ver se surte efeitos positivos.
A família não quis tentar mais nada, descrente dos resultados da primeira cirurgia e "com medo de operar de novo". Ficou tão desapontada com a tentativa que nem sequer guardou o nome do cirurgião. Uma psicóloga que atendeu A. meses após a operação, ouvida pela Folha, disse que a cirurgia foi feita depois que uma vizinha recomendou e uma funcionária da clínica asseverou que as chances de sucesso eram grandes.
A família confirma. "Falaram que ia dar certo", conta a mãe. Como era tudo pago pelo SUS, não custava nada tentar.
Hoje A. é mantido pela família amarrado pela perna por uma corda atada a um gancho preso à parede. A mãe se martiriza com a cena, mas não vê outra saída. Um dia A., que é forte, escapou da sala, ganhou a rua e quase foi atropelado por um ônibus. Em casa, os pais dizem lhe dar amor e atenção. "Muitas famílias abandonam seus filhos, nós não, nós o queremos", conta C.
Nu, deitado num colchão fino estendido no chão da sala, A. esconde a cabeça numa lona verde quando estranhos se aproximam (ele não pode usar roupas porque as rasga e pode até engolir as tiras). A salvo dos olhos curiosos, entoa, com a voz fina, uma canção sem letra e ritmo, mas que parece alegre. O som invade a casa e anima a mãe. "Ele está feliz."
"Cortar" a agressividade
Do outro lado de Goiânia, a família de W., 20, ainda está no meio do sonho. Operado pelo neurocirurgião Luiz Fernando Martins, no Instituto Neurológico, W. completou na semana retrasada o primeiro mês de pós-operatório. Ele sofreu uma paralisia cerebral quando criança, mas, nos últimos anos, passou a ficar inquieto, algumas vezes batendo a cabeça contra a parede e gritando.
Por 20 dias depois da cirurgia, que custou R$ 5.500, a mãe e o pai, M. e I., que vivem do aluguel de quartos, ficaram surpresos com o silêncio do filho. "O médico disse que iria cortar as linhas da agressividade", contou o pai. W. passou a ter dificuldade de movimentar as mãos. Mas, na semana passada, ele voltou a ficar inquieto e a emitir sons. O médico disse que os problemas motores são esperados e que logo o paciente estará bem.
Jovem volta a ficar agressivo após operação
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u82929.shtml
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 1.10.04
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Nível de testosterona no útero pode gerar pessoas menos sociáveis
| Folha Online | Ciências | 13/05/2004 |
Uma pesquisa britânica indica que a exposição do feto a altos níveis de testosterona no útero pode ter relação com a baixa sociabilidade da pessoa no futuro.
Por outro lado, um indivíduo exposto a altos níveis deste hormônio durante a gestação teria maior capacidade de realizar tarefas que exigem habilidade de reconhecimento de padrões.
De acordo com artigo publicado na quarta-feira (12) pela versão on-line da revista "New Scientist", a equipe liderada por Simon Baron-Cohen, do Centro de Pesquisa do Autismo de Cambridge, no Reino Unido, mediu os níveis de testosterona contido no fluído amniótico de 58 mulheres grávidas em 1996 e 1997.
Quando as crianças atingiram um ano de idade, os cientistas detectaram que os bebês que foram mais expostos à testosterona tinham um vocabulário menor e faziam menos contatos visuais.
Quando as crianças atingiram quatro anos de idade, os pesquisadores entrevistaram as mães a respeito dos interesses dos filhos e como eles lidavam socialmente.
Novamente, as crianças mais expostas à testosterona tinham menos desenvoltura social, e os interesses dos meninos eram mais restritos que o das meninas, segundo relataram os pesquisadores no "Journal of Child Psychology and Psychiatry".
Autismo
A pesquisa de Baron-Cohen tenta perseguir a confirmação para sua teoria, segundo a qual o nível de testosterona fetal instiga o desenvolvimento do cérebro em direção a uma melhor habilidade para visualizar padrões e analisar tarefas sistêmicas, que os homens tendem a realizar melhor.
Por outro lado, essas habilidades prejudicariam a capacidade de comunicação e empatia --geralmente mais desenvolvidas em mulheres.
O cientista também espera encontrar respostas para o autismo, que ele acredita ser uma forma extrema de desenvolvimento do cérebro masculino.
Segundo a "New Scientist", um garoto tem quatro vezes mais chance de ser autista do que uma garota. Além disso, os que apresentam o problema, basicamente têm dificuldades de se comunicar com o mundo exterior, mas são excelentes em reconhecimento de padrões.
Baron-Cohen admite que os resultado obtidos até agora ainda são insuficientes para estabelecer uma relação de causa e efeito. Porém, se suas idéias estiverem corretas, os níveis de testosterona fetal podem estar fortemente relacionados com o autismo.
Nível de testosterona no útero pode gerar pessoas menos sociáveis
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u11754.shtml
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 1.10.04
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Psique infantil instiga teorias desde Freud
| Folha de S.Paulo | 16/05/2004 |
Sigmund Freud e Jacques Lacan estabeleceram as bases para o desenvolvimento de teorias sobre o tratamento de crianças com problemas psíquicos e de desenvolvimento.
Entre os autores mais modernos, destacam-se Donald Winnicott, pediatra inglês, a francesa Françoise Dolto, e Marie-Christine Laznik, brasileira que vive na França, autora de uma vasta produção teórica, sobretudo a respeito do autismo infantil.
Winnicott dedicou sua carreira à compreensão das crianças, olhando-as como seres formados pela integração do orgânico e do emocional.
Ele enfatizava uma visão relacional da criança com seu cuidador. É dele a teoria da "mãe suficientemente boa", que seria aquela que efetua uma adaptação ativa às necessidades da criança, adaptação essa que depende muito mais da devoção do que do esclarecimento intelectual.
Um dos grandes legados de Dolto foi mostrar a importância das palavras ditas às crianças e diante delas. Afirma a necessidade, em todas as circunstâncias, do falar à criança. Mostra que freqüentemente é no corpo e por meio dele que a criança expressa o que, às vezes, não consegue dizer de outra maneira.
O autismo, para Laznik, coloca em evidência uma falha fundamental na presença do "outro" (papel ocupado de início pela mãe).
Psique infantil instiga teorias desde Freud
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u3477.shtml
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 1.10.04
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Dificuldade de reconhecer voz está no cérebro do autista, diz estudo
| Agência Lusa, através da Folha de São Paulo | 20/8/2004 |
Uma anomalia no reconhecimento da voz observada no cérebro de autistas pode explicar parte das dificuldades de relacionamento que enfrentam os portadores da síndrome.
Estudo publicado na edição de agosto da revista científica "Nature Neuroscience" revela uma incapacidade dos autistas em ativar as zonas do cérebro responsáveis pelo reconhecimento da voz.
A pesquisa foi realizada em Orsay (França) pela equipe de Monica Zilbovicius, do Instituto Francês da Pesquisa e da Saúde em colaboração com a Universidade de Montreal (Canadá).
O autismo é uma alteração no desenvolvimento cerebral que incapacita os seus portadores de se relacionarem normalmente com o que os rodeia. Uma ou duas crianças em cada mil têm probabilidades de nascer com autismo.
Voz
Para identificar as bases cerebrais desta doença, os investigadores de Orsay estudaram, recorrendo a imagens obtidas por ressonância magnética funcional, como o cérebro dos autistas adultos apercebe a voz humana em relação a outros sons.
A voz é um "estímulo auditivo rico em informação sobre a identidade e o estado emocional do interlocutor", sublinham no estudo.
Segundo os autores, a voz é também rica em informações não-verbais: ela constitui uma verdadeira cara auditiva que nós sabemos interpretar. As nossas capacidades em percebermos estas informações vocais desempenham um papel crucial nas nossas interações sociais.
Reconhecer diferenças
Os cientistas registraram a atividade cerebral de cinco autistas adultos e de oito voluntários sãos enquanto ouviam seqüências de sons de vozes humanas (palavras, choros, risos ou cantos) e outros barulhos (animais, sinos, instrumentos musicais ou carros).
Nos autistas, as regiões do cérebro ativadas são exatamente as mesmas para vozes humanas e outros sons. "Os resultados revelam nos autistas uma ausência de ativação da área específica da percepção da voz", dizem os pesquisadores.
Além disso, questionados sobre o que haviam entendido durante o exame, os autistas reconheceram apenas 8,5% dos sons como voz humana --contra 51,2% do restante dos indivíduos--, confirmando sua fraca capacidade de reconhecimento de voz.
Reconhecimento de rostos
Estudos anteriores com a técnica de ressonância magnética tinham já revelado nos portadores da síndrome uma disfunção semelhante para o reconhecimento de rostos.
"Estas anomalias do tratamento da voz e dos rostos sugerem que as dificuldades dos autistas em compreender o estado emocional dos outros e em interagir com eles poderão estar ligadas a uma deficiência na percepção dos estímulos sociais", concluíram os cientistas.
A identificação destas deficiências de percepção "permitirá elaborar estratégias de reeducação", sugerem os autores do estudo.
Dificuldade de reconhecer voz está no cérebro do autista
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u12308.shtml
Se for reproduzir, por favor dê o crédito: Traduzido/transcrito por Argemiro Garcia em 1.10.04
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Por meio de uma família, peça implode "misérias social e moral"
VALMIR SANTOS (enviado a São José do Rio Preto - Festival de Teatro de Rio Preto) | Folha de S. Paulo | 20/7/2004 |
O pai é alcoólatra. A mãe, uma mulher resignada. E os três filhos do casal encerram a seguinte trindade: um travesti, um fanático religioso e um autista.
Eis a composição explosiva da família de
"Lusco-Fusco ou Tudo Muito Romântico", espetáculo das companhias mineiras Absurda e Acômica, sob direção de Eid Ribeiro, que estréia hoje no Festival Internacional de Teatro (FIT) de São José do Rio Preto (SP).
Ribeiro escreveu a peça em parceria com Marcus Tafuri. O ponto de partida foi o romance "Profundo", do venezuelano José Ignacio Cabrujas. Porém, quatro meses depois de criação coletiva com os atores, a dramaturgia estancou. Foi retomada apenas meses adiante, agora colocando-se, em parte, aquele livro de lado e criando um texto com vida própria.
O resultado veio à luz há três anos e se aproxima de uma transposição da história bíblica de Caim e Abel para uma família brasileira contemporânea, moradora em uma favela.
Entre canções de Roberto Carlos e fantasias pornográficas, desponta um retrato angustiante do cotidiano daquela casa. "Misérias social e moral", diz Ribeiro, 61. Liame de amor e ódio. Ou lusco-fusco, ponte entre o final do dia e o anoitecer.
O crente Abel (Herbert Tadeu), filho mais velho, prega o apocalipse e cava um buraco onde deseja abrigar a família da ira do deus seu. Jonilde (Nelson Bamban Júnior), o arrimo, tira o ganha-pão fazendo programa com homens.
Elvirinho (Luiz Lerro), por sua vez, podia se manter involuntariamente à margem dessa margem, dado o autismo, mas sucumbirá como uma espécie de "ímã" na ciranda tragicômica.
O pai, o barbeiro Josué (Fabio Furtado), é um beberrão que gosta de prostitutas. A mãe, Helenilde (Silvanha Stein), chafurda na lamentação de passado que não lhe dá trégua. Segundo Eid Ribeiro, a desagregação desse núcleo representa simbolicamente a sociedade que o cerca.
O diretor procurou escapar ao realismo chapado das cenas.
"Há toques de distanciamento, de estilização, para não facilitar a emoção bruta de alguns momentos." Ele já encenou Kafka e Beckett em sua companhia, a Absurda. Ao diretor, juntou-se uma nova geração por meio da cia. Acômica, criada há quatro anos e revelada por uma montagem de
"As Criadas", de Genet.
Por meio de uma família, peça implode "misérias social e moral"
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u46070.shtml
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